Uma pintura de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), exibida pelo próprio artista nas históricas exposições realizadas no Porto e em Lisboa em 1916, vai ser leiloada a 24 de junho, em Lisboa, anunciou a leiloeira Veritas esta quinta-feira.
A obra em óleo sobre tela, intitulada “Copo branco belleza dos objectos” (1915-1916), que se manteve durante anos na propriedade da família do artista, terá 375 mil euros como valor inicial de licitação no leilão de arte moderna e contemporânea, segundo informação divulgada pela leiloeira à Lusa.
Com dimensões de 50 por 40 centímetros, o quadro pertence ao período final da produção artística de Amadeo de Souza-Cardoso, “fase marcada pela experimentação formal e pela assimilação de linguagens ligadas ao cubismo e às vanguardas europeias”, assinala a leiloeira num comunicado sobre o leilão.
A obra foi apresentada pelo artista nas exposições realizadas no Porto e em Lisboa em 1916, considerados momentos decisivos para a afirmação da modernidade artística em Portugal, tendo permanecido durante uma parte significativa do seu percurso na esfera familiar do artista.
Segundo a Veritas, o percurso expositivo da pintura que se encontra registada no Catálogo Raisonné do artista, publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian, prolonga-se por mais de um século e “acompanha alguns dos momentos mais relevantes da receção crítica da obra de Amadeo”.
Além das exposições de 1916, “Copo branco belleza dos objectos” fez parte das grandes retrospetivas dedicadas ao artista no Palácio Foz, em Lisboa, e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, em 1959.
A pintura participou ainda numa exposição realizada em 1985 na Galeria Jornal de Notícias, no Porto, na mostra “Amadeo de Souza-Cardoso: Diálogo de Vanguardas”, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 2006, e na grande retrospetiva dedicada ao artista apresentada em 2016 no Grand Palais, em Paris, França.
Nascido em Manhufe, Amarante, em 1887, Amadeo de Souza-Cardoso é considerado uma das figuras centrais da arte moderna portuguesa e um dos mais destacados representantes das vanguardas europeias do início do século XX.
Depois de se fixar em Paris, em 1906, estabeleceu contacto com alguns dos principais movimentos artísticos da época, relacionando-se com criadores como Amedeo Modigliani, Constantin Brâncu?i e Robert Delaunay.
A sua carreira foi interrompida prematuramente pela pandemia de gripe pneumónica que assolou a Europa em 1918, causando-lhe a morte aos 30 anos. Apesar da curta vida, deixou uma obra que continua a ser amplamente estudada e apresentada em museus e exposições nacionais e internacionais.
A exposição das peças em leilão – marcado para as 19h00 de dia 24 de junho – decorre de 19 a 23 de junho, na sede da Veritas, na Avenida Elias Garcia, em Lisboa.