O novo filme da Pixar “Toy Story 5”, que se estreia esta quinta-feira em Portugal, mergulha no drama da tecnologia na infância e na necessidade de estimular a imaginação, porque brincar faz parte de ser humano, disse a cineasta McKenna Harris numa conferência de lançamento do filme.

“Brincar é inerentemente humano”, afirmou a argumentista e correalizadora da longa-metragem de animação. “É uma parte de nós que não conseguimos desligar, um superpoder que está dentro de cada criança e adulto”, considerou. “Só quero que as pessoas que vão ver ‘Toy Story 5’ se sintam encorajadas a usar a sua imaginação, especialmente adultos que se sentem desconectados ou impotentes perante tantos dispositivos”.

O quinto filme da saga, que deu início à nova era da animação em 1995, chega sete anos após o último e explora um tema que o correalizador Andrew Stanton queria explorar: o impacto dos ecrãs nas crianças e uma história centrada em Jessie, que herdou a posição de xerife que antes pertencia a Woody.

“Muitos de nós na Pixar nunca parámos de brincar”, disse McKenna Harris, que nasceu um ano antes do primeiro filme “Toy Story” sair. “O que foi tão bom na nossa equipa é que, embora houvesse várias gerações, desde os que trabalharam em todos os filmes até aos miúdos da Geração Z que quiseram pôr Woody careca, todos temos mais em comum do que de diferente”.

Harris explicou que este filme explora mais a vida interior das crianças que os anteriores. “É verdade que a infância do Andy foi mais simples que a da Bonnie”, disse, referindo-se às duas crianças centrais da saga. “Os miúdos de hoje olham para a infância sem ecrãs como algo fantástico e histórico, antigo”, continuou.

Bad Bunny vai dar voz a personagem do filme de animação Toy Story 5

A tensão na trama vem de um novo dispositivo tecnológico que Bonnie, agora com oito anos, recebe. Chama-se Lilypad e torna-se tão intenso que começa a afetar a vida social da criança, algo que a xerife Jessie vai tentar combater. “É sobre como os brinquedos e a tecnologia nos ligam aos outros, e são as várias facetas dessa conexão que estamos a explorar”.

A produtora Lindsey Collins, que geriu o departamento editorial em “Toy Story 2”, explicou na conferência que o ponto de partida foi a observação. “Em vez de tomar uma posição, começámos por representar o que estávamos a sentir e a relação complicada dos nossos filhos com a tecnologia”, indicou.

O tablet Lilypad é uma espécie de antagonista, mas entra na vida de Bonnie com a mesma intenção dos outros brinquedos, que é ajudar a criança. A sua lógica é, no entanto, oposta à de Jessie e é daí que vem o drama.

“A dificuldade que Jessie enfrenta e no final se torna uma dádiva é a perceção do seu impacto”, explicou Collins. “A ideia central é esta compreensão de que, independentemente do tempo que passamos com alguém, podemos ter um impacto na vida dessa pessoa em apenas um instante”, acrescentou. “Esse dom de saber que se teve esse impacto é incrível”.

Banda sonora do novo filme “Toy Story 5” conta com a voz de Taylor Swift

Pete Docter, produtor executivo e diretor criativo da longa-metragem, falou da evolução incrível das ferramentas tecnológicas que permitem agora fazer coisas em animação que não eram possíveis no primeiro filme. No entanto, disse que as inovações são sempre secundárias.

“A tecnologia vai-nos maravilhar durante três segundos”, afirmou. “Depois disso, tem de valer pelo que está a dizer. Tem de ter um aspeto emocional e uma conexão que a audiência reconhece como real”.

Na versão portuguesa, a interpretação das personagens fica a cargo de Carmen Santos (Jessie), Miguel Ângelo (Woody), João Brás (Buzz Lightyear), Diana Nicolau (Lilypad) e Luz Fonseca (Bonnie).