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EVILLIVE: Organização desmente Megadeth e diz que cancelamento ocorreu por "decisão" da banda. DECO diz que fãs têm direito a reembolso

Banda cancelou concerto no Meo Arena quando público já esperava os artistas há meia hora, alegando "problemas técnicos". Mesmo em contexto de festival, cancelamento pode dar direito a reembolso.

Os Megadeth cancelaram o concerto integrado no festival Evil Live
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▲Os Megadeth cancelaram o concerto integrado no festival Evil Live

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Os Megadeth cancelaram o concerto integrado no festival Evil Live

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A organização do festival EVILLIVE emitiu um comunicado esta segunda-feira onde alega que o cancelamento da atuação da banda norte-americana Megadeth este domingo aconteceu por “decisão” da banda, contrariando a nota emitida pelo grupo, que tinha citado “questões técnicas” para não se apresentar a palco. Entretanto, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) já veio informar que quem desejar obter um reembolso do bilhete de entrada no festival tem direito a fazê-lo.

Numa publicação feita nas redes sociais do festival, a sua promotora, a Prime Artists, afirma que a atuação dos Megadeth “não se realizou na sequência de uma decisão comunicada pelos representantes da banda, momentos antes da hora prevista para o início do espetáculo”.

A organizadora acrescenta, inclusive, que envidou esforços para responder às necessidades do grupo norte-americano: “Ao longo de todo o dia, a organização assegurou o cumprimento de todas as condições previstas para a realização da atuação e manteve total disponibilidade para colaborar com todas as equipas envolvidas, desenvolvendo todos os esforços no sentido de encontrar uma solução que permitisse a realização do concerto”. No entanto, adianta a Prime Artists, “apesar dessas diligências, os representantes da banda mantiveram a decisão de cancelar a atuação”.

Esta nota emitida pela promotora contrasta com a que os Megadeth divulgaram ainda na noite de domingo, na qual justificaram o cancelamento com “questões técnicas” que “fugiram” ao seu controlo — não explicitando, todavia, de que problemas se tratava nem quando surgiram. Segundo a mesma publicação, os elementos da banda ficaram “consternados e frustrados” com o cancelamento: “Estamos tão desapontados com esta situação como vocês. Esperamos regressar para vos darmos o espetáculo que merecem”.

Os Megadeth cancelaram o concerto quando a Meo Arena já se encontrava cheia e o público já aguardava pela banda há meia hora. O palco já estava, de resto, montado e adornado com elementos referentes à banda norte-americana. O anúncio do cancelamento motivou vaias e ânimos exaltados — e levou a uma debandada significativa da sala de espetáculos, onde de seguida ia começar o concerto de Marilyn Manson, no âmbito do mesmo festival.

Marilyn Manson, o salvador improvável após o cancelamento dos Megadeth no Evil Live. Converge e Mastodon mostraram estar numa liga à parte

O cancelamento foi confirmado por um elemento da organização, comunicando à plateia que o concerto já não se ia realizar, remetendo explicações para mais tarde e através das redes sociais. Entretanto, ainda durante a noite, a Prime Artists não adiantou explicações, informando apenas que “o concerto de Megadeth no EVILLIVƎ Festival não se realizará” e que “o espetáculo de Marilyn Manson terá início às 22h30”, remetendo mais informações para “brevemente”, sendo então prestadas esta segunda-feira.

Cancelamento do concerto dá direito a reembolso do bilhete, garante DECO

Quem comprou bilhete para o concerto dos Megadeth este domingo e não assistiu à atuação devido ao cancelamento de última hora tem direito ao reembolso do bilhete de entrada no festival, confirmou esta segunda-feira em comunicado a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).

“Independentemente das razões que possam ter levado ao cancelamento, a não realização do concerto dá direito ao reembolso do bilhete”, vinca a nota enviada pela DECO às redações, sublinhando que o promotor “está obrigado a restituir o preço dos bilhetes” em três situações: quando o espetáculo não se realiza na data, hora ou local previstos; quando ocorre uma substituição do programa ou de artistas principais; e quando há uma interrupção do espetáculo.

“A DECO recorda que tem vindo a defender a clarificação da legislação aplicável aos festivais e outros multieventos, de forma a eliminar dúvidas na interpretação da lei e a assegurar que os consumidores não perdem direitos neste tipo de espetáculos”, lê-se ainda no comunicado.

A associação recorda que os Megadeth tinham sido “anunciados como um dos principais cabeças de cartaz do festival”, o que reforça a ideia de que “a sua ausência dá lugar ao reembolso do bilhete, sobretudo porque a não realização do espetáculo não se deve a uma situação de força maior”.

A Prime Artists ainda não divulgou qualquer informação quanto a uma eventual restituição financeira a quem comprou o bilhete para ver os Megadeth. Na nota desta segunda-feira, limita-se a declarar que “lamenta profundamente esta situação e o impacto causado junto do público, que aguardava este espetáculo, agradecendo a compreensão demonstrada por todos os presentes”.

“A organização agradece ainda o profissionalismo, a dedicação e a colaboração de todas as equipas técnicas, artísticas e operacionais que contribuíram para a realização do EVILLIVE Festival 2026”, lê-se ainda.

O Observador esteve a cobrir o festival EVILLIVE e assistiu em primeira mão a vários espetadores a exigir um reembolso junto quer de membros da promotora, quer de funcionários da Meo Arena, não tendo sido emitida uma explicação clara de como esta devolução poderá ocorrer.

A Meo Arena, entretanto, frisou num comentário feito numa publicação alusiva ao EVILLIVE da sua própria página de Instagram que “a responsabilidade pela venda, troca e reembolso de bilhetes pertence ao promotor do evento e/ou à plataforma onde os bilhetes foram adquiridos”. “Em caso de dúvida, recomendamos que contactem diretamente o promotor ou o ponto de venda oficial, para obterem informação atualizada sobre os procedimentos a seguir”, lê-se.

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