As escolas começaram, ao final desta tarde, a receber os chamados ficheiros ENES que contêm as notas dos alunos que realizaram os exames nacionais dos 11.º e 12.º anos. Contudo, haverá exames sem nota, anunciou o Júri Nacional de Exames, o que fará com que nem todos os alunos conheçam as suas classificações. Esses casos serão solucionados, mas de que forma, o EduQA ainda não sabe.

No comunicado que o Júri Nacional de Exames/EduQA enviou às escolas, e que está assinado pelo presidente do JNE, é explicado que face às dificuldades do processo de classificação, “o JNE/EduQA considera adequado assegurar a publicação das classificações dos exames nacionais do ensino secundário, ainda hoje, dia 17 de julho de 2026, até às 19h30, e posteriormente definir o procedimento a aplicar às provas com itens em falta, nomeadamente em sede de consulta, reapreciação ou reclamação. Nesse sentido, serão dadas, oportunamente, mais orientações às escolas sobre esta matéria. Estes casos estarão sinalizados nas pautas com ‘suspenso’.”

Em entrevista à SIC, o ministro da Educação reconheceu que centenas de provas não terão nota. “Há umas centenas de provas em que há falhas. As falhas são diversas. Não vou entrar nos pormenores, até porque tem de ser objeto de uma auditoria”, frisou. “Há provas que chegaram ao EduQA na última semana, que não foram entregues na altura pelas escolas. É uma situação que tem de ser avaliada com muito cuidado. E penso que essas provas não têm condições (porque está em questão a integridade da prova) para terem uma nota agora.” Face ao ocorrido, as escolas visadas terão que responder por não terem enviado as provas.

Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), criticou a solução das notas suspensas. “Há aqui uma desigualdade em relação à visualização das pautas que não me parece justa”, lamentou. “Querem que sejam afixadas as notas hoje, mas muitos alunos não vão ter oportunidade de consultar as pautas, inclusivamente os que não terão nota [aparecerá suspenso nos casos em que o processo não esteja completo]. Podendo ver a pauta, alguns vão ver à frente a palavra suspenso.”

No comunicado enviado antes da ida do ministro à televisão, o EduQA sublinha que “o processo de classificação digital das provas de avaliação externa constitui uma operação de elevada complexidade técnica e organizacional, envolvendo milhares de classificadores, centenas de milhares de respostas de alunos e um conjunto de procedimentos exigentes destinados a assegurar a equidade entre os alunos e a validade dos resultados”.

O processo desenvolvido “pela primeira vez no sistema educativo português” envolveu a “digitalização das folhas de resposta, o respetivo tratamento digital e a disponibilização das provas para classificação”. “Pela natureza desta operação, podem ocorrer dificuldades técnicas ou organizativas, como falhas de digitalização, imagens incompletas ou ilegíveis, ausência de páginas ou itens e associação incorreta de ficheiros“, sublinha o EduQA.

Ao todo, foram realizadas 290.351 provas e digitalizados 2.059.974 itens ou respostas. “Em situações excecionais, pode verificar-se o extravio de uma folha da prova ou a indisponibilidade de um ou mais itens de resposta por motivo não imputável ao aluno. Embora estas ocorrências sejam residuais, exigem procedimentos específicos, uniformes, verificáveis e transparentes.”

Para assegurar que “nenhum aluno seja prejudicado por uma ocorrência administrativa, técnica ou logística alheia à sua vontade, preservando simultaneamente a integridade da avaliação, a comparabilidade dos resultados e a transparência do procedimento adotado”, o EduQA decidiu avançar com a hipótese das notas suspensas.

Pela primeira vez, as escolas também vão dar acesso às provas digitalizadas dos alunos. Algumas vão fazê-lo através de requerimento, e outras, de forma geral.

Já as notas das provas finais do 9.º ano serão divulgadas no início da próxima semana: “Tendo em conta a necessidade de priorizar a divulgação dos resultados dos exames nacionais do ensino secundário, que são determinantes para o acesso ao Ensino Superior e cuja 1.ª fase de candidatura decorre online a partir do dia 20 de julho, o JNE/EduQA decidiu adiar a afixação das pautas de resultados das provas finais de ciclo para o início da próxima semana.”