A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) alertou o Júri Nacional de Exames (JNE), o EduQA e o ministro da Educação para um erro no exame nacional de 2.ª fase de Matemática A, que se realizou ontem, dia 22 de julho. A questão não é compatível com o que vem descrito nos critérios de avaliação, defende a SPM.
Na nota a que o Observador teve acesso, a SPM registou uma “formulação deficiente na questão 5 do exame de Matemática A (2.ª fase)”, onde se lê: “Considere todos os números naturais com cinco algarismos diferentes. Determine quantos destes números são múltiplos de 5 e maiores do que 50.000.”
De acordo com a SPM, “tal como está formulado, em português corrente significa que se pretende considerar todos os números naturais com um número arbitrário de algarismos, mas entre os quais há cinco diferentes; esta formulação, que não exprime certamente a intenção dos autores do enunciado, não é, assim, obviamente, compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação”.
Já está disponível a correção da 2.ª fase do exame nacional de Matemática A. Veja aqui
“As etapas indicadas nesse documento seriam adequadas se a primeira frase da questão estivesse formulada de modo a definir outro conjunto de números, finito, como por exemplo: ‘Considere todos os números naturais de cinco algarismos, todos diferentes’ ou ainda, se a questão fosse simplesmente: ‘Quantos números naturais de cinco algarismos, todos diferentes, são múltiplos de 5 e maiores que 50.000?'”, sustenta a SPM.
Afinal, ao considerar a forma como a questão foi colocada, “existem infinitos números que satisfazem os requisitos definidos”: “Por exemplo, o número 890890121212980211802920 é múltiplo de 5, é superior a 50.000 e é um número natural com cinco algarismos diferentes.”
Além de uma imprecisão, para a SPM trata-se de “um erro formal”: “As incorreções de português (incluindo os casos em que as formulações não refletem a intenção do autor) são reprováveis em qualquer prova e refletem-se muitas vezes, como neste caso, no rigor matemático dos itens.”
“Os enunciados dos itens em provas públicas como esta devem, também, ser bons modelos de redação em matemática. Este incidente ocorre num contexto em que a SPM ponderou e decidiu, neste ano letivo, a não realização de auditorias às provas do EduQA, até que se restabeleça, nesta instituição, um quadro que assegure que a qualidade da avaliação e o interesse público prevaleçam sobre quaisquer outras considerações, conforme referido nos seus pareceres”, remata a nota.