O Torreense perdeu a Supertaça frente ao FC Porto por 1-0, mas saiu do estádio de cabeça erguida. Luís Tralhão não escondeu o orgulho pelo que a equipa apresentou em campo – nem a amargura de ter ficado tão perto de forçar o prolongamento.
“Pessoalmente, tenho um orgulho brutal nesta equipa e nestes jogadores. Fazer o jogo que fizemos enche-me de orgulho. Por outro lado, já me estou a habituar a ganhar taças e sinto que ficámos tão perto… não existem vitórias morais, mas há aqui um sentimento agridoce. Acho que tivemos quase o mesmo número de oportunidades, não tenho a estatística, mas pelo menos era justo irmos a prolongamento”, disse o técnico, depois do apito final. O técnico dos azul-grená assumiu-se ainda com sentimentos mistos face ao desfecho da Supertaça: “Hoje, se por um lado estou triste por não vencer, por outro fico contente por conseguir meter uma equipa como o FC Porto a defender com 11 jogadores junto da sua área”, disse à RTP.
Tralhão explicou também a forma como preparou o jogo e o que correu bem – e menos bem – ao longo dos 90 minutos. “Sabíamos que o FC Porto entra muito forte. Tínhamos de controlar e ferir nesse momento, fazê-los sentir que podíamos ganhar o jogo. Nos primeiros 20 minutos, fizemo-lo. Se tivéssemos marcado nesse período era um prémio justo. Mas depois começámos a baixar as linhas, não conseguimos pressionar o meio-campo. Dos 20 minutos para a frente viemos um pouco para trás e não queríamos isso. Corrigimos e melhorámos no segundo tempo”, explicou o técnico da formação de Torres Vedras.
O treinador sublinhou ainda que esta exibição não foi construída em dias, mas sim ao longo de meses. “Não preparámos este jogo na semana passada, preparámo-nos desde que assumimos a equipa em janeiro, mais particularmente desde que começámos a pré-época”, afirmou.
Questionado sobre o que leva para a Segunda Liga, Tralhão foi claro sobre as expectativas. “Se gostamos de estar nestes palcos, temos de fazer o caminho das pedras. A Segunda Liga começa do zero. Se entrarmos a pensar que somos candidatos ou favoritos, isso pode-nos atraiçoar. É uma competição muito equilibrada, há muitas equipas com um orçamento muito superior ao nosso. Mas demonstrámos hoje que nos podemos bater de frente com qualquer adversário. O Torreense merece, pelo que tem feito nos últimos anos, estar na Primeira Liga. Se não for este ano, há de chegar lá. Estas são experiências boas para qualquer equipa. Estamos em processo de transformação e estamos a tentar reunir condições para melhorar e subir de nível e de escalão. Quem sabe, poderá ser esta época. Mas não nos vamos meter em bicos de pé, estamos apenas no início da temporada”, concluiu o técnico.
O lateral esquerdo Javi Vásquez, eleito jogador revelação da partida, partilhou o mesmo orgulho do treinador — mas não escondeu a frustração pelo resultado. “Viemos aqui por mérito próprio e demonstrámos que conseguimos competir com qualquer equipa. Orgulhosos pelo que fizemos, mas não vamos contentes, pois vínhamos aqui ganhar. Levamos a cabeça levantada”, disse o jogador. O prémio individual foi recebido com satisfação, mas sem deixar apagar o objetivo coletivo: “É sempre importante. Trabalho todos os dias para crescer e melhorar como futebolista, então, quando te reconhecem é importante. Fico muito contente com isso. Não levámos a Taça e temos de continuar a trabalhar”.