A 8.ª edição do Imago Lisboa – Photo Festival é inaugurada em setembro com um programa de doze exposições dedicadas à fotografia contemporânea em vários espaços da capital, propondo uma reflexão sobre arquivo, inteligência artificial, memória e materialidade da imagem.
Sob o tema Repensar a fotografia: ecologias da imagem, o festival apresenta um conjunto de exposições de autores nacionais e estrangeiros, distribuídas por museus, galerias e espaços culturais de Lisboa, indica o sítio online do certame.
A edição deste ano abre a 24 de setembro, no Instituto Cervantes, com uma exposição de António Guerra, e inclui projetos de Joan Fontcuberta, no Museu da Água, Délio Jasse, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, assim como de José Luís Neto, João Mota da Costa, Rocío Bueno e Sarah Schorr, entre outros artistas convidados.
O programa integra também duas exposições coletivas com curadoria de Rui Prata, na Mitra, reunindo trabalhos de Angeniet Berkers, Marc Schroeder, Viktoria Sorochinski, Heidi Piiroinen, Ian Cheibub e Rima Samman.
Segundo a organização, o tema desta edição parte da ideia de que a fotografia contemporânea ultrapassou a sua função tradicional de registo para se afirmar como um campo expandido de investigação artística, atravessado por questões ligadas à memória, à mediação tecnológica e à materialidade da imagem.
Neste contexto, “a fotografia deixa de ser entendida apenas como um instrumento de documentação para assumir um papel crítico e processual, em permanente transformação, onde se cruzam práticas performativas, reflexivas e experimentais”, lê-se num texto do diretor artístico do festival, Rui Prata.
Na Galeria Santa Maria Maior será apresentada a exposição New Cartographies, com curadoria de Paul Di Felice, reunindo obras de Raisan Hameed, Marta Djourina, Paulo Simão, Serge Ecker, Carine Krecké e Marco Godinho.
A Galeria Imago Lisboa acolherá trabalhos de Anaïs Tondeur e Chloé Azzopardi, enquanto o Imago Garage apresentará Project Groundswell, com obras de Gonçalo Fonseca, Ingmar Björn Nolting, Maria Oliveira e Yvette Monahan.
O festival propõe igualmente uma reflexão sobre os arquivos fotográficos, encarados não como repositórios estáveis de memória, mas como espaços de montagem, reinterpretação e construção de novas narrativas.
A recontextualização de imagens históricas é apresentada como uma forma de “questionar versões estabelecidas da história e de dar visibilidade a experiências e perspetivas até agora marginalizadas”, sublinha ainda.
Outro dos eixos centrais da programação é o impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial na produção de imagens.
Para Rui Prata, historiador e mestre em curadoria, a proliferação de imagens sintéticas e de processos algorítmicos “tem vindo a alterar a relação tradicional entre fotografia e verdade”, e um dos objetivos do festival é convidar a uma leitura crítica dos atuais regimes de produção e circulação visual.
Em paralelo, a edição deste ano do Imago assinala “um renovado interesse pelos processos materiais da fotografia”, através da recuperação de técnicas históricas, da experimentação com suportes e da valorização do gesto e da fisicalidade da imagem, “entendidos como formas de resistência à rapidez da cultura digital”.
Criado como uma plataforma dedicada à fotografia de autor, o Imago Lisboa apresenta-se como um espaço de encontro entre diferentes práticas fotográficas contemporâneas, dedicado à promoção do diálogo entre artistas, curadores e públicos em torno das transformações da imagem no século XXI.