O basquetebol português parece viver uma fase francamente positiva. Neemias Queta rompeu o teto da NBA e assinou um contrato milionário com os Boston Celtics, a Seleção Nacional chegou aos oitavos de final do último Eurobasket e Rúben Prey já garantiu que vai apresentar-se ao próximo draft, podendo tornar-se o segundo português a atuar nos EUA. Nada disso, porém, evita os problemas do costume.
Esta quarta-feira, à margem da preparação para a dupla jornada de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027, no Qatar, o selecionador nacional deixou duras críticas às condições que a Seleção está a encontrar nos pavilhões portugueses, particularmente o Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso, onde os treinos estão a decorrer. Ainda antes de responder às perguntas dos jornalistas, Mário Gomes disse ter algo “entalado na garganta há muito tempo” e desabafou durante alguns minutos.
O selecionador nacional Mário Gomes foi arrasador ????️ pic.twitter.com/TOf5DPEZgk
— B24 Dunk (@B24Dunk) August 19, 2026
“Este treino de hoje, tal como o da manhã, estava planeado para ter cerca de duas horas. Ao fim de uma hora e 10 minutos tivemos de parar porque não há condições para continuar a treinar”, começou por dizer, referindo-se ao intenso calor que se fazia sentir dentro do pavilhão. “Isto é uma tristeza, uma vergonha. É o único país da Europa onde não há pavilhões públicos com ar condicionado. Não acredito que nos gabinetes ministeriais e dos senhores presidentes das Câmaras trabalhem com estas condições em que estamos a trabalhar”, acrescentou.
Mais à frente, o selecionador nacional também deixou críticas ao pavilhão do Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, o último em que Portugal cumpriu um jogo oficial, em julho, contra Montenegro. “Já foi demais o jogo que fizemos em Matosinhos. Estas não são condições para se trabalhar, até porque, além do mais, arriscamos lesões dos jogadores e por aí fora. Na altura de cobrar os resultados estou cá para assumir a responsabilidade, da mesma forma que estou cá agora também para dizer aquilo que deve ser dito”, atirou, explicando que sentiu a necessidade de dizer “o que deve ser dito”.
Já Neemias Queta, que foi convocado para os jogos contra Espanha e Geórgia, a 28 e 31 de agosto, acabou por desvalorizar. “Não fiquei surpreendido porque já conheço a realidade de Portugal. Mas também não acho que seja assim tão diferente. Já estive habituado a treinar em pavilhões mais quentes do que este. Pode ter sido um choque inicial por não estar habituado, mas com o decorrer dos treinos a gente habitua-se. Faz parte. Às vezes os campos são mais frios, noutras vezes são mais quentes. Mas ninguém dá desculpas”, sublinhou.