A banda do Porto Cobrafuma lança sexta-feira o segundo disco, “Droga Total”, que surge “ainda mais bravo” do que a estreia, com o estado de um mundo “ainda mais esquisito”, disse à Lusa o guitarrista José Roberto Gomes.

“Se o primeiro era uma cavalgada, este aqui é completamente como uma moto, daquelas pesadas. É ainda mais rápido, e as letras deste disco tornaram-se mais diretas. […] Quando promovíamos o primeiro álbum, estávamos a sair da covid-19, e entre 2023 e 2025, quando escrevemos este, o mundo tornou-se um sítio ainda mais esquisito”, contou à Lusa o guitarrista e vocalista.

Gomes compõe Cobrafuma com Rui Pedro Martelo (baixo e vozes), Luís “Chaka” Santos (bateria) e Miguel Azevedo (guitarra), e se em 2023 se estrearam com uma “cavalgada”, no disco homónimo, agora a toada pesada e “ainda mais rápida” mantém o olhar sobre a sociedade.

Hoje, o mundo tem “desafios que cada vez menos se esperavam vir a viver”, o que tentaram passar para as sete canções que compõem “Droga Total”, um disco que a banda descreve como não sendo “o protótipo de disco de ‘metal'”.

“Com as situações a acontecer um pouco por todo o lado, quer seja perto, quer seja longe, de injustiça e de abusos de poder, levou a que tivéssemos letras ainda mais diretas, se calhar mais urgentes, uma reação aos tempos”, acrescenta.

Em “Trabalho”, o trabalhador é descrito como “escravo dos cangalhos”, porque “o patrão tem de ruminar”, “Meninos das Tochas” aponta a uma extrema-direita com “ódio na mão”.

O título do álbum, “Droga Total”, seria sempre “aberto a imensas interpretações”, o que agrada à banda, mas para o guitarrista vem de uma “reflexão e imaginação de alguém que já tem tudo”, quando já nada “bate” – “qual é que será a droga última, a mais potente de todas?”.

“Isto também tem a ver com uma análise do que é que é o estado do mundo e da sociedade global neste momento, é que vivemos tempos muito esquisitos porque há uma sede enorme e um abuso de poder. Porque quando as pessoas já têm tudo e podem ter mais alguma coisa, só lhes resta uma coisa que elas não conseguem largar, que é ter poder”, critica.

A banda tinha anunciado um hiato mas este “foi de pouca dura”, tendo surgido pela emigração de Miguel Azevedo para os Países Baixos, em 2024, e terminado porque começaram a sentir vontade de trabalhar num novo álbum e de tocar.

“Na verdade, nós queremos é tocar. Claro que agora estamos muito mais condicionados e cada vez que tocamos é muito mais caro, porque envolve sempre voos dos Países Baixos para o Porto e de regresso, e algumas logísticas associadas a fazer música à distância”, admite.

A primeira apresentação do disco é no Banho da Cobra, no sábado, no final de um dia de concertos de entrada livre na Associação de Moradores da Lomba, no Porto, cidade onde nasceu Cobrafuma.

Antes, há atuações de Unsafe Space Garden e Capela Mortuária, encerrando com um DJ set de Ana Pacheco e DJ Lynce.

A apresentação do disco, que seria lançado em maio, mas teve apresentação adiada devido a um acidente de bicicleta do baterista, seguirá, depois, para outras cidades, em digressão por anunciar.