Um livro inédito de Antonio Tabucchi (1943-2012) intitulado “Cartas ao Capitão Nemo”, numa tradução de Ana Cláudia Santos, é publicado no próximo dia 29 de setembro, pelas Publicações D. Quixote, foi esta quarta-feira anunciado.

Este foi um livro ao qual o escritor italiano “se dedicou durante vários anos, sem nunca o publicar, chegando até a dá-lo por destruído”, afirma a editora, apontando-o como “um livro onírico e pleno de sugestões, além de um retrato muito eficaz da Itália do pós-guerra”.

O livro foi “recuperado entre os papéis guardados numa gaveta na casa do escritor, e pacientemente reconstruído por Thea Rimini”, da Universidade de Liège, na Bélgica.

“‘Cartas ao Capitão Nemo’ é, nas palavras do autor, [a] ‘crónica de uma dissociação psíquica, metáfora da solidão ou radiografia de um futuro ‘vingador'”, afirma a editora do Grupo LeYa.

Sobre o enredo do livro, adianta: “Uma mãe melancólica e distante, que ouve no gramofone a canção ‘Amado mio’; um pai fotografado com o braço eternamente estendido; um tio que coleciona bonecas; uma cave onde algo terrível aconteceu. E também uma [motorizada] Aprilia vermelha, um piano, um rato morto. E, por fim, Duccio, a quem chamam Cino, um rapazinho que descobre o lado mais abjeto da vida e tenta esconjurá-lo com os meios que tem. Por exemplo, escrevendo ao Capitão Nemo”.

São estes os protagonistas deste “romance breve e enigmático, ambientado numa villa na costa toscana, na véspera de um Ano Novo da década de 1950”.

Antonio Tabucchi teve uma relação especial com Portugal e a língua portuguesa, que considerou também a sua pátria, parafraseando o escritor Vergílio Ferreira, tendo escrito um romance em português, “Requiem” (1991).

Com Maria José de Lancastre, traduziu para italiano a obra de Fernando Pessoa.

Tabucchi nasceu em Pisa, onde fez os seus estudos, primeiro na Faculdade de Letras e depois na Escola Normal Superior. Lecionou nas universidades de Bolonha, Roma, Génova e Siena.

As suas obras estão traduzidas em mais de 40 países, tendo sido distinguido com vários prémios.

Os seus romances “O Fio do Horizonte”, “Noturno Indiano”, “Afirma Pereira” e “Requiem” foram adaptados ao cinema, respetivamente, por Fernando Lopes, Alain Corneau, Roberto Faenza e Alain Tanner.