O realizador português Tiago Guedes vai competir na Secção Oficial da 71.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Valladolid (Seminci), em Espanha, com “Aquí”, adaptação da “Trilogia de Jesus”, do Nobel da Literatura J. M. Coetzee.
A informação foi divulgada esta quinta-feira pelo festival, que revelou 15 novos filmes da sua programação, numa seleção que inclui algumas das obras que estão a marcar a temporada cinematográfica.
Produzido pela Leopardo Filmes, “Aquí” acompanha Simón, um homem que vive numa terra sem passado nem identidade definida e que acolhe David, um rapaz que perdeu a mãe e procura uma figura materna com quem possa construir uma nova família.
Este drama distópico adapta a trilogia do escritor sul-africano J.M. Coetzee, composta pelas obras “A infância de Jesus”, “Jesus na escola” e “A morte de Jesus”.
O filme conta com Patricia López Arnaiz, Sergi López, Ángela Molina e Manolo Solo no elenco, sendo esta uma das últimas interpretações do ator espanhol no cinema, segundo a organização da Seminci.
“Aquí” integra a Secção Oficial, que inclui outros oito títulos, entre os quais “La Gradiva”, primeira longa-metragem da francesa Marine Atlan, sobre um grupo de estudantes que viaja até Nápoles e Pompeia e vê as relações entre eles serem atravessadas pelo desejo, violência e descoberta.
Também em competição está “A Man of His Time”, de Emmanuel Marre, distinguido com o prémio de Melhor Argumento em Cannes, que acompanha um homem na França de 1940 que acaba por integrar o aparelho administrativo de Vichy, num retrato do oportunismo e da responsabilidade individual perante a ocupação alemã.
O realizador de Singapura Anthony Chen apresenta “We Are All Strangers”, um drama familiar contemporâneo em que um acontecimento inesperado obriga um jovem e o pai a repensarem os seus laços e responsabilidades, enquanto a austríaca Sandra Wollner, vencedora do prémio Un Certain Regard em Cannes e escolhida para representar a Alemanha nos Óscares, apresenta “Everytime”, que parte de uma tragédia que aproxima uma mãe, a filha e um adolescente numa viagem a Tenerife.
A competição inclui ainda “Yellow Letters”, de Ilker Çatak, vencedor do Urso de Ouro da Berlinale, sobre um casal de artistas turcos cuja vida em Ancara é perturbada pela pressão política e pela perseguição, ao passo que em “Rose”, o austríaco Markus Schleinzer recua ao século XVII para contar a história de uma mulher que assume uma identidade masculina para conquistar a liberdade.
“Prosecution”, do germano-iraniano Faraz Shariat, vencedor do Prémio do Público da secção Panorama da Berlinale, aborda a violência da extrema-direita e o racismo institucional.
A fechar a seleção da Secção Oficial, “A Bit of Light”, do iraniano Ali Asgari, acompanha um médico que, depois de ser detido e de ver o consultório encerrado, perde a confiança no futuro, um filme rodado no Irão contemporâneo, marcado pela guerra e pelos bombardeamentos norte-americanos.
Na secção Ponto de Encontro, dedicada a novas propostas e a filmes que exploram a relação entre as personagens e os espaços que habitam, serão apresentados outros seis títulos.
“Forest High”, da francesa Manon Coubia, sobre três mulheres numa cabana nos Alpes; “Ben’imana”, da ruandesa Marie-Clémentine Dusabejambo, sobre as consequências do genocídio dos tutsis; e “All the lovers in the night”, da japonesa Yukiko Sode, centrado na solidão e nos vínculos emocionais;
“Light pillar”, do chinês Xu Zao, que combina animação e imagem real para abordar os efeitos do progresso; “Yesterday the eye didn’t sleep”, do palestiniano Rakan Mayasi, sobre tradição, liberdade e condição feminina numa comunidade beduína; e “9 temples to heaven”, do tailandês Sompot Chidgasornpongse, sobre os laços familiares e o medo da morte, completam a seleção.