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Meia-noite em ponto. Jornal da Meia-Noite, na Rádio Observador, uma edição do jornalista Martim Madeira. Começamos com as manifestações. Martim, no Porto, os manifestantes já abandonaram a Praça Dom João I, mas no Rossio a manifestação ainda se mantém.
Manifestação essa que já dura há cinco dias. Vamos em direto até ao Rossio, onde está a jornalista do Observador, Rita Lourenço. Rita, ficou decidido que agora só sábado é que se regressa à Praça Dom Pedro IV?
Exatamente, Martim. Essa decisão foi tomada em assembleia popular esta tarde. Porém, momentos antes dessa decisão, 194 pessoas votaram a favor de cumprir as ordens da polícia. As autoridades, relembro, tinham exigido aos manifestantes para não continuarem com barulho e tendas aqui na praça a partir da meia-noite e meia, mas deixaram, na noite passada, os manifestantes pernoitar. Porém, o que aconteceu na votação foi que as pessoas que permaneceram aqui na noite de ontem para hoje, interviram para alertar os restantes manifestantes do cansaço sofrido durante a noite e de estarem doentes por terem ido trabalhar também depois de um descanso mal feito nas condições em que estavam no chão da Praça Dom Pedro IV, aqui no Rossio. Isto fez com que várias vozes dentro da multidão questionassem se valia ou não a pena colocar as tendas e percebemos que são sempre as mesmas pessoas a ficar a pernoitar nestas condições. E precisamente por isso, foi sugerido então a ideia de hoje não haver a pernoita e apenas voltarem a acampar aqui no Rossio no próximo sábado, votação essa que foi aprovada em assembleia. Sábado, que vai também acontecer a manifestação a partir das 15h, com início no Marquês de Pombal e fim aqui na Praça do Rossio, sendo que a intenção partilhada pelos manifestantes durante a assembleia é de que nesse dia irão pernoitar e montar tendas aqui na praça. Por enquanto, a outra decisão também anunciada na assembleia popular, foi a de uma vigília amanhã, a partir das 18h, no Bairro do Condado, em Marvila, onde em julho uma mulher viúva foi despejada e está então marcada essa vigília, em honra da senhora viúva e dos seus filhos, mobilizada pelas pessoas daqui da manifestação contra a crise da habitação. É lá que os manifestantes vão preparar os materiais para a manifestação de sábado, e é também em Marvila, no Bairro do Condado, que vai acontecer a próxima assembleia popular às 19h de amanhã. Neste momento, continuam ainda algumas centenas de pessoas aqui na praça, porém, num ambiente muito mais descontraído. Estão muito mais dispersas do que nas últimas horas e até mesmo nos últimos dias. A esta hora existem ainda três tendas montadas, porém ainda falta perto de meia hora para a hora delimitada pela polícia para que tudo seja removido. A organização da manifestação relembrou há momentos a decisão tomada de não ficarem a pernoitar, mas reforçam que quem quiser ficar a socializar na praça é livre de o fazer. Avisaram ainda para que todos os que abandonarem o local levem tudo o que tiverem aqui na praça. A polícia continua atenta, existem vários agentes ao redor da praça, porém também num ambiente mais descontraído. Há pouco assisti a uma comunicação entre alguns destes polícias, onde a indicação que lhe estava a ser dada era para ficarem nas extremidades da praça, não irem para o meio da multidão e não abordarem ninguém. Vamos então aguardar pela 00h30 e ver quem efetivamente fica ou não a pernoitar aqui na Praça do Rossio.
Journalista Rita Lourenço, em direto do Rossio. Já no Porto, os manifestantes abandonaram a Praça Dom João I, devido à chuva que se fazia sentir na Invicta. Na assembleia popular, decidiu-se que a próxima manifestação e acampada está marcada para este sábado.
E seguimos com ouvidos colocados nas declarações do Ministro das Infraestruturas e da Habitação, que lamenta, Martim, as declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana e diz que são afirmações infelizes, declarações essas que foram feitas esta tarde.
Por Benjamim Pereira, em Vila Nova de Gaia, e que temos agora a oportunidade de relembrar.
Já fomos todos jovens, e a grande nação que aqui estão, e percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa. E a casa, apesar de estar prevista, o direito à habitação, é um desiderato que todos os governos-- Não diria isso. Eu estou a dizer é que nós não estamos disponíveis para esse nível de sacrifício.
Ora, em entrevista à TVI, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, demarca-se completamente destas afirmações do presidente do IHRU.
Eu acho que as declarações são absolutamente infelizes. Estou a medir as palavras, absolutamente infelizes. Por várias razões. A primeira razão que coloco é que eu sou de uma geração, somos de uma geração, talvez, que gosta pouco quando me vêm dizer: "No meu tempo é que era". E, portanto, à geração atual, estes jovens, muitos que se manifestam, outros que não se manifestam, que é uma minoria silenciosa, claro que se sacrificam, claro que têm um esforço enorme. Já pedi esclarecimentos e eu assumo publicamente, porque tenho essa tutela, assumo publicamente e politicamente, não me revejo e acho declarações infelizes.
Aqui o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, em entrevista à TVI.
E o ministro da Presidência insiste na aprovação da nova lei do arrendamento e deixa, Martim, críticas às cartas abertas de José Luís Carneiro.
António Leitão Amaro admite que o diploma do Executivo deve sofrer melhorias durante a discussão no Parlamento, mas acusa o Governo da geringonça de aprovar a legislação que castiga os proprietários.
A situação que nós vivemos hoje tem por base uma lei do arrendamento castradora
Que castiga o arrendamento, a decisão do proprietário, do senhorio, colocar no mercado de arrendamento. Portanto, quem escreve cartas a pedir, eu acho que deveria escrever cartas a pedir que se mude a lei que os próprios aprovaram. E relativamente ao apelo "é preciso mudar a lei do arrendamento", é a lei que está em vigor e que causou esta compressão no mercado.
António Leitão Amar relaciona o aumento da imigração com o aumento do preço das casas e considera que a culpa não é dos imigrantes, mas sim da ausência de políticas de integração dos governos socialistas.
A culpa não é dos imigrantes. A culpa foi da governação socialista errada, que escancarou as portas, desregulou fluxos e não preparou nem o mercado de habitação, nem os serviços de saúde, nem as escolas para receber as pessoas com dignidade. Pior, não só não preparou, como prejudicou o aumento da oferta.
As acusações do ministro da presidência direcionadas ao PS. Neste Conselho de Ministros, o governo aprovou o diploma que traz novas regras para desbloquear heranças indivisas e assim libertar mais casas para o mercado. A nova lei regula os preços especiais da natureza urgente da venda de imóveis que fazem parte de uma herança indivisa, nos casos em que não há acordo entre herdeiros. Vão ter seis meses para tentarem chegar a um acordo ou para se concretizar uma venda particular antes de ser feito o leilão a valores de mercado com base em avaliações independentes.
E André Ventura gastou quase € 4 milhões na campanha para as presidenciais.
O triplo de António José Seguro. Os dados constam das contas da campanha entregues pelo candidato das últimas eleições presidenciais à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos. Ventura recebeu apenas € 706 de donativos de particulares e gastou mais em cartazes. Seguro gastou mais em comícios e angariou € 125 mil de particulares. Hugo Fortunato Oliveira.
Com o custo de vida a apertar-
Passamos a peça errada, agora sim, aqui está Hugo Fortunato Oliveira com estas faturas de André Ventura e também de António José Seguro.
André Ventura não ganhou a corrida a Belém, mas fica em primeiro. Na fatura, o líder do Chega apresentou uma despesa de € 3.730 milhões, quase quatro vezes mais do que os € 900 mil que previa gastar. A maior fatia foi para estruturas, cartazes e telas. Seguem-se os brindes. Para financiar as despesas, a candidatura recebeu €1.030.000 mil de subvenção pública e €2.700.000 de partidos políticos. Já os donativos de particulares ficaram-se pelos €760. Mais poupado foi António José Seguro. O presidente da República gastou €1.220.000. Ainda assim, ultrapassou em cerca de €90 mil o orçamento inicialmente previsto. A maior despesa foi com comícios, que custaram quase €413 mil. A candidatura de Seguro recebeu também €1.030.000 de subvenção pública e conseguiu angariar €125 mil junto de particulares. Recebeu ainda €71 mil de partidos políticos, apesar de não ter previsto esse financiamento no orçamento inicial. Nas contas das restantes candidaturas, Henrique Gouveia e Melo gastou quase €985 mil, Luís Marques Mendes cerca de €880 mil e João Cotrim Figueiredo €745 mil. Entre os candidatos sem direito à subvenção pública, António Filipe gastou quase €330 mil, Catarina Martins perto de €90 mil e Jorge Pinto mais de €80 mil. As campanhas foram financiadas, nesses casos, em grande parte pelos respectivos partidos.
O jornalista Hugo Fortunato Oliveira, com a fatura dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano, André Ventura gastou quase €4 milhões.
E no desporto, o Martim Benfica venceu em Chipre por quatro bolas a uma.
Foi contra os cipriotas do Omonia Nicosia, num jogo a contar para a terceira jornada da Liga Europa. Pelos encarnados marcaram Vangelis Pavlidis, Prestianni e Fredrik Aursnes, que chegou aos 50 gols pelo Benfica, ou ultrapassou os 50 gols pelo Benfica. Houve também um autogolo da parte da equipe do Chipre. Já do Omonia, Caucolis marcou o único gol da equipe da casa. Na flash interview, o treinador das Águias, Marco Silva, destaca, apesar da vitória, que ainda há coisas a melhorar.
Quem entra assim no jogo, depois não pode deixar o jogo andar da forma como nós deixámos o jogo andar, independentemente de não termos situações de ataque e de grandes oportunidades, temos que ter o controle do jogo com bola e depois criar. Tentámos muito forçar, chegou a bola ao corredor esquerdo e não fomos muito objetivos. Mantivemos a posse, mas não fomos muito objetivos. Faltou-nos rodar rapidamente o centro do jogo de um lado e ao outro. E nós sabíamos que quando o fizéssemos, íamos criar. A segunda parte de entrada foi forte. Marcámos novamente cedo na segunda parte e depois controlámos o jogo, estivemos bem.
As declarações de Marco Silva aos microfones da Sport TV.
Notícia de fecho desta edição da meia-noite, edição do Martim Madeira, a quem desejo neste momento um bom descanso. Não sei se estás de regresso amanhã pra edição da noite. Então, até amanhã, Martim. Novo encontro marcado a partir das 20h com edições do Martim Madeira, noite de sexta-feira por aqui. Um grande abraço.
Adeus