O Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, vai abrir a Temporada 2026/2027 com “três dias de festa”, de 11 a 13 de setembro, reunindo nove espetáculos de teatro, dança, música, instalação e performance, em vários espaços.
A programação de abertura inclui espetáculos pagos nos auditórios e propostas de entrada livre, mediante levantamento prévio de bilhete, além de momentos de reflexão, experiências participativas e iniciativas ao ar livre, indica o CCB, em comunicado.
A iniciativa de abertura da temporada começa com “The Disappearing Act”, criação a solo de Yinka Esi Graves que cruza dança, música ao vivo, texto e vídeo para explorar questões de invisibilidade, ausência e representação.
No Grande Auditório, Victor Hugo Pontes apresentará “Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem”, criada a partir da obra o escritor Manuel António Pina, com música de A Garota Não.
O espetáculo reúne teatro, poesia e crónicas num universo acrobático onde verdadeiro e falso se confundem no espaço da imaginação, assinala o comunicado.
A sexta-feira termina na Praça CCB com “C’est Pas Là, C’est Par Là”, da companhia Galmae e de Juhyung Lee, uma instalação interativa em que o público é convidado a desembaraçar coletivamente uma corda enrolada em torno de uma pedra, tornando-se parte da obra.
No Museu de Arte Contemporânea (MAC) do CCB, “Please Do Not Touch”, de Nuna, irá propor um monólogo afrofuturista sobre o papel dos museus no colonialismo, as consequências das pilhagens culturais e a representatividade nas instituições artísticas.
Esta criação terá sessões nos dois dias do fim de semana e entrada livre, mediante levantamento de bilhete, com lotação limitada, indica a organização.
A música estará presente no Jardim das Oliveiras com “Cantar Juntos pelo Mundo”, proposta da Associação A PAR dirigida a famílias, que reúne oito músicos, artistas convidados de diferentes origens, e o Coro Preparatório do Coro Infantil da Universidade de Lisboa, juntando culturas, histórias e identidades.
Também no sábado, a curadora Cindy Sissokho conduz uma ‘visita-conversa’ às exposições “Olhos Múltiplos”, de Patricia Domínguez, Ines Doujak e Lubaina Himid, e “Cloud of Confusion”, de Frida Orupabo, numa proposta que tem como objetivo colocar em diálogo trabalhos que abordam questões de raça, género, memória, representação e resistência.
A dança urbana estará representada pela “Krump Session”, com direção artística de Dougie Knight e produção da Associação Cultural e Artística Via Urbana, que apresenta o ‘krump’ como “prática de libertação, resistência e transformação coletiva”.
O ‘krump’ é um estilo de dança urbana enérgico, expressivo e intenso que surgiu no início dos anos 2000 nos bairros periféricos de Los Angeles, nos Estados Unidos.
Entre as iniciativas do sábado está ainda “Juntos, a Temporada começa aqui”, conversa com os programadores da nova temporada, enquanto Cinderella’s Big Score assegura a componente musical com DJ sets no Caminho José Saramago.
A programação de sábado termina na Praça CCB com “Di/Strauss Technique”, de Ivo Dimchev, performance participativa inspirada na música de Johann Strauss II que combina música, dança e interação com o público.
Temas como autonomia sexual, resiliência emocional, ansiedade financeira, amor-próprio e absurdo divino são abordados nesta proposta, destinada a maiores de 18 anos, com entrada livre, também mediante levantamento de bilhete e lotação limitada.
No domingo, além do regresso de “Please Do Not Touch”, “Cantar Juntos pelo Mundo” e da “Krump Session”, o Pequeno Auditório recebe o Noa Noa Ensemble com “Amor Sin Pena: Língua e Memória na Música Ibérica do Século XVI”.
Terceiro volume do projeto “Língua”, o concerto inaugura uma nova série de diálogos entre línguas ibéricas, partindo de repertórios dos séculos XVI e XVII para colocar em relação o português e o castelhano e explorar as ressonâncias, tensões e cumplicidades presentes na música da Península Ibérica.
A programação de abertura integra ainda os DJ sets de Cinderella’s Big Score, que acompanham os três dias de festa, e outras propostas destinadas a diferentes públicos, ocupando espaços interiores e exteriores do CCB e do MAC/CCB.
A nova temporada das artes performativas do CCB foi apresentada em junho e prolonga-se até 2027, com programação nas áreas da música, teatro, dança, criação artística e propostas para diferentes públicos.