A Comunidade Vida e Paz defende mais investimento no apoio aos toxicodependentes, mas considera necessário recuperar “o que foi feito nos anos 90”, nomeadamente na prevenção nas escolas, no combate ao consumo e no aumento das camas para tratamento.

Em resposta escrita à agência Lusa, o presidente da Comunidade Vida e Paz (CVP) concorda que “mais investimento é sempre necessário” no apoio às pessoas toxicodependentes, mas defende que a solução deve ser mais abrangente.

“Naturalmente mais investimento é sempre necessário, mas no caso da toxicodependência devemos recuperar o que foi feito nos anos 90, prevenção nas escolas, combate à comercialização dessas substâncias e aumento de camas para tratamento às adições e programas de empregabilidade direcionados”, escreve Horácio Félix.

Na semana passada, em entrevista à agência Lusa, o comandante do comando metropolitano de Lisboa da PSP pediu mais investimento no apoio aos toxicodependentes, sustentando que o combate ao tráfico e consumo de droga “não é só da polícia”, mas também da saúde e segurança social, e frisando que há centenas de toxicodependentes em Lisboa que são sem-abrigo.

De acordo com o presidente da CVP, “as pessoas em situação de sem-abrigo com adições, nomeadamente de substâncias psicoativas e álcool, constituem uma parte considerável das cerca de 450 pessoas que são acompanhadas pela Comunidade Vida e Paz nas ruas de Lisboa“.

Explicou que a CVP trabalha com estas pessoas no âmbito do programa “Ir ao Encontro”, através do qual distribui “cerca de 190 mil ceias” e prestam serviços técnicos, nas áreas social, saúde, empregabilidade, apoio documental, e acesso a tratamento às adições, através das suas Comunidades terapêuticas, “propondo uma mudança da situação de vida”.

Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a CVP tem uma Unidade Integrativa, com capacidade para 40 pessoas, onde fornece alimentação, alojamento e higiene de roupa, o Espaço Aberto ao Diálogo, onde é dada alimentação e cuidados de higiene, além de uma Equipa Técnica de Intervenção que “abrange algumas das freguesias mais problemáticas de Lisboa”.