O festival Lux Interior, agendado para Coimbra em três datas de outubro e novembro, e este ano na sétima edição, comemorativo de três décadas da editora Lux Records, propõe seis grandes concertos, garantia dada pelo promotor do evento.
O alinhamento do festival, divulgado esta segunda-feira, “cruza projetos com percursos já consolidados com bandas mais recentes, numa programação que acompanha também o trabalho de descoberta e edição da própria Lux Records“, assinalou.
Propõe, na primeira noite, em 29 de outubro, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), os Duques do Precariado e Gata Surda. No dia seguinte, 30 de outubro, sobem ao mesmo palco Expresso Transatlântico e Voronet Blue.
A programação termina em 5 de novembro, no Salão Brazil, com Birds Are Indie e Gulag Motel.
Desafiado pela agência Lusa a revelar o que diria a quem ainda não conhece o Lux Interior, Rui Ferreira explicou: “Garanto a essas pessoas que vão ter seis grandes espetáculos. Ao longo dos anos do festival da Lux, com menos ou mais pessoas, tivemos sempre grandes concertos”.
O antigo enfermeiro dos Hospitais da Universidade de Coimbra — profissão que deixou, há 10 anos, para se dedicar a tempo inteiro à Lux Records e também à Lucky Lux, loja de discos novos e usados que mantém, desde 2017, na baixa de Coimbra — sustentou-se na sua experiência no mundo da música, acumulada nos últimos 30 anos, para justificar a garantia dada.
“Tenho sempre a preocupação, não só quando é para editar, mas também na programação do festival, de escolher bons projetos, músicos e bandas que eu sei que são mesmo bons”, observou Rui Ferreira.
“A garantia que eu posso deixar é que vão ser seis grandes concertos, acho que não há melhor maneira de convencer as pessoas a ir, do que estar plenamente convicto de que são seis grandes concertos que vão acontecer neste festival”, reafirmou.
Rui Ferreira frisou existirem várias razões para a programação desta edição comemorativa dos 30 anos da Lux Records, desde logo a presença inédita no Lux Interior dos Birds Are Indie, banda formada em 2010 em Coimbra por Ricardo Jerónimo e Joana Corker, a que se juntou, depois, Henrique Toscano.
“Nunca tinham tocado no festival, tocaram num aquecimento de uma das edições, em que trouxemos uma banda americana, os Luna (…). Estava na hora de integrarem o cartaz do festival, até porque estão a promover um disco novo [The Stone of Madness], que saiu este ano, e por isso esta escolha era mais ou menos óbvia”, declarou.
Ao invés, com os Duques do Precariado, é a primeira vez que Rui Ferreira repete uma banda num cartaz do Lux Interior, embora a banda tenha tocado, em 2023, no café-concerto do Convento São Francisco, e não num palco de maiores dimensões como é o do TAGV.
“Foi mesmo no início. Na altura, quando tocaram, ainda nem o primeiro disco tinha sido editado. Agora justificava-se, até porque as críticas ao segundo disco [Encarnação] têm sido tão boas, e o resultado, em termos de concertos, tão inesperado, que fazia sentido”, argumentou.
O festival, que foi buscar o seu nome em assumida homenagem ao falecido vocalista dos Cramps, Lux Interior, existe “também para mostrar o interior da Lux” Records, embora não em exclusivo.
“Fiz sempre questão que o festival tivesse muitas bandas da Lux, mas nunca o fechámos a bandas de fora, como os Clã ou o Samuel Úria. O ano passado tivemos os Três Tristes Tigres, que não são do catálogo da Lux. Este ano convidei os Expresso Transatlântico, porque os vi ao vivo e é uma banda incrível, tem por base a guitarra portuguesa e utilizam-na para fazer música pop”, notou Rui Ferreira.
Por outro lado, o último disco da banda foi produzido por Paulo Furtado (The Legendary Tiger Man, Wraygunn, Tédio Boys), “que começou todo o seu trajeto na Lux”, e os Expresso Transatlântico ainda não tinham apresentado o seu novo trabalho em Coimbra, o que sucederá agora, em 30 de outubro, no TAGV.
O Lux Interior volta a lançar bandas novas de Coimbra na primeira parte das três noites do festival, com os Gata Surda, na primeira noite, em estreia absoluta em palcos, naquele que será o primeiro concerto da banda que tem raízes no rock psicadélico e nos blues.
Já os Voronet Blue terão o seu primeiro curta-duração (EP), com cinco temas, em versão digital e CD, editado pela Lux Records na sexta-feira, enquanto os Gulag Motel “é o novo projeto do Pedro Renato [Belle Chase Hotel], que quis voltar a fazer um disco de rock”.
JLS // SSS
Lusa/Fim