O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband, defendeu esta segunda-feira que a crise climática mundial é uma questão de segurança, que deve ser abordada pelos generais e primeiros-ministros, e não apenas pelos ativistas ambientais.

Na abertura formal da Semana do Clima em Nova Iorque, que decorre ao mesmo tempo que a Assembleia Geral da ONU, o ministro afirmou ainda que a crise dos combustíveis fósseis, após a invasão da Ucrânia pela Rússia e a guerra liderada pelos EUA no Irão, demonstra “o imperativo da independência energética através da energia limpa”.

“A crise climática deve, na minha opinião, ser uma questão para os ministros dos Negócios Estrangeiros e para os primeiros-ministros, bem como para os ministros da Energia e do Clima, para a comunidade da segurança e não apenas para os ativistas, para os generais e não apenas para os ecologistas”, disse.

O responsável considerou também a situação atual inaceitável, referindo um verão marcado por um calor recorde e incêndios florestais no hemisfério norte, as inundações mortais no Nepal causadas pelo degelo de um glaciar e o fenómeno climático “El Niño” de magnitude recorde.

O clima e a natureza devem ser integrados nos sistemas de segurança nacional e nas avaliações de ameaças de um país, afirmou, acrescentando que “os países devem partilhar informação, porque uma crise que começa num país pode espalhar-se rapidamente pelas cadeias de abastecimento, mercados financeiros e fluxos migratórios”.

Ed Miliband falou depois de o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, ter aberto as discussões, apelando à ação e citando a própria economia do seu país, fortemente dependente dos combustíveis fósseis, mas que está agora a passar por uma rápida transição para as energias renováveis.

“Não podemos fugir à magnitude da nossa responsabilidade nem ao custo da inação”, disse.

As alterações climáticas têm sido uma questão fundamental para o secretário-geral da ONU, António Guterres, cujo mandato termina no final do ano e que convocou uma cimeira de líderes mundiais antes da COP31, a conferência sobre o clima que se realizará na Turquia em novembro.

A Semana do Clima de Nova Iorque, que acontece todos os anos por altura da Assembleia Geral da ONU, tem como objetivo acelerar a ação climática e descarbonizar o planeta e é organizada pela organização não governamental “Climate Group”.

Termina no dia 27 e tem como tema central o aumento da eletrificação e o abandono dos combustíveis fósseis, sob o lema “Energia. Impacto. Ação”.

A “Climate Group” diz que a semana é o maior evento climático do mundo e que reúne a cada ano mais de 100.000 pessoas em mais de 1.000 eventos em Nova Iorque.