Uma exposição de cartas de amor e de resistência de opositores à ditadura de Salazar está patente desde quinta-feira e até ao dia 25 de abril de 2027 no Museu de Almada, no distrito de Setúbal.

Inaugurada na quinta-feira, a mostra Enquanto eu não sair em liberdade. Cartas de amor e resistência tem como ponto de partida uma lista minuciosa de 494 nomes de mulheres e de homens, nascidos ou residentes no concelho de Almada, que foram detidos entre 1926 e o histórico 25 de Abril de 1974.

Segundo a autarquia de Almada, a iniciativa homenageia a ação destes cidadãos contra aquela que foi a ditadura mais longa da Europa Ocidental, sublinhando o pluralismo ideológico da resistência local.

Entre os presos políticos figuravam anarquistas, sindicalistas revolucionários, republicanos, democratas, comunistas, católicos progressistas, socialistas, maoistas e trotskistas.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Almada explica que a exposição foi construída a partir de arquivos privados e sensíveis, hoje na posse de antigos resistentes ou dos seus descendentes, e conta a história da resistência à ditadura através de documentos e objetos que nasceram da experiência da prisão e do exílio.

“As cartas trocadas entre a prisão e o exterior ocupam um lugar central. Num regime em que a vigilância e o silenciamento eram instrumentos de poder, serviam de refúgio a quem estava preso e a quem esperava cá fora, e revelam agora quem as escreveu”, adianta a autarquia.

Nestas cartas, os carimbos da censura continuam visíveis, mas não apagam o essencial: a garantia e o conforto, para quem estava preso, de que não estava sozinho e que tinha familiares e amigos à espera no exterior.

Nesta exposição há também fotografias e molduras, um vestido de noiva, desenhos para os filhos e livros requisitados na Cooperativa Piedense.

“Do exílio vêm um cartão de refugiado concedido em Bruxelas, uma carta enviada de Paris e um passaporte com o carimbo de repatriado, que mostram a violência de perder o país e o que se tinha”, frisa a Câmara Municipal de Almada na nota explicativa da mostra.

Esta mostra estará patente no Museu de Almada – Casa da Cidade e tem ainda um programa paralelo com visitas orientadas a 31 de outubro e a 28 de novembro, sempre às 15h00.

A 12 de dezembro, também às 15h00, há a oficina para famílias Vozes embrulhadas, dirigida a famílias com crianças com mais de 5 anos.

A pergunta de partida desta iniciativa com família é: “Como se escreve uma carta sem palavras?” e o resultado será um mural de mensagens.

[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]