O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) já ultrapassou as 4.200 mortes e está prestes a ultrapassar os nove mil casos, de acordo com o mais recente boletim das autoridades sanitárias congolesas.
O surto, declarado oficialmente na região leste da RDCongo a 15 de maio, acumula 8.787 casos confirmados, incluindo 4.242 mortos, informou o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), utilizando dados até 7 de outubro.
O vírus apresenta atualmente uma taxa de letalidade de 48,3%, precisou o INSP, apontando que um total de 2.292 doentes conseguiu recuperar da doença, enquanto 980 doentes se encontram em isolamento e hospitalizados.
A taxa de rastreio de contactos situa-se nos 80% e merece “uma atenção especial, para evitar cadeias de transmissão descontroladas”, acrescentaram as autoridades sanitárias.
A epidemia afeta 64 zonas de saúde em sete das 26 províncias da RDCongo: Ituri (no leste), Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte), Haut-Uélé (nordeste), Kivu do Norte (leste), Kivu do Sul (leste) e Ubangi do Sul (noroeste).
Este surto é o segundo mais mortífero da história a nível global, embora ainda esteja longe do mais grave registado até à data, que causou 28 mil casos e cerca de 11 mil mortes na África Ocidental entre 2014 e 2016.
A atual epidemia também se propagou ao Uganda, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, a 26 de agosto, o fim do surto, após registar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, que resultaram em duas mortes.
A estirpe de Bundibugyo, responsável pelo surto em curso, não dispõe de tratamentos médicos específicos, embora a OMS esteja a trabalhar em duas vacinas que já iniciaram ensaios em seres humanos e que, até ao momento, se revelaram seguras. No entanto, o seu desenvolvimento poderá demorar meses.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.