A associação ambientalista Quercus pediu esta quarta-feira o fim dos subsídios à queima industrial de biomassa florestal, que considera “uma falsa energia verde” e defendeu que fundos públicos devem ir para a conservação das florestas e restauro ecológico.
No Dia Internacional de Ação sobre a Biomassa em Grande Escala, que esta quarta-feira se assinala, a associação pede, em comunicado, mais transparência sobre a origem da biomassa florestal e apela ao Governo para que divulgue as contrapartidas ambientais dos apoios à queima industrial de biomassa lenhosa, incluindo as emissões de dióxido de carbono.
Pede também que o Governo reforce a rastreabilidade e a fiscalização das cadeias de abastecimento de biomassa lenhosa, que garanta que a designação de “biomassa residual” seja acompanhada de informação sobre os materiais utilizados, origem e condições de extração, e se comprometa, a nível europeu, com a eliminação progressiva dos incentivos à queima de madeira.
O executivo deve ainda, acrescenta a Quercus, dar prioridade ao investimento na eficiência energética, em fontes de energia sem combustão e na conservação e recuperação dos ecossistemas florestais.
A efeméride foi criada em 2021 por uma coligação global de organizações não governamentais e associações ambientalistas e é promovida pela “Biomass Action Network”, da organização “Environmental Paper Network”.
Além da Quercus, outras organizações juntam-se ao apelo para que a biomassa lenhosa deixe de receber subsídios destinados a energias renováveis.
A associação salienta que a queima de madeira liberta imediatamente para a atmosfera o carbono acumulado na vegetação, e que o sequestro do mesmo pelo crescimento florestal não é imediato.
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“A origem renovável de um recurso natural não garante a neutralidade carbónica da sua utilização. Além deste impacte climático, a extração intensiva de biomassa compromete a biodiversidade, os solos e a capacidade das florestas para armazenar carbono e regular o ciclo da água”, afirma.
A Quercus destaca ainda que a transição energética e o abandono dos combustíveis fósseis pressupõem a redução das emissões de gases com efeito de estufa e da pressão sobre os recursos naturais, e que “subsidiar a queima de biomassa é resolver um problema com uma falsa solução, que acaba por torná-lo ainda maior”.
O que deve ser feito, diz, é incentivar alternativas para valorizar os sobrantes florestais, nomeadamente através da compostagem.
Dados de 2021 divulgados pela associação indicam que nesse ano as fábricas de celulose queimaram quase três milhões de toneladas de biomassa lenhosa.