No mesmo dia em que foi publicada uma grande entrevista ao príncipe Harry, em que este volta a reforçar o desejo de reconciliação com o pai e o irmão, a família real britânica vivia um dia de compromissos oficiais com a visita de Estado do sultão do Omã. Uma ocasião para Carlos III destacar a união familiar, num discurso sobre a relação próxima com a família real do país visitante, mas que deixa margem para mais interpretações.
Durante o banquete de Estado oferecido em Windsor na noite da passada terça-feira, o monarca falou diretamente a Haitham bin Tariq Al Said, com partes do discurso sendo proferidas em árabe. Destacou o facto de William e Theyazin bin Haitham Al-Saïd, o príncipe herdeiro de Omã, se terem sentado juntos no jantar e fez referência ao trabalho conjunto numa missão em 2024 para revelar a biodiversidade do país. “As nossas conexões significam muito, e neste sentido, fiquei especialmente feliz de ver os nossos filhos tornarem-se patronos conjuntos no Jewel of Arabia Expedition”, disse Carlos III, que a seguir afirmou: “Há poucos símbolos felizes do sucesso que se comparam a uma relação viva ser passada de uma geração para a outra”.
▲ Carlos III fez um discurso com partes em árabe, valorizando os laços das famílias reais britânica e de Omã
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Uma frase que eleva o atual papel ativo de William na realeza britânica, como sucessor ao trono, em oposição ao momento de afastamento do filho mais novo, que regressou ao Reino Unido em agosto e tem tentado aproximar-se de forma não oficial do núcleo duro da realeza.
“Nenhum de nós pode precisar os desafios que os nossos sucessores vão enfrentar”, garante o monarca britânico, que cita questões ambientais ou a inteligência artificial como potenciais problemas para um futuro próximo. “Mas isso sabemos: os nossos sucessores podem confiar em amigos fiéis. Vão precisar de aliados preparados para trabalhar juntos e enfrentar a diferença; defender a paz e a lei internacional; unir inovação com gestão responsável; e para pensar não só no ano seguinte, mas nas gerações que vêm a seguir”.
Cores da bandeira e joias da coroa
A prova de amizade entre as duas famílias ficou marcada por um dia inteiro de receções reais. Os trabalhos começaram pela manhã, quando William foi até à porta da casa privada do sultão em Londres, para depois seguirem para Windsor, onde esperavam Carlos III, Camila e Kate. Haitham bin Tariq Al Said foi convidado para um passeio de carruagem por Windsor, seguido de uma visita ao castelo, onde a Rainha mostrou peças da Royal Collection relacionadas com o país, como um livro histórico oferecido à rainha Victoria em 1875 e duas aguarelas pintadas por Carlos III durante a viagem a Omã, em 1995.
Como é tradição, a Rainha e a princesa de Gales usaram looks alusivos às cores da bandeira de Omã. Camila num coordenado vermelho sob medida Fiona Clare e chapéu Philip Treacy; Kate com um vestido-casaco verde escuro Alexander McQueen, já usado previamente, no dia de St. Patrick no ano passado, e um toucado Juliette Botterill. Ambas optaram por usar alfinetes presos aos casacos, peças de joalharia pertencentes à coleção real: a mulher de William escolheu um que pertenceu a Diana, o Prince of Wales Feathers Brooch; a Rainha uma peça com rubis encomendada pela rainha-mãe em 1943.
Mas a verdade é que o desfile de joias especiais viria mais tarde, no banquete de Estado oferecido no Castelo de Windsor. Foram 160 convidados, incluindo outros membros seniores da família real britânica, como a princesa Ana e a duquesa de Gloucester. Camila escolheu mais uma vez Fiona Clare, um vestido azul a combinar com a tiara Girls of Great Britain and Ireland, uma das favoritas da rainha Isabel II, e um colar de ametistas e diamantes. Já Kate apostou no amarelo, num design Elie Saab com mangas em estilo capa e um detalhe trançado no decote que conversa com a tiara Lover’s Knot, que pertenceu à rainha Mary e foi emprestada a Diana na altura do casamento. A peça foi criada em 1913 e leva 19 diamantes numa estrutura em formato de nós, de onde pendem 19 pérolas.