Nove pontos, 10 golos marcados, dois sofridos. Ao fim de três jornadas da Liga Europa, o Benfica não só tem o pleno de vitórias como está mesmo no primeiro lugar da fase de liga, superando Bayer Leverkusen, Bournemouth, Ferencváros e Olympiacos, as outras equipas só com triunfos, graças à matemática entre golos marcados e sofridos.

Aquele despertador que tocou ao intervalo acabou mesmo por salvar a noite (a crónica do Omonia-Benfica)

Depois das vitórias frente a AC Milan em Itália e Celtic na Luz, o Benfica foi ao Chipre golear o Omonia num jogo que chegou a estar difícil, principalmente na primeira parte, mas que se tornou fácil com um regresso eficaz depois do intervalo. Marco Silva, que não contou com Jhon Durán e Leandro Barreiro para além dos lesionados do costume, lançou Manu Silva e Fredrik Aursnes no meio-campo e apostou em Claudio Echeverri nas costas de Pavlidis, sendo que o jovem argentino, que se estreou a titular, até ficou ligado ao lance do primeiro golo.

Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, Marco Silva fez uma breve análise ao jogo. “Os últimos 25 minutos da primeira parte não foram ao nosso nível. Tivemos uma entrada boa no jogo, a comandar, há uma jogada muito boa da nossa equipa no primeiro golo, com o apoio do Manu. E o jogo estava controlado. Tivemos mais cuidado com bola e o jogo estava minimamente controlado. Depois começámos a perder bolas sem o adversário forçar e foi isso que dissemos ao intervalo. Que quem entra daquela maneira não pode deixar depois o jogo andar, independentemente de não termos grandes oportunidades. Temos de ter o controlo. Não fomos muito objetivos, faltou rodar rapidamente o centro do jogo e, sabíamos que quando o fizéssemos, iríamos criar. Marcámos na segunda parte e depois controlámos. Uma vitória claramente justa porque somos a melhor equipa”, começou por dizer.

Mais à frente, o treinador encarnado comentou o facto de o Benfica já levar 53 golos nos 17 jogos disputados na atual temporada — um registo que não era atingido tão cedo há mais de 15 anos, desde 2009/10 e com Jorge Jesus, sendo que esta época do clube também tem a particularidade de ter começado em julho e com as pré-eliminatórias europeias. “Acima de tudo procuramos isso mesmo. Temos uma identidade clara. É óbvio que não vamos ganhar sempre desta forma. A nossa superioridade hoje foi clara e temos de tentar materializar isso dentro de campo. É bom para os jogadores sentirem isso. Mas o nosso golo sofrido hoje não foi ao nível que deveria ter sido da nossa parte. É isto que temos de corrigir. Mas marcar quatro golos fora de casa é muito importante”, acrescentou.

Marco Silva abordou ainda a conversa que, a dada altura da primeira parte, teve com Manu Silva. “Disse antes do jogo que ele tem um conhecimento muito bom. Gosta de analisar, de perceber o que é pedido e dentro de campo percebe isso. Ele percebeu que o adversário estava a chegar de maneiras diferentes do que tínhamos planeado e estava a dar esse ‘feedback’. Ainda para mais em jogadores que jogam numa posição específica, é importante terem essa capacidade”, vincou.

“O top 8 é o nosso objetivo. Temos uma densidade de jogos muito grande e queremos evitar algo que não faz parte do calendário. E só o fazemos ao garantir os oito primeiros. Para a semana haverá mais e esperamos conseguir recuperar bem os jogadores para o jogo de segunda-feira, que também vai ser importante”, terminou, antecipando desde já a visita ao Santa Clara e explicando que o objetivo é mesmo garantir o apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa, evitando o playoff.

Já Claudio Echeverri, uma das novidades no onze que Marco Silva confirmou logo na conferência de imprensa de antevisão, mostrou-se satisfeito. “Continuar no Benfica? Sim, mas passo a passo. Mais à frente se vê, mas seria algo lindo. O Benfica adapta muito bem os jogadores argentinos, chegaram aqui grandes jogadores. Eu e o Prestianni queremos triunfar tal como os outros argentinos. Estou muito contente por estar aqui”, disse, contando ainda que só no fim do jogo é que percebeu que o lance do primeiro golo foi considerado um autogolo, logo, que acabou por não se estrear a marcar pelos encarnados.