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Borja voltou à lição mais básica: é a partir de trás que se ganha a frente (a crónica do Gil Vicente-FC Porto)

Uma oportunidade clara, um lance anulado, um golo e pouco mais: FC Porto voltou a ter uma exibição sofrível no plano ofensivo mas soube fechar a baliza sete jogos depois para passar em Barcelos (0-1).

Borja Sainz, que não ia ser titular mas entrou na equipa após lesão de Pietuszewski no aquecimento, marcou o golo a vitória do FC Porto em Barcelos
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▲Borja Sainz, que não ia ser titular mas entrou na equipa após lesão de Pietuszewski no aquecimento, marcou o golo a vitória do FC Porto em Barcelos

▲Borja Sainz, que não ia ser titular mas entrou na equipa após lesão de Pietuszewski no aquecimento, marcou o golo a vitória do FC Porto em Barcelos

A derrota frente ao Betis, não tanto pelo resultado em si mas pelo contexto de como a formação de Sevilha fez a reviravolta depois dos dois golos quase de rajada, não foi normal. O desaire diante do PSV no Dragão, não tanto pelo resultado em si mas pela forma como a equipa não conseguiu sair de um autêntico colete de forças montado pelos neerlandeses quando era “obrigatório” pontuar, também não foi normal. Na verdade, nada foi normal – e pela primeira vez na era Francesco Farioli, o FC Porto sofreu duas derrotas seguidas, com parte dos adeptos a manifestar a sua insatisfação no final da partida com a equipa de Eindhoven pela incapacidade demonstrada para dar outro tipo de resposta quando mais era necessário. Agora, no regresso à Liga, havia uma posição por marcar. E, em paralelo, a tentativa de demonstrar que os dragões “são” de Champions.

Gil Vicente-FC Porto. Santi García perde oportunidade na área (0-0, 3′)

Uma das ilações, quiçá a maior, que se retirou dessa partida com o PSV em comparação com o que se passa no Campeonato é que um dos problemas do FC Porto passa por ter um rendimento que chega para consumo interno mas que fica curto na Europa. Outro dos pontos importantes que saiu da derrota foram as palavras de Diogo Costa no final do encontro, assumindo que as equipas começam a ter uma maior noção da forma de jogar dos azuis e brancos e, com isso, ganham outra capacidade de bloquear os pontos fortes dos dragões (ou potenciar eventuais fraquezas que sintam). Perante tudo isso, Farioli olhava para um copo “meio cheio”. “Já revi o jogo com o PSV cinco vezes e também com o Betis. Infelizmente, não nos dá pontos. Podíamos ter três a quatro pontos na Champions. É importante saber gerir o momento e a emoção do jogo”, frisou.

“O que o Diogo quer dizer é que os adversários nos estudam e copiam, porque somos uma boa referência. Tem de ser um momento para acelerar o nosso processo, claro que há coisas para melhorar. Contra o PSV, acho que teve momentos diferentes. Falta de coragem? O Bednarek pressionou do outro lado do campo… Não há nada para nos queixarmos sobre a atitude. Há outras coisas que podíamos ter feito melhor mas merecíamos um resultado positivo”, referiu ainda, no meio de um discurso com vários focos de crítica para fora que quase restituiu o mote que deu alguns momentos da última época dos “inimigos externos”.

“Há duas coisas distintas. Há o sentimento dos nossos adeptos de querer ganhar e nisso estamos com eles. Depois, há o mundo exterior que tem o desejo de meter uma bomba, de matar pessoas ou de pelo menos ver algum sangue. Por muito que tentem dividir, a força deste grupo foi sempre o conceito de família. Este grupo é uma família. É um momento de união. Nada nos deve tirar este sentimento. Desculpas? Não, são factos. O FC Porto não esteve na Liga dos Campeões nos últimos dois anos e o presidente explicou-me há 16 meses que o clube não estava numa situação financeira atrativa. Queremos ganhar a liga e enfrentamos uma competição mais exigente na Liga dos Campeões. Os comentários sobre uma eventual crise têm uma dupla intenção. O desejo de fazer barulho tem de estar longe, sabemos o que querem”, apontou Francesco Farioli.

A fronteira para que essa resposta fosse dada chamava-se Gil Vicente, equipa agora orientada por Luís Pinto que vinha de um triunfo em Braga e que iria tentar prolongar a série de jogos consecutivos a sofrer do FC Porto (sete). “Precisamos de ter a capacidade de reagir a cada sistema do adversário. A minha maneira de pensar é bastante clara. Cada vez que mudamos uma peça, temos outros 18 ou 19 passos que têm de ser bem coordenados. Estamos no caminho certo e devemos continuar assim, sendo mais eficientes e recuperando a atenção nos detalhes para não conceder golos. É isto que tem faltado um pouco nos últimos jogos. Devemos dar mérito ao adversário que consegue encontrar soluções para marcar. Tudo tem de ser analisado mas não é preciso pensar em demasia. Não devia acontecer, por vezes acontece”, sentenciou.

Ao contrário do que aconteceu nas últimas partidas, foi a partir de trás que o FC Porto reforçou ainda mais a liderança na frente. Quebrando a série de sete encontros consecutivos sempre a sofrer pelo menos um golo, os dragões passaram com serviços mínimos em Barcelos aproveitando um golo de Borja Sainz quase a meio da segunda parte tendo mais uma exibição forte em termos coletivos mas sofrível no plano ofensivo – tanto que, à exceção de uma oportunidade do espanhol logo a abrir a partida e de um golo bem anulado a André Silva por fora de jogo no início da jogada, jogou quase sem baliza. Esse continua a ser um problema por resolver: o encaixe que os adversários fazem sem bola continua a deixar os dragões reduzidos a lances individuais ou eficácia nas poucas chances para resolver os jogos. Por cá, chega; na Europa, nem por isso…

Ficha de jogo

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Gil Vicente-FC Porto, 0-1

9.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Cidade de Barcelos

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Gil Vicente: Lucão; Ricardo Esgaio, Elimbi, Buatu, David Moreira; Andreas Lausen (Zé Carlos, 60′), Diogo Prioste (Guilherme Gomes, 75′); Murilo, Santi García (Tidjany Touré, 75′), Joelson Fernandes (Gil Martins, 60′) e Walace França (Mohamed Kaba, 60′)

Suplentes não utilizados: André Picornell, Samuel Portugal, José Silva, Antonio Espigares, Agustín Morales, Martin Benitez e Gonçalo Maia

Treinador: Luís Pinto

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Zaidu; Pablo Rosario (Alan Varela, 72′), Froholdt, Gabri Veiga (Hwang Inbeom, 46′); Pepê, Borja Sainz (Santi Giménez, 72′) e André Silva (Samu, 59′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa, Chris Smalling, Gabriel Carvalho, Nehuén Pérez, Gabriel Mec, Séko Fofana, Martim Fernandes e Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Golo: Borja Sainz (63′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Pablo Rosario (55′); cartão vermelho direto a Elimbi (81′)

Como um mal nunca vem só, o FC Porto estava ainda no habitual período de aquecimento quando chegou mais uma dor de cabeça para Francesco Farioli: Pietuszewski sentiu um problema na perna esquerda, foi logo assistido e rapidamente Borja Sainz se juntou aos titulares nesse momento de exercícios. Já estava mesmo confirmado: o jovem ala polaco, que falhou vários encontros por uma lesão muscular no início da temporada, voltava a ficar de fora numa das deslocações mais complicadas dos dragões na primeira volta. E se dúvidas ainda existissem, o arranque da partida mostrou bem aquilo que os azuis e brancos teriam de enfrentar, com o Gil Vicente muito bem organizado sem bola e capaz de meter transições rápidas a explorar apoios frontais de Wesley França ou a velocidade dos alas Murilo e Joelson Fernandes. Ainda assim, era no meio-campo que estavam as unidades nucleares, com Santi García a ter duas boas oportunidades para visar a baliza de Diogo Costa (3′ e 15′) e a dupla Lausen-Diogo Prioste a forçar vários erros na construção de Pablo Rosario.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Gil Vicente-FC Porto]

A melhor oportunidade nesse arranque até pertenceu ao FC Porto, com Pepê a ser lançado pela direita numa das raras vezes em que o Gil Vicente foi apanhado em falso na transição defensiva, a fazer o cruzamento largo da direita e a entrar Borja Sainz para o remate defendido por Lucão para canto (6′), mas estava tudo menos um encontro fácil para os dragões: muitos erros na primeira fase de construção, falta de velocidade na altura de circular no meio-campo, poucas unidades em zonas de finalização. Os minutos iam passando sem que existissem sequer mais ameaças à baliza dos minhotos, com a exceção a surgir de um grande passe de Kiwior para as costas da defesa contrária que encontrou a desmarcação de André Silva mas o avançado não conseguiu desviar a bola perante a chegada rápida de Lucão. Com meia hora, tudo na mesma.

Havia algumas diferenças quando se olhava para o comportamento do FC Porto sem bola, da posição mais subida de Pablo Rosario às zonas de pressão colocadas logo à saída da área dos minhotos. Contudo, olhando para a parte ofensiva, sobrava previsibilidade. Tanta previsibilidade que, recuando um pouco mais o bloco para tirar espaço aos movimentos de Froholdt e Gabri Veiga, os dragões apenas criavam possíveis lances de finalização na sequência de bolas paradas, nomeadamente cantos. Tudo o que saía da matriz habitual era algo que trazia outros problemas aos minhotos, de uma subida com bola de Jakub Kiwior que conseguiu criar a superioridade numérica “chamando” um adversário a si a uma saída a partir de trás que colocou os dois médios interiores a darem a largura puxando os adversários diretos a outras zonas do terreno para Zaidu e Pepê entrarem mais por dentro. Bednarek ainda teve um cabeceamento enquadrado depois de um canto na direita do ataque mas o desvio acabou por sair fácil para Lucão não desfazendo o nulo (45′).

Devido a aparentes dificuldades físicas, Farioli mexeu logo ao intervalo com a entrada de Hwang Inbeom para o lugar de Gabri Veiga. A própria equipa técnica do Gil Vicente acabou por ser surpreendida pela mexida a ponto de ter feito um compasso de espera para orientar as unidades de meio-campo para essa nuance nova na partida e seria na sequência de uma recuperação de bola do internacional sul-coreano que nasceria o primeiro lance de perigo do segundo tempo, com Pepê a abrir pelo meio para a desmarcação de Borja Sainz, André Silva a marcar na recarga mas o lance a ser invalidado por fora de jogo no início da jogada do espanhol (47′). O FC Porto estava mais dominante, nem por isso essa tendência se traduziu em oportunidades e foi o Gil Vicente que deixou uma ameaça na baliza contrária com Murilo a atirar em jeito para defesa de Diogo Costa (58′). Estava na hora de voltar a mexer, com Luís Pinto a trocar um médio, um ala e o avançado para apostar em Zé Carlos, Gil Martins e Kaba e Farioli a abdicar de André Silva na frente por Samu.

Mais uma vez, o FC Porto recusava entrar em caminhos mais estreitos e mantinha as trocas diretas na altura de procurar algo novo, numa discussão que voltou à baila após o encontro com o PSV pela falta de um plano B em caso de necessidade. No entanto, poucos minutos depois, o tempo acabou por dar razão a Farioli – pelo menos em Barcelos. Froholdt voltou a dar largura pela direita conseguindo receber com espaço para cruzar, Buatu e Samu não chegaram à bola mas Borja Sainz, na zona do segundo poste, dominou e rematou rasteiro para o 1-0 sem hipóteses para Lucão (63′). O encontro estava “desbloqueado”, entre os protestos da equipa da casa por uma falta que não teria sido assinalada, as características também tenderiam a mudar.

Murilo, o mais inconformado no ataque dos minhotos, ainda teve um remate de meia distância para defesa de Diogo Costa para canto (80′) mas o FC Porto conseguia controlar o jogo com mais posse ainda no seu meio-campo quase que a chamar o Gil Vicente e linhas mais recuadas quando o adversário tentava atacar de forma organizada. Foi num desses momentos que acabou por surgir o momento que acabou de vez com a partida: Pepê saiu rápido em transição, Elimbi atingiu o brasileiro sem a mínima intenção de acertar na bola e acabou por ser expulso com vermelho direto numa fase em que Luís Pinto já não tinha substituições para fazer (81′). Daí até ao final, foi um jogo praticamente sem balizas e que confirmou mais um triunfo pela margem mínima do FC Porto para a nona vitória noutros tantos encontros na Primeira Liga.

[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

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