O livro-CD “Modernismo e Folclore no Piano de Fernando Lopes-Graça”, de Miguel Borges Coelho e Daniel Moreira, é apresentado este sábado na Casa Verdades Faria-Museu da Música Portuguesa, no Monte Estoril, Cascais, na abertura do ciclo dedicado ao compositor.
A obra, publicada quando passam 120 anos sobre o nascimento de Fernando Lopes-Graça (1906-1994), “permite perceber o modo como o compositor se debruçou sobre as fontes de música tradicional, a partir das recolhas etnográficas que o próprio realizou, e as transformou em música original de grande valor artístico; foca também o seu papel enquanto farol de várias gerações de músicos em busca de um lugar para a música erudita portuguesa num contexto de modernidade”, afirma, em comunicado, a Artway, que chancela esta edição.
O CD regista a interpretação do pianista Miguel Borges Coelho, a solo, de um conjunto de obras de Lopes-Graça, designadamente as 11 Glosas e as Oito Bagatelas, e ainda a Sonata n.º 2 para piano, três Embalos sobre melodias tradicionais portuguesas e uma peça que Lopes-Graça dedicou a Miguel Borges Coelho quando o pianista completou 18 anos, em 1989.
O livro-CD é apresentado às 17:00, pelos autores, seguindo-se um recital pelo pianista Miguel Borges Coelho.
Esta apresentação marca o início do Ciclo Lopes-Graça, por ocasião dos 120 anos do seu nascimento, que “levará a música do compositor a diferentes locais do país, através de concertos, recitais e conferências-concerto, complementados pela disponibilização da gravação em plataformas digitais”.
A Casa Verdades Faria-Museu da Música Portuguesa (CVFMMP) possui o espólio de Lopes-Graça ao qual se junta o do etnomusicólogo Michel Giacometti (1929-1990), como foi solicitado pelo próprio compositor que manteve com Giacometti uma relação de amizade e profissional, que passou pela imensa recolha do património musical português, de raiz tradicional, em todo o território, traduzida na publicação do “Cancioneiro Popular Português” e que ganhou visibilidade na série documental “O Povo que Canta”, transmitida pela RTP (1971-1974), do etnomusicólogo com o realizador Alfredo Tropa.
Conceição Correia, da CVFMMP, disse à agência Lusa que o museu é o centro de documentação sobre Lopes-Graça, compositor natural de Tomar, tendo à sua guarda toda a documentação, formada pelos originais das suas obras, fotografias, discos e recortes de imprensa.
Lopes-Graça foi maestro, compositor e pedagogo, e militante do PCP, desde 1944, opositor à ditadura salazarista, que durante muitos anos o impediu de lecionar e proibiu que as suas obras fossem tocadas em público.
A obra de Lopes-Graça caracteriza-se pela influência das correntes modernistas, que conciliou com a recuperação da tradição musical portuguesa.