O realizador Miguel Gomes está a preparar um novo filme chamado Cantiga e alguns dos documentos relativos à nova criação fazem parte da exposição que é inaugurada esta sexta-feira em Serralves, no Porto.

Em declarações aos jornalistas esta sexta-feira, o curador da exposição e diretor da Casa do Cinema Manoel de Oliveira, António Preto, assinalou que se trata de um “momento particularmente significativo, em que o cinema do Miguel Gomes tem vindo a ser crescentemente objeto de um reconhecimento internacional merecidíssimo”.

Miguel Gomes, para além do filme Selvajaria, a partir de Os Sertões, de Euclides da Cunha, cujas filmagens terminaram recentemente, tem ainda em preparação um novo filme chamado Cantiga que vai ter documentação exposta no Porto.

Cantiga baseia-se numa novela gráfica do ilustrador francês Blexbolex.

A exposição que é inaugurada esta sexta-feira na Casa do Cinema Manoel Oliveira é uma retrospetiva integral do percurso do realizador português, reunindo argumentos, fotografias de rodagem, cadernos, desenhos, notas, sequências inéditas e uma grande diversidade de documentos de trabalho, “proporcionando uma oportunidade rara para explorar a amplitude da prática artística do realizador e o universo imaginativo que fazem dele uma das vozes mais singulares do cinema contemporâneo”, lê-se no dossiê de imprensa.

Para António Preto, trata-se de um “momento de balanço” para a obra de Miguel Gomes, apresentando toda a produção fílmica e incidindo sobre os métodos de trabalho do cineasta, “que são muito diferenciados e que foram variando muitíssimo ao longo do tempo”.

A exposição é acompanhada por uma “carta-branca” a Miguel Gomes, o que significa que a retrospetiva do cinema do realizador de Tabu vai ser cruzada com filmes selecionados pelo cineasta.

“É verdadeiramente uma retrospetiva integral e carta-branca com um formato de constelação e depois poderemos ver um quadro onde o Miguel Gomes esboçou precisamente aquilo que é essa programação de cinema”, acrescentou António Preto.

Na exposição, o visitante pode observar excertos de todos os filmes de Gomes, incluindo curtas-metragens como Entretanto (1999), Inventário de Natal (2000) e 31 (2001), apresentadas na íntegra, bem como excertos de longas-metragens como A Cara que Mereces (2004), Aquele Querido Mês de Agosto (2008) e Grand Tour (2024), o filme que valeu ao realizador o prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes.

A exposição, organizada pela Fundação de Serralves – Casa do Cinema Manoel de Oliveira, com curadoria de António Preto e coordenação de Carla Almeida, fica patente ao público até 30 de maio de 2027.