“Heroas do Mar”, de As Docinhas
Espaço do Tempo, Montemor-o-Novo (2 a 14 de novembro)
Formado em Viana do Castelo em 2016, o coletivo As Docinhas apresenta Heroas do Mar, um trabalho híbrido entre música, artes visuais e performance. A criação liga o passado do punk português no pós-25 de Abril à era digital e às tradições do Minho. A partir de uma perspetiva queer e não binária, a obra questiona a identidade e a memória, afirmando o punk como um lugar de reinvenção e resistência.
▲ "Heroas do Mar" é um projeto d’As Docinhas que cruza música, performance e artes visuais
A estreia acontece em Montemor-o-Novo, com uma performance itinerante (“semelhante a uma festa VIP num iate”, anunciam) pelas ruas da cidade, entre as 14h e as 16h, que termina na XL Box, onde o projeto ganha continuidade num momento de música e performance. É apenas um dos projetos que se estreia no #ETFEST, festival que apresenta os projetos selecionados das Bolsas de Criação 2025/2026 do Espaço do Tempo, e que decorre até 28 de novembro, em Montemor-o-Novo.
“Haribo Kimchi”, de Jaha Koo
TBA — Teatro do Bairro Alto, Lisboa (13 a 15 de novembro)
Jaha Koo regressa a Portugal depois do sucesso de Cuckoo, um comovente espetáculo centrado em máquinas de cozer arroz. Desta vez, em Haribo Kimchi, o criador sul-coreano transfere a cena para um pojangmacha, um dos típicos bares de comida de rua noturnos da Coreia do Sul. Ali, um caracol, um ursinho de goma e uma enguia conduzem o público por uma viagem gastronómica e, tal como em Cuckoo, a comida surge como espaço de refúgio para quem vive deslocado da sua cultura.
▲ O sul-coreano Jaha Koo regressa a Portugal para mostrar "Haribo Kimchi", uma peça que acontece num pojangmacha, um dos típicos carrinhos de venda de comida de rua que se encontram na Coreia do Sul
Neste trabalho que cruza música, vídeo e robótica, as memórias e a cultura do kimchi servem de base para uma reflexão sobre assimilação cultural, pertença e identidade. As três apresentações agendadas estão já esgotadas.
“Uma Mosca no Nosso Chá”, Formiga Atómica
Casa da Cultura de Ílhavo (21 de novembro)
Depois de passar por Lisboa com várias datas lotadas, a nova criação da companhia de teatro Formiga Atómica apresenta-se em Ílhavo. A peça, escrita por Inês Barahona e encenada por Miguel Fragata, é, no seu âmago, um espetáculo sobre humor.
▲ A nova criação da companhia de teatro Formiga Atómica, escrita por Inês Barahona e encenada por Miguel Fragata, mostra-se este mês em Ílhavo e, em dezembro, segue viagem para Leiria
Bernardo Aguiar, Carla Galvão, Madalena Almeida, Mar Bandeira, Marco Aleixo, Marco Mendonça, Sílvia Filipe e Vasco Barroso compõem o elenco em que cada personagem discorre sobre a sua relação com a comédia, entre momentos que piscam o olho ao stand-up e memórias mais ou menos dramáticas. Tudo isto à boleia de uma viagem pela história do humor (ou aquela que os registos nos permitem conhecer). A música, original, é da autoria de Hélder Gonçalves, dos Clã.
“Please, Love Me!”, de Cleo Diára
Teatro Municipal Matosinhos Constantino Nery, Matosinhos (21 de novembro), TBA — Teatro do Bairro Alto, Lisboa (27 a 29 de novembro)
Uma cantora pop aclamada pelo público, mas ignorada pela crítica, decide documentar a sua própria história quando se prepara para celebrar dez anos de carreira.
▲ "Please, Love Me!", espetáculo de Cleo Diára, conta a história de Klió, uma cantora pop aclamada pelo público
É este o ponto de partida para Please, Love Me!, espetáculo de Cleo Diára que se mostra primeiro em Matosinhos antes de seguir para Lisboa, onde integra a programação do festival Alkantara. A partir das mitologias yorubá e europeias, a experiência da mulher negra e cabo-verdiana serve de lente crítica para desmontar as estruturas de género, poder e identidade.
“TRILOGIA CADELA FORÇA – Capítulo II: The Brotherhood”, de Carolina Bianchi e Cara de Cavalo
Culturgest (Auditório Rui Vilar), Lisboa (26 a 28 de novembro)
A encenadora e performer brasileira Carolina Bianchi regressa a Portugal com o coletivo Cara de Cavalo, para mostrar o segundo capítulo da TRILOGIA CADELA FORÇA, um tríptico sobre violência de género, memória e trauma. Depois do violento e poderoso A Noiva e o Boa Noite Cinderela, que por cá passou em 2024, eis The Brotherhood (“A Irmandade”, em tradução literal).
▲ O segundo capítulo da trilogia "Cadela Força", da brasileira Carolina Bianchi com o coletivo Cara de Cavalo é um dos destaques desta edição do festival Alkantara
Mayra Azzi
Nesta peça, a criadora (Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza em 2025), questiona a complexidade dos pactos masculinos, as possíveis origens da irmandade e seus códigos, muitos dos quais inscritos na violência. Sem simplificação, Bianchi confronta a confusão entre a aversão e o fascínio pelas dinâmicas de poder masculinas, criando conexões entre representação e realidade, estruturas de poder na arte, as origens da misoginia e a crise da sexualidade. Um espetáculo em que tudo é confrontado, até quem confronta.
“Para Uma Breve História da Água”, de Teatro Praga
CCB — Centro Cultural de Belém (Pequeno Auditório), Lisboa (28 de novembro a 4 de dezembro)
É o primeiro espetáculo da companhia Teatro Praga dedicado à história dos elementos. Em Para Uma Breve História da Água, a água é a narradora e protagonista e, como desvenda a sinopse, “os seres humanos surgem apenas como convidados”.
▲ "Para Uma Breve História da Água" é o primeiro espetáculo do Teatro Praga dedicado aos cinco elementos. Depois seguir-se-á "Para Uma Breve História da Água"
Em vez de responder às questões ambientais com discursos pedagógicos ou soluções diretas, esta criação de André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes deverá propor uma aproximação ficcional e aberta, mais disponível para escutar os impulsos do planeta do que para os tentar definir. O elenco é composto por Ângelo Castro, Joana Barrios, Miguel Guilherme, Patrícia Bruheim e Tomás Garcez. A música original é de Alex D’Alva Teixeira.