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Um inverno mais quente, com mais chuva, sobretudo em dezembro e janeiro, mas completamente imprevisível sobre as depressões e a intensidade das tempestades que podem atingir Portugal. Publicadas as previsões alargadas para dezembro, janeiro e fevereiro dos três principais modelos que abrangem o nosso país — IPMA, Copernicus e ECMWF —, há convergências sobre as temperaturas acima da média e pequenas divergências sobre os níveis de precipitação, ainda que também surjam maioritariamente com sinal acima do que é habitual. Já sobre tempestades, vento extremo, neve e agitação marítima não há previsão de todo. Mas porque isso é de todo impossível de antecipar.

O que é que já se pode dizer, então, do inverno que se aproxima? Que não vai ser gelado, mas sim mais quente do que o normal (como já foi o de 2005/2026). Isto não quer dizer que não haja dias muito frios ou grandes nevões. Mas, sim, que a média das temperaturas será superior à dos últimos anos. Para o IPMA, que acaba de publicar o boletim mais recente esta quarta-feira, 21 de outubro, novembro, dezembro e janeiro serão mais quentes entre 0,5 e 1,5°C do que o normal. Ainda não há dados efetivos para dizer se a tendência se prolonga para fevereiro. O Copernicus também prevê, não especificamente para o nosso país, mas para grande parte da Europa ocidental, onde estamos, calor acima da média.

Quanto à chuva, a tendência geral dos modelos também aponta para um inverno chuvoso. No início, em parte do país. Depois, de norte a sul. O sinal do IPMA também ainda é válido só até janeiro, não está alargado a toda a estação, mas mostra um sinal de anomalia positiva. Traduzindo: vai chover acima do habitual nesses meses. O Copernicus apresenta, igualmente, um sinal positivo, de mais chuva, para grande parte da Europa, mas de nível mais fraco nas regiões meridionais (a nossa). Por isso, não há unanimidade de que o inverno completo seja mais chuvoso: há pequenas divergências nos modelos.

Quanto à maior dúvida, não há forma de a prever. Depois do ‘comboio de tempestades’ do inverno passado (que já tinha começado por esta altura do outono, a primeira foi no início de outubro) e da destruição provocada sobretudo pela Kristin, há uma enorme curiosidade em saber se este ano será igual. Mas as tempestades são impossíveis de antecipar. O mais longe que os modelos sazonais conseguem chegar é apontar possíveis padrões de circulação atmosférica, que podem ser mais ou menos favoráveis à passagem de depressões. Mas não se consegue prever quantas tempestades vão atingir Portugal ou com que intensidade. E só sabendo as trajetórias das depressões se pode ter uma real dimensão da chuva, do vento e da agitação marítima.

Pormenor importante: falamos em previsões a longo prazo, mas na verdade são probabilidades. Uma coisa é a tendência para a estação, outra é a previsão para dias concretos, que só se pode fazer com verdadeira fiabilidade a três/cinco dias. Conseguem antecipar-se as condições atmosféricas que favorecem esses fenómenos, mas nunca o número de tempestades, as datas dos nevões ou as alturas máximas das ondas com vários meses de antecedência. O Copernicus, por exemplo, antevê que a circulação atmosférica mude ao longo do inverno. Que se passe de um padrão com pressões próximas ou inferiores à média em grande parte da Europa, no início do inverno, para um com pressões mais elevadas nas regiões polares à medida que a estação avança. Mas, mesmo assim, é preciso depois saber a localização das depressões atlânticas para perceber que consequências terão para Portugal.

Mais até 20 mm de chuva que a média

É sobre os níveis de precipitação deste inverno que os modelos mais divergem. Mas também é normal que isso aconteça. É muito mais difícil fazer previsões sobre a chuva do que sobre a temperatura. Uma temperatura média mensal depende de uma variável fácil de medir: o resultado final depende da divisão da soma das temperaturas de muitos dias. Já a chuva é muito mais irregular, o total mensal pode depender apenas de alguns episódios concentrados em meia dúzia de dias. E basta um mês com três semanas sem chuva e dois episódios em que o céu parece desabar sobre as nossas cabeças para, no final, a média ser superior à normal.

Nas previsões sazonais, tenta-se fazer uma distribuição estatística de resultados. São estimativas. Não é possível antecipar nem quantas frentes haverá, nem que acumulados de chuva produzirão. Os modelos têm por base a previsão da circulação atmosférica, a temperatura do oceano, os ventos e vários pequenos outros fatores. No boletim de 21 de outubro do IPMA, está identificada uma anomalia de mais 5 a 20 mm acima da média mensal a norte de Montejunto-Estrela em novembro. E de mais 5 a 15 mm em todo o país em dezembro e janeiro (ainda não há dados para fevereiro). Para os Açores, a previsão é de precipitação acima da média no grupo ocidental em novembro (+5 a 10 mm), estendendo-se aos restantes grupos em dezembro, e nos grupos Ocidental e Central, de mais 10 a 15 mm. Já na Madeira, não há sinal significativo de mudanças na média de chuva em novembro e dezembro, mas janeiro tem uma probabilidade de aumento de precipitação de mais 5 a 10 mm em relação à média.

Uma previsão de mais 5 a 20 mm de chuva é muito ou pouco? Depende. Tendo em conta que um milímetro de precipitação corresponde a um litro de água por metro quadrado, estamos a falar de até mais 20 litros por metro quadrado do que o valor médio de referência para este período nas zonas referidas. Só que o valor não só é apenas uma estimativa, é também uma média. Não vai cair aquela quantidade de chuva certinha ao longo do mês, devidamente espalhada por toda a zona. Pode cair muito mais em determinado local e em poucas horas. Se o normal for 150 mm em Braga, por exemplo, mais 20 mm correspondem a um total de 170 mm por mês. 20 mm podem não ter quase significado onde é habitual chover muito e podem ser um grande aumento onde pouco chove.

Já o porquê de ser provável chover mais a norte e no centro, não surpreende. Na verdade, já não estranhamos. É uma realidade anual. E tem uma explicação relativamente fácil: no inverno, grande parte da precipitação resulta da passagem de frentes e depressões que trazem ar húmido do Atlântico Norte. Portugal está na margem oriental do Atlântico Norte. Por isso, quando os ventos de oeste ou sudoeste dominam, essas massas de ar marítimo atingem primeiro o litoral ocidental. O norte e o centro do nosso país. Que, ainda por cima, contam com a ‘desajuda’ do relevo, das suas cadeias montanhosas, que, em regra geral, intensificam a precipitação: ao ter de subir uma encosta, o ar arrefece e força a condensação do vapor de água, o que leva à formação de mais chuva. O fator decisivo, contudo, é sempre o rumo das depressões e das frentes. Se a circulação atmosférica e o jet stream vierem para latitudes mais baixas, abrem caminho para que o Alentejo e o Algarve também tenham precipitação significativa.

Outra dificuldade para a previsão da chuva: exatamente a localização geográfica do nosso país. Nas previsões de outubro, o Copernicus apontava para precipitação acima da média em muitas regiões europeias, mas com menos intensidade nas regiões meridionais. Portugal está exatamente, em termos meteorológicos, numa zona de transição entre a influência das depressões atlânticas e a dos sistemas subtropicais. Qualquer pequena mudança na trajetória das depressões muda a quantidade de chuva anual no nosso país. Basta que essa ‘autoestrada das tempestades’ desça umas centenas de quilómetros, ou suba, para termos um inverno seco ou um inverno extremamente chuvoso, como o último.

E isso não há modelo que preveja.

Um inverno mais ameno, mas não com todos os dias 1,5ºC mais quentes

“As previsões favorecem temperaturas médias sazonais e precipitação acima do normal na maior parte das regiões [da Europa]”. Esta era a indicação do sistema europeu Copernicus na atualização de 10 de outubro. Temperaturas superiores à média em grande parte da Europa este inverno (menos na Escandinávia — para quem tenha interesse). Um sinal que está completamente de acordo com o que também prevê o IPMA. Ou melhor, a previsão do IPMA até janeiro não está isolada, enquadra-se na tendência europeia de temperaturas superiores à média. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera antevê para novembro, dezembro e janeiro os tais mais 0,5 a 1,5°C no continente, com as maiores anomalias a terem lugar no interior do país. A subida da média é válida também para os Açores (+0,25 a +0,1°C) e para a Madeira (+0,5 a +1°C).

Claro que uma anomalia de até mais 1,5°C não quer dizer que a temperatura máxima vai aumentar 1,5°C todos os dias. Nem que deixem de existir noites frias. É apenas uma estimativa da média da subida das temperaturas em relação à referência climatológica deste período. O Copernicus produz previsões mensais, trimestrais e sazonais (até fevereiro), analisando vários sistemas meteorológicos. Apresenta os cálculos em anomalias médias e em probabilidades de categorias de temperatura. O IPMA usa também vários modelos, essencialmente o europeu, ECMWF, mas só ainda tem previsões até janeiro.

O interior ser mais quente que o litoral, como indicam as anomalias superiores do IPMA, também não é surpreendente. A proximidade do oceano produz uma moderação térmica junto à costa. Onde já não existe essa influência direta da temperatura da água do mar, há uma maior resposta aos padrões da circulação atmosférica. Mas muitos outros fatores podem alterar as temperaturas nas diferentes regiões: desde o relevo, às inversões térmicas entre vales e montanhas, à persistência de massas de ar quentes ou frias ou mesmo à neblina ou nevoeiro.

E, como é lógico, uma previsão de temperatura média superior ao normal não quer dizer que não tenhamos episódios de frio intenso, geada ou neve. Estamos apenas a falar das probabilidades previstas para a média dos meses que aí vêm. Além disso, faltam as previsões do IPMA para fevereiro e perceber se há coincidência total. E ainda entender se, indiretamente, se vão notar influências do potente El Niño.

Onde divergem as previsões, e porquê?

Por que podem os modelos apresentar resultados diferentes? Esta é a pergunta que mais vezes se coloca. A resposta mais direta é que bastam pequenas diferenças para que haja resultados muito divergentes ao longo de semanas e meses. Para fazer as suas previsões a mais longo prazo, os sistemas não olham apenas para os mapas dos satélites onde se identificam ventos, correntes e pressões atmosféricas. Isso é feito nas previsões diárias ou a cinco dias — que são o retrato realístico do que se passa. Nas previsões sazonais, cada sistema faz comparações com simulações históricas. O Copernicus, por exemplo, constrói uma previsão multimodelo. Junta vários modelos, faz os respetivos ajustes e consegue uma visão mais global dos cenários possíveis.

Cada centro meteorológico tem o seu próprio sistema matemático onde tem representados a atmosfera, os oceanos e as suas interações. E tem diferentes métodos de cálculo para essas interações. Nenhum deles é perfeito. Nenhum deles acerta em pleno. Apenas calcula probabilidades. O sistema europeu, o ECMWF, para as suas previsões sazonais, faz 51 simulações, consegue projetar tendências até sete meses (embora só use as feitas a três meses) e utiliza uma escala de 36 quilómetros para representar a superfície terrestre.

O Copernicus recebe previsões sazonais de nove centros meteorológicos. Os cinco europeus (ECMWF – Europa, Met Office – Reino Unido, Météo-France – França, DWD – Alemanha e CMCC – Itália) e contribuições dos Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália. A combinação desses resultados origina a sua previsão multimodelo. Em Portugal, o IPMA usa os modelos do Copernicus, extrai os dados relativos a Portugal e produz as suas próprias previsões adaptadas às várias regiões do país — continente e ilhas.

O que causa as maiores divergências é a forma como os modelos representam a atmosfera: equações matemáticas diferentes dão resultados distintos. Depois surgem a temperatura e as correntes oceânicas: há fenómenos que alteram de forma imprevisível o mar, como está a acontecer com o El Niño, e que mudam qualquer previsão. E, por fim, a própria circulação atmosférica, que muitas vezes baralha por completo qualquer previsibilidade: a posição das depressões, dos anticiclones e da corrente de jato pode mudar de repente sem que nenhum algoritmo o previsse.

Este ano, o que mais fez divergir as previsões mundiais foi o El Niño. O Copernicus escreveu nas previsões: “Os diferentes componentes do sistema multimodelo do C3S não concordam quanto à intensidade máxima esperada”. Todos concordam que vai ter uma grande intensidade e que vai diminuir no início do ano, mas não quanto ao seu máximo de intensidade. O fenómeno modifica a circulação atmosférica no Pacífico tropical, e pode causar alterações meteorológicas de larga escala, mas sem efeitos diretos no inverno português.

O grau de concordância dos modelos é fácil de medir. Quando vários sistemas apontam na mesma direção, há maior grau de certeza: é o que acontece com as temperaturas mais altas neste inverno. Quando há maiores divergências, revelam-se mais incertezas, como acontece em relação à precipitação.

Tempestades, vento, neve e ondas: o que pode realmente antecipar-se?

As depressões no Atlântico Norte dependem da circulação atmosférica. E da pressão atmosférica. Porque uma depressão nasce numa região depressionária ligada depois à circulação do ar e aos sistemas frontais. E a sua trajetória é condicionada pelos ventos em altitude, incluindo a corrente de jato. Para uma previsão sazonal é preciso perceber quer se a pressão está acima ou abaixo da média, quer, sobretudo, onde estão localizadas as anomalias em relação à Península Ibérica.

Há ainda que ter em conta a Oscilação do Atlântico Norte — NAO. Que pode ser positiva ou negativa, conforme as alterações na diferença de pressão entre o Atlântico subtropical e o Atlântico Norte. Uma NAO positiva (maior diferença de pressão e circulação de oeste, mais intensa e em latitudes mais a norte) encaminha as depressões para norte, trazendo menos chuva para Portugal. Já uma NAO negativa (menor diferença de pressão e possibilidade de circulação ondulada) muda a ‘autoestrada das depressões’ para sul, rumo à Península Ibérica. Só que é possível haver precipitação intensa em Portugal em períodos em que a NAO não é fortemente negativa.

Ou seja, prever a chegada de tempestades é praticamente impossível a longa distância. E a sua intensidade, essa, então, é completamente imprevisível. O Copernicus fala de uma possível transição entre padrões de circulação ao longo do inverno. Mas isso não implica diretamente mais depressões sobre Portugal. Se existir uma circulação atlântica favorável à passagem de depressões na nossa direção, obviamente que teremos mais chuva e mais vento. O que nem sempre vem em conjunto: uma depressão atlântica pode não trazer uma tempestade, mas só frentes e precipitação; uma tempestade pode ser de chuva e de vento, em que a intensidade do vento pode causar grandes danos; e nem todas as tempestades são de grande impacto, por isso nem todas têm nomes.

Quanto às ondas, a agitação marítima depende sobretudo da intensidade do vento. Numa depressão intensa, o vento à superfície do oceano pode causar ondulação que percorre centenas ou milhares de quilómetros e atinge a costa portuguesa mesmo quando o centro da tempestade passa ao longe. É possível analisar os padrões atmosféricos que favorecem episódios intensos de vento e agitação marítima, mas nunca saber antecipadamente quais as rajadas máximas ou a altura das ondas com meses de antecedência.

Já a neve pode cair num inverno com temperaturas médias acima do normal. Há um exemplo recente: dezembro do ano passado teve uma anomalia média de +0,19°C, mas entre os dias 21 e 24 nevou em várias regiões do norte e do centro, e em cotas muito baixas, na ordem dos 400 metros. Uma média mensal positiva nas temperaturas não impede que, durante alguns dias, uma massa de ar frio alcance Portugal e produza neve nas regiões montanhosas. A queda de neve depende da temperatura, sim, mas essencialmente da humidade e da chuva.

O teste do inverno passado: os modelos acertaram?

E chegamos ao inverno passado. Os modelos acertaram? Resposta linear: não. Nem de longe nos extremos da chuva a que se chegou. Mas, rachando os erros a meio, acertaram nas temperaturas, que também foram mais quentes que a média, apesar da alta precipitação.

Em setembro de 2025, a previsão sazonal do IPMA apontava que até janeiro teríamos temperaturas um pouco superiores à média (0,5 a 1,0ºC). E a temperatura média acabou efetivamente acima do normal (+ 0,15 a + 0,19°C). Mas também falava em precipitação sem diferença significativa à média do inverno. E dados recolhidos mais tarde acabariam por confirmar que novembro e dezembro de 2025 estiveram entre os meses mais chuvosos desde 2000. Em dezembro, várias localidades do centro e sul registaram entre 1,5 e 2,5 vezes a precipitação normal para a época: até ao final do ano Portugal já tinha enfrentado a passagem de cinco tempestades, a Alice (uma DANA, logo a 7 de outubro), o Benjamim (22 de outubro), a Claudia (10 de novembro), o Davide (5 de dezembro) e a Emilia (11 de dezembro).

A previsão europeia divergia do IPMA na precipitação. No boletim sazonal do Copernicus para dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, as temperaturas previstas para a Europa iam ficar acima da média na Europa, com anomalias de mais 0,5°C na Europa ocidental e mais 2°C na oriental. E a chuva também seria superior à normal, ainda que as diferenças fossem fracas no conjunto europeu, mas pudessem chegar até cerca de 10%, com “elevada incerteza”. No boletim de setembro, o sistema europeu falava mesmo em “precipitação abaixo da média no sudoeste da Europa” e acrescentava que o sinal seco poderia persistir na Península Ibérica até dezembro, embora salientasse a tal elevada incerteza da previsão, o que não veio de todo a confirmar-se: a chuva atingiu 137% da média para dezembro, 222% em janeiro e 329% em fevereiro no nosso país.

Portugal acabou por não ter, ainda assim, o inverno mais chuvoso de sempre. Foi o oitavo com mais chuva desde 1931. O segundo desde 2000. Destacou-se o mês de fevereiro, o quinto mais chuvoso desde 1931 e o mais chuvoso dos últimos 47 anos. O período de novembro de 2025 a fevereiro de 2026, esse sim, foi o mais chuvoso dos últimos 30 anos e o sexto mais chuvoso desde 1931.

A intensidade da anomalia aumentou muito de dezembro para fevereiro. Em dezembro, a precipitação ultrapassou a média em 37%. Em janeiro, foi mais do dobro do normal. Em fevereiro, ultrapassou o triplo. Em janeiro, o IPMA identificou cinco depressões com nome: Francis, Goretti, Ingrid, Joseph e Kristin. E em fevereiro, seguiram-se o Leonardo e a Marta, com transporte de grandes quantidades de vapor de água concentrado em rios atmosféricos.

O inverno passado demonstra ainda que temperaturas médias acima do normal podem coexistir com tempestades, vento destrutivo, neve e precipitação extrema. Mas também as previsões a longo prazo são apenas probabilidades.

[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]