Os anos podiam passar, Pinto da Costa nunca perdia uma ligação que começou cedo e acabou por defini-lo como pessoa: a relação com as palavras. Durante a pandemia, quando aumentou a cadência do número de jogos de damas contra o computador, foi ocupando o tempo a decorar poesia, uma das grandes paixões. Ao mesmo tempo, fez questão de escrever, à mão, uma mensagem a todos os portistas que enfrentavam esses duros tempos da Covid-19. Era assim que se gostava de expressar na escrita, foi assim que se expressou na fala em centenas e centenas de declarações públicas ao longo de mais de quatro décadas na presidência.
Sedutor em tudo o que fazia e apaixonado pelos mais próximos, pelo Porto e sobretudo pelo FC Porto, Pinto da Costa foi sempre um lutador que não poupou nada nem ninguém (incluindo o próprio) enquanto definia o ADN do clube dos dragões, a figura que fez questão de reintroduzir no idioma dos azuis e brancos no início da sua presidência. Esteve envolvido em várias polémicas, elogiou mas foi sempre muito mais elogiado, mostrou uma gratidão eterna a quem lhe fez bem, não poupou quem o atacou. Em 87 frases, assim foi Pinto da Costa, o “Presidente dos Presidentes”, sócio número 808 e líder mais titulado de sempre a nível mundial.