Momentos-chave
- Ceuta à noite: migrantes acendem fogueiras, jogam à bola e esperam respostas
- Marrocos reconhece que 40 mil pessoas entraram em Ceuta e 11 mortos. Atribui crise às redes sociais e redes de tráfico
- Exército espanhol distribui água a migrantes
- Morgue de Ceuta tem 88 corpos, relata autarca da cidade
- Líderes do Vox e PP em Ceuta
- Papa Leão XIV pede "paz, estabilidade e justiça" para Ceuta
- Governo espanhol eleva para 72 o número de mortes em Ceuta
- Pelo menos 71 migrantes morreram em Ceuta
- Mais de mil pessoas precisaram de assistência médica em Ceuta
- Alemanha diz que crise de Ceuta foi um teste de stress que foi superado
- Forças de segurança realizam controlos na cidade
Histórico de atualizações
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Bom dia,
Abrimos um novo artigo em direto para acompanhar a crise migratória em Ceuta, ao longo desta segunda-feira.
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Ceuta. Migrantes acendem fogueiras, jogam à bola e esperam respostas
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Ceuta à noite: migrantes acendem fogueiras, jogam à bola e esperam respostas
Quando a noite cai na cidade de Ceuta, começa uma vida diferente para os milhares de migrantes que estão a dormir nas ruas da cidade.
Na Playa del Trampolín, onde estão centenas de homens sem rumo, acendem-se fogueiras, conversa-se e joga-se à bola. Muitos tentam simplesmente dormir — estão exaustos dos últimos dias.
A polícia mantém um forte aparato, através de carrinhas com luzes ligadas e agentes que impedem a passagem dos migrantes para o centro da cidade e para o CETI, o centro de acolhimento temporário que não tem capacidade para mais ninguém.
Sem comida, vão-se fazendo contas ao futuro e há curiosidade sobre as decisões políticas internacionais que podem ajudar a desenrolar o nó que a crise migratória causou. Neste momento, quem ainda está em Ceuta, está para ficar — e não tenciona sair.
Apesar dos muitos milhares de marroquinos que entraram no país (e de uma grande maioria que saiu), atualmente destacam-se centenas de pessoas da África Subsariana no território espanhol. Quase todos homens que fugiram de países como o Sudão, a Nigéria ou a Argélia e que estavam em Marrocos na altura em que circularam mensagens a dizer que as fronteiras estavam abertas. Viram uma oportunidade e não pretendem regressar a um país que nem é o deles.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Marrocos reconhece que 40 mil pessoas entraram em Ceuta e 11 mortos. Atribui crise às redes sociais e redes de tráfico
O Ministério do Interior de Marrocos reconheceu, este domingo, num comunicado, que 40 mil pessoas atravessaram a fronteira em direção a Ceuta. Segundo o jornal El Mundo, o governo marroquino, que ainda não se tinha pronunciado sobre a crise, admitiu ainda que 11 pessoas morreram no seu território, 10 delas afogadas. E que 1.135 pessoas chegaram a Melilla.
O El Mundo, que cita a Reuters, diz ainda que Marrocos atribui a deslocação de migrantes para Ceuta às redes sociais e às “máfias de tráfico de pessoas”.
A nota do governo marroquino também é citada pelo jornal El País, segundo o qual o Ministério do Interior de Marrocos também se refere à decisão do Supremo Tribunal, que determinou no início de julho que não é possível repatriar imediatamente quem entrar a nado em Ceuta e Melilha.
Segundo o governo marroquino, “as interpretações erradas e a divulgação enganosa” da decisão do tribunal fez com que os migrantes pensassem que era possível “evitar o regresso imediato”.
“O que contribuiu para o surgimento de um padrão de tentativas irregulares de migração, que consiste em nadar, como o meio que alguns acreditavam que proporcionava mais oportunidades para escapar ao regresso imediato”, lê-se na nota reproduzida pela imprensa espanhola.
O comunicado refere que Marrocos “continuará a ser um parceiro fiável e responsável, comprometido com o fortalecimento da cooperação e coordenação internacionais no âmbito da luta contra a migração ilegal e o tráfico de pessoas”.
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“A fronteira espanhola está aberta": publicações nas redes sociais impulsionaram ida de milhares de jovens marroquinos para Ceuta
Na última semana, mapas com rotas a nado para Ceuta e anúncios de equipamento de mergulho multiplicaram-se nas redes sociais. Continua por esclarecer quem esteve na origem das contas e grupos online.
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Exército espanhol distribui água a migrantes
O exército espanhol está a distribuir água aos migrantes que continuam em Ceuta, mais especificamente na Playa Del Trampolín.
Há uns minutos, para proteger a cisterna com água, o exército rodeou-a de tanques e carros militares, permitindo que entrem poucos de cada vez, encham as garrafas ou bebam e saiam pelo lado oposto.
Neste momento há dois focos principais com milhares de pessoas: o CETI, a organização de alojamento temporário onde aguardam por uma vaga (e que já estava cheio antes desta crise) e a Playa Del Trampolín, onde a polícia mantém outras centenas de pessoas, impedindo-as de chegar perto do primeiro local.
Alguns dos migrantes estão há cinco dias sem comida e bebida.
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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Morgue de Ceuta tem 88 corpos, relata autarca da cidade
O autarca da cidade de Ceuta revelou ao jornal espanhol El País que a morgue local contém já 88 corpos, sendo que tem capacidade para 200. Contudo, esta manhã, o governo espanhol manteve o número de migrantes mortos em 72.
Ao jornal, o governante lamentou o “drama” das mortes verificadas “de um lado e do outro da fronteira”, porque sabe que Marrocos também está a retirar corpos da água.
Frisa ainda que alguns corpos estão mais deteriorados porque, apesar de grande parte das pessoas ter chegado a partir de 30 de julho, as vindas ocorrem há mais de duas semanas. Entre as pessoas que morreram, há muitos adolescentes, algumas mulheres, marroquinos e pessoas vindas da África subsariana.
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Líderes do Vox e PP em Ceuta
Este domingo, Santiago Abascal, o líder do partido de direita radical Vox, está em Ceuta, onde desde 30 de julho chegaram milhares de migrantes vindos de Marrocos. Cerca de 73.500 migrantes voltaram para território marroquino, de acordo com as forças de segurança citadas pela agência noticiosa Efe.
Contudo, o líder do Vox fez outra leitura da situação. “Não voltaram a Marrocos, em Ceuta permanecem milhares e milhares de invasores enquanto os espanhóis continuam aterrorizados sem poder sair de casa”, escreveu na rede social X.
O secretário-geral do PP, Miguel Tellado, disse também hoje que Ceuta “não regressou à normalidade”. “Há milhares de imigrantes ilegais que ao que tudo parece indicar pretendem ficar e que estão escondidos nas ruas. Há preocupação porque pode vir a ocorrer amanhã”, afirmou, citado pelo jornal espanhol ABC.
Já Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, reuniu-se em Ceuta com representantes das associações profissionais da Guardia Civil e com sindicatos da Polícia Nacional. Foi informado sobre “a pressão suportada pelos efetivos destacados no perímetro fronteiriço e sobre as carências dos meios materiais e humanos”. “Exijo o reforço imediato das equipas em Ceuta, a dotação de material de proteção adequado e uma resposta coordenada e integral”, frisou, citado também pelo ABC.
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Papa Leão XIV pede "paz, estabilidade e justiça" para Ceuta
O Papa Leão XIV pronunciou-se na manhã deste domingo sobre a crise migratória em Ceuta, antes da oração do Angelus. “Acompanho com preocupação a situação alarmante na região autónoma, pedindo a Deus, por meio da intercessão de Nossa Senhora de África, que se possam encontrar soluções de paz, de estabilidade e de justiça”, afirmou.
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Governo espanhol eleva para 72 o número de mortes em Ceuta
Miguel Ángel Pérez Triano, o representante do governo espanhol em Ceuta, afirmou esta manhã que 72 migrantes morreram a tentar chegar à costa espanhola.
Quanto ao número de migrantes que regressaram a Marrocos, o governo espanhol não quis avançar dados exatos. “Vamos dá-los quando os tivermos”, explicou Miguel Triano.
As autoridades vão acelerar os regressos das pessoas que entraram de forma irregular em Ceuta.
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Socialistas e Democratas europeus pedem a Bruxelas para esclarecer normas de Schengen
O Grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) do Parlamento Europeu enviou este sábado uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “na qual a instam a intervir imediatamente para esclarecer as normas que regem a suspensão do espaço Schengen por parte dos Estados membros na decorrência dos acontecimentos ocorridos em Ceuta”, explicaram num comunicado.
A vice-presidente do S&D, Ana Catarina Mendes, questionou na mesma mensagem os “fundamentos objetivos” para justificar a reintrodução de controlos nas fronteiras internas, depois de Von der Leyen confirmar que não houve movimentos de Ceuta para a Espanha continental e a União Europeia (UE).
Por isso, instou a Comissão a “esclarecer se, de fato, foram cumpridas essas condições legais e, caso contrário, a exercer plenamente o seu papel de guardiã dos Tratados”.
O grupo europeu expressou ainda a sua preocupação com “a deturpação deliberada por parte de certos governos (…) ao aproveitar a situação para fins políticos”.
Além disso, acusaram a direita e a extrema-direita de reagir a “pedir o encerramento das fronteiras”, em vez de mostrar “solidariedade e apoio a Espanha”.
“Isso representa um grave precedente, derivado da decisão da Itália, que abre a porta a uma possível manipulação do Direito europeu ao serviço das agendas políticas e dos interesses de governos concretos (…) colocando em questão o próprio princípio de responsabilidade europeia partilhada”, manifestaram os social-democratas.
Por sua vez, o Partido dos Socialistas Europeus (PSE) também se manifestou em defesa do executivo espanhol e apontou “a confusão generalizada, alimentada por afirmações falsas sobre a política migratória de Espanha e as consequências jurídicas de uma sentença recente do Tribunal Supremo espanhol”.
Nesse sentido, condenaram “as campanhas coordenadas de desinformação, amplificadas por atores dos Estados Unidos, Israel e da extrema-direita europeia”.
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Pelo menos 71 migrantes morreram em Ceuta
Pelo menos 71 pessoas morreram em Ceuta desde a entrada massiva de migrantes de 30 de julho. O número é avançado pela agência noticiosa espanhola Efe, que cita as forças de segurança.
Cerca de 73.500 migrantes já saíram de Ceuta para Marrocos. Fontes policiais disseram que este número de saídas poderá incluir pessoas que entraram na avalanche que se precipitou sobre a fronteira com Marrocos do enclave espanhol no norte de África, entre quinta e sexta-feira, e outras que já estavam desde dias anteriores em Ceuta, uma cidade onde vivem pouco mais de 83 mil pessoas.
As mesmas fontes pensam que poderá haver nestes números também pessoas que entraram e saíram diversas vezes no final da semana passada de Ceuta.
Oficialmente, o Governo de Espanha e o executivo da cidade autónoma de Ceuta disseram até agora que as primeiras estimativas eram de que entre 50.000 e 60.000 pessoas alcançaram o enclave de forma ilegal nessa entrada massiva de quinta e sexta-feira.
Segundo o Governo espanhol, mais de 48.000 já tinham regressado a Marrocos na sexta-feira ao final do dia, por sua própria iniciativa.
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Mais de mil pessoas precisaram de assistência médica em Ceuta
Mais de mil pessoas foram assistidas por profissionais de saúde em Ceuta desde 30 de julho. Num comunicado citado pelo jornal El País, o Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) revelou que continua a prestar assistência sanitária “com normalidade” através do dispositivo especial ativado em parceria com o governo espanhol.
Ao todo, 1.149 pessoas precisaram de assistência médica. Uma delas sofreu ferimentos graves e terá que ser levada para um hospital em Espanha peninsular.
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Alemanha diz que crise de Ceuta foi um teste de stress que foi superado
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha considerou que a crise migratória em Ceuta foi “um teste de stress” para a União Europeia que esta superou com êxito. Johann Wadephul falou com o jornal alemão Bild, que adianta ainda que o ministro alemão conversou com o seu homólogo marroquino Naser Burita para o instar a normalizar a situação.
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Forças de segurança realizam controlos na cidade
Esta manhã, as forças de segurança e o exército espanhóis estão a realizar controlos de segurança nas ruas de Ceuta. De acordo com o jornal espanhol El País, querem que os migrantes que chegaram de forma irregular e ainda se mantêm na cidade abandonem a cidade.
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Bom dia.
Neste artigo em direto pode acompanhar as notícias mais recentes sobre a crise migratória em Ceuta.
Pode rever os acontecimentos de sábado nesta ligação.