O ano de 2025 foi o terceiro mais quente desde que há registos. 2024 detém o atual recorde, com 2023 em segundo lugar. Foram três anos seguidos em que superámos o objetivo do Acordo de Paris de não irmos além de 1,5 graus Celsius acima da temperatura média da era pré-industrial. Do ponto de vista científico, sabemos que tal resulta do aquecimento global e consequentes alterações climáticas, onde a queima de combustíveis fósseis assume protagonismo. Na Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) realizada no Dubai em 2023, os países assumiram o objetivo de triplicar o recurso a fontes renováveis e a duplicar a eficiência energética entre 2022 e 2030.
A recente intervenção norte-americana na Venezuela com objetivos assumidos de utilizar as suas reservas é um passo que agravará ainda mais a crise climática. A exploração de recursos naturais considerados estratégicos como o petróleo e determinadas matérias-primas críticas tende a concentrar custos ambientais e sociais nos territórios de extração, enquanto os benefícios económicos e o consumo se distribuem por cadeias globais. Na Venezuela, a abundância de hidrocarbonetos e de alguns minerais convive com problemas persistentes de poluição, degradação de ecossistemas e fragilidades de fiscalização. Um fator decisivo é a natureza de grande parte do crude: em especial na Faixa Petrolífera do Orinoco, predominam petróleos pesados e extra-pesados. Do ponto de vista ambiental, isto é dramático porque a extração, o transporte e o processamento destes petróleos tendem a exigir mais energia e etapas adicionais (incluindo processos de melhoria do crude, muitas vezes chamados “upgrading”), o que pode aumentar a intensidade de emissões por barril quando comparado com petróleos mais leves. A esta dimensão juntam-se preocupações climáticas específicas associadas à indústria petrolífera, nomeadamente emissões de metano e a queima de gás em tocha (o que é frequentemente designado por “flaring”). O metano é um gás com efeito de estufa muito potente e as perdas ao longo da cadeia — por fugas, ventilação direta e queimas incompletas — podem agravar de forma significativa o impacto climático do setor. A Venezuela é precisamente um país com níveis elevados de queima de gás em tocha e com relevância no panorama regional das emissões de metano do setor energético. Para além do clima, a dimensão local e imediata da poluição é frequentemente apontada como um dos aspetos mais graves. Ao longo de anos, registos públicos e reportagens descrevem derrames e fugas ligados a falhas de infraestrutura, manutenção insuficiente e dificuldades de controlo. O Lago de Maracaibo é frequentemente citado como símbolo de contaminação crónica, com impactos em ecossistemas aquáticos, pescas, saúde pública e qualidade de vida. Em zonas sensíveis do Orinoco e áreas húmidas, a expansão petrolífera (poços, estradas, oleodutos e armazenamento) aumenta riscos de fragmentação de habitats e contaminação de solos e água, com efeitos cumulativos duradouros.
Na recente reunião climática que teve lugar em Belém no Brasil, a COP30, o maior falhanço foi o texto final de consenso não ter conseguido incluir um plano de concretização do abandono progressivo do recurso a combustíveis fósseis.
Com o recente anúncio por parte dos Estados Unidos da América da saída da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e da discussão científica que tem lugar no Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, para além do seu plano para utilizar o petróleo do país que dispõe de maiores reservas, será difícil invertermos um caminho que nos vai sair cada vez mais caro, principalmente aos países que menos contribuem com emissões e maiores consequências sofrem.