Alguém a quem possa recorrer sempre que precisar, alguém que o conhece bem e à sua família também, alguém em quem confia, que sabe que exames precisa fazer e a que outras especialidades deve recorrer. Pode parecer um pouco romanceada, ou retirada de um spot publicitário, mas, na verdade, estas são algumas das características de um médico de medicina geral e familiar, também conhecido como médico de família. Neste Dia Mundial do Médico de Família, que se celebra a 19 de maio, vale a pena saber mais e melhor sobre a importância desta especialidade.
Muitas vezes, o médico de família conhece cada doente desde a sua infância, acompanha a sua adolescência, o nascimento dos filhos, as doenças dos familiares e as dificuldades e medos da família em lidar com elas, conhece a sua casa quando os avós ou pais adoecem e precisam da sua ajuda. É o médico que acompanha todas as etapas da vida, que muitas vezes condicionam adaptações na família, nem sempre fáceis. Todas estas características tornam-no singular, quer pela proximidade, quer pela relação que se estabelece ao longos dos anos e das várias visitas, quer em contexto de doença aguda, quer na vigilância da sua saúde ao longo do tempo. É assim uma peça fundamental na gestão da saúde de cada pessoa e de cada família.
É o médico a quem deve recorrer se quer manter-se saudável. Entre outros aspetos é o médico que avalia os seus hábitos e estilos de vida, conhece os seus problemas de saúde e antecedentes familiares. Em suma, é o médico ideal para o aconselhar a alterar algum hábito ou estilo de vida menos saudável, a fazer determinado tipo de exames e com que periodicidade, se beneficia em fazer alguma medicação ou tratamento.
É também o médico a quem podemos recorrer quando temos alguma queixa aguda – como uma dor que surgiu de novo, aquela febre e a tosse irritante, entre muitas outras queixas – ou quando temos dúvidas quanto à necessidade de fazer algum exame ou recorrer a alguma outra especialidade, por medo ou ansiedade de ter alguma doença. Na maioria das vezes, é também o médico que gere a doença crónica, como a diabetes mellitus, a dislipidemia ou a hipertensão arterial – e que, portanto, vai sugerir um plano de vigilância. É também o médico que pode sugerir a avaliação por outro profissional de saúde – nutricionista, psicólogo, dentista, entre outros – ou que encaminha para um médico de outra especialidade.
Pode existir a ideia de que já não precisa de ser acompanhado por um especialista em medicina geral e familiar quando é vigiado noutra especialidade. Contudo, o médico de família é o gestor da sua saúde pelo que, apesar de vigiado noutra especialidade, deve manter sempre o contacto regular com ele, porque deve saber o que se passa nas avaliações e no seguimento das outras especialidades, de forma a poder integrar todos estes pontos. Há também muitos aspetos como os rastreios oncológicos ou a deteção precoce de determinados fatores de risco que será o seu médico de família a estar mais atento para lhe dizer o que deve fazer, porque é o que melhor o conhece! Sendo o médico que o conhece há mais tempo, que conhece os seus medos e inquietudes, pode ser também a pessoa que melhor o pode tranquilizar quanto a dúvidas que possa ter.
Todos precisamos de um médico que nos aconselhe sobre o melhor para a nossa saúde. Em particular quando esse médico conhece o nosso contexto profissional e familiar, a nossa religião e cultura, estabelecendo uma relação de proximidade e confiança única. A qualquer altura ou em qualquer lugar podemos precisar do nosso médico de família para nos ajudar e aconselhar.
Mais do que um médico, é o seu médico. E ter um médico que o acompanha ao longo da vida, faz bem à saúde.