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Fotograf Ulf Sirborn

Fotograf Ulf Sirborn

Centenas de nomeações, meses de investigação e uma votação secreta. Gonçalo Castelo-Branco, o português nos bastidores do Nobel da Medicina

É o primeiro português a integrar o Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina. Em entrevista ao Observador, explica todos os detalhes do processo que termina com a atribuição do novo Prémio Nobel.

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As portas abrem poucos minutos antes das 9h. A única peça decorativa no exterior do Sessionsal do Instituto Karolinska, em Estocolmo, é um retrato de Alfred Nobel. É com a imagem do inventor sueco como pano de fundo que os 50 professores daquela instituição se vão reunir. Um a um, os lugares vão ficando preenchidos. Primeiro na grande mesa redonda, que alberga a maioria dos especialistas, e só depois nos lugares perto das janelas. À frente de cada um está uma caneta e um bloco de notas: agora, só falta escrevem o nome do vencedor numa folha. Todos os anos, a rotina é a mesma. E a próxima segunda-feira não será diferente. No dia 5 de outubro, o mundo ficará a conhecer os novos laureados do Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina, pouco tempo após o encontro naquela mesma sala.

Gonçalo Castelo-Branco participou pela primeira vez nesta sessão em 2023, ano em que foi nomeado novo membro da Assembleia-Geral Nobel focada naquele galardão. Dentro daquela sala monocromática, dividida entre a cor da madeira da mesa, característica daquela região do mundo, e as paredes alaranjadas, os 50 professores escolhem de uma lista de candidatos cujo número é o mesmo ano após ano, mas que se mantém em segredo há mais de um século. Quando concluírem o período de deliberação, escrevem o conjunto de nomes no papel e colocam dentro de uma urna.

Este ano, pela primeira vez, Gonçalo Castelo-Branco terá de chegar à universidade umas horas mais cedo. O investigador tornou-se o primeiro português a integrar o Comité Nobel para a Fisiologia ou Medicina no final do ano passado, quando termina um ciclo e começa outro. Este órgão é o responsável por fazer todo o trabalho de investigação sobre centenas de candidatos nomeados por investigadores e entidades de todo o mundo, para se chegar à lista reduzida que será votada esta segunda-feira. E, por isto, passa a estar incluído na reunião que precede a votação, para garantir que está tudo em ordem para o derradeiro momento.

Dos 50 ilustres das várias áreas das ciências da vida, 18 pertencem ao clube mais exclusivo. Cinco são eleitos para mandatos de três anos, e depois há dez adjuntos que cumprem a função durante pelo menos um ano (pode ser renovado por um ano). Gonçalo Castelo-Branco está neste grupo. Os últimos três são o secretário-geral da assembleia, que maneja o martelo cunhado com um “N” — de Nobel — para coordenar as sessões, tal como o vice-secretário, e ainda um secretário adicional exclusivo do comité. Todos têm um papel fundamental na escolha dos novos laureados do prémio mais prestigiado do meio científico-cultural.

Mas com a responsabilidade vem também o secretismo. Parte do “prestígio” associado desde sempre a este reconhecimento vem do facto de a identidade dos nomeados — e quem os nomeia — só ser conhecida 50 anos após a votação. Por exemplo, neste momento, é possível consultar quem estava na calha para vencer o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina desde 1905 até 1975. E, em entrevista ao Observador, o investigador luso-sueco, que está no Instituto Karolinska há mais de duas décadas, avisa que algumas perguntas não terão resposta, devido a indicações dadas pelo responsável da Assembleia Nobel, bem como a existência de um contrato de confidencialidade.

Apesar das limitações, Gonçalo Castelo-Branco manifesta um “entusiasmo” que, com os anos e com o seu maior envolvimento no processo de seleção, não tem vindo a diminuir. “A semana Nobel é sempre entusiasmante. Desde que vim para cá, há filas para entrar e assistir ao anúncio. Tentava estar lá sempre, para ver, mas quando não dava, via no YouTube. Agora estou no outro lado, é totalmente diferente”, afirma. Até porque, ainda antes de o anúncio ser feito, o português já sabe quem venceu.

▲ Os 18 elementos do clube mais exclusivo de escolha do Nobel. Gonçalo Castelo-Branco é um deles

Yanan Li

“Por ano, costumamos ter cerca de 700 nomeações e no início de fevereiro começamos a investigar cada uma”

Já só falta um par de dias para o grande dia do anúncio e da votação. Como é que está, nesta altura, o processo de seleção?
Agora estamos na altura das preparações finais. Na segunda-feira vai haver o voto, que é às 9h [8h, em Portugal] aqui na Assembleia Nobel. Neste ano estou a fazer parte do comité. O Comité vai encontrar-se antes do encontro da Assembleia Nobel e também já tivemos vários encontros durante este ano. Portanto, já está numa fase em que na segunda-feira apresentam-se os candidatos à Assembleia Nobel e depois há a votação final. É um processo que começa no princípio do ano. São enviadas as candidaturas antes do princípio do ano.

O ciclo Nobel é de dezembro a outubro?
Falando do processo de medicina — nos outros Prémios Nobel é diferente —, a secretaria da Assembleia Nobel de Medicina envia e-mails a cientistas, universidades e professores de medicina de vários países com convites para fazer as nomeações. A deadline para as candidaturas é 31 de janeiro. A partir de 31 de janeiro é que começa o nosso processo de investigação. O Comité Nobel acaba por ser a parte executiva da Assembleia Nobel, que por sua vez é um grupo mais pequeno de membros da Assembleia Nobel. Por ano, costumamos ter cerca de 700 nomeações e no início de fevereiro começamos a investigar cada uma.

700 nomeações? Fazem quantos convites, normalmente?
São feitos muitos mais do que 700, acabam por ser milhares de convites. Mas depois resultam em cerca de 700 pessoas individuais ou agregados de pessoas que são nomeadas dentro de diferentes áreas da medicina. A partir dessa altura, começamos a investigar e a aprofundar. A área pode ser muito interessante, mas temos de investigar também se podem existir outras pessoas naquele tema que tenham tido mais relevância para a descoberta destacada.

"O testamento de Alfred Nobel diz que, para a medicina, tem de ser uma descoberta — não uma invenção, uma descoberta. A formulação é diferente depois para a Química e para a Física"
Gonçalo Castelo-Branco, investigador e membro do Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina

Se tiverem um nome pensado ou nomeado para uma certa área de investigação e depois dessa análise virem que houve uma pessoa nessa área que é mais relevante ou mais merecedora desse prémio, podem premiar essa pessoa ou só pode ser premiado quem for nomeado?
As pessoas têm de ser nomeadas, mas depois o que acontece é um processo de investigação em que perguntamos a pessoas da área para ver a sua visão de como foi o processo de descoberta — pessoas que talvez estivessem mais envolvidas na altura da descoberta. É um processo de investigação para ver exatamente como é o processo e depois para ver se a descoberta teve realmente um impacto na sociedade.

E são os membros do Comité que fazem essa investigação? Dividem-se por temas ou áreas de investigação?
Sim, mas não oficialmente. Acaba por ser uma discussão que envolve o comité inteiro, temos de ler e estar dentro das áreas que estão nomeadas. É um trabalho interessante, porque aprendemos muito. Tenho de começar a ler sobre coisas que não são da minha área e perceber todo o processo que levou à descoberta. Pessoalmente, estou a gostar bastante por causa disso. Agora, é evidente que quando há nomeações na minha área de especialidade, os outros membros vêm ter comigo e pedem-me opiniões, e vice-versa. É preciso ter diferentes áreas para ter alguém que possa fazer o anchoring.

Então a distribuição é mais aleatória, dividem-se apenas pelo número de nomeações que recebem?
Sim, exatamente.

E esse processo de investigação e análise individual aos candidatos e aos projetos dura quanto tempo? É desde 31 de janeiro até agora?
Sim, é um processo contínuo em que acaba por haver um afunilamento. Algumas são descartadas logo à partida, por considerarmos que estão numa área que ainda não maturou. Mas é verdade que existem áreas mais rápidas: a vacina do mRNA foi bastante rápida, embora a descoberta em si tenha sido feita muitos anos antes, mas o impacto que teve a nível do Covid foi claro. Aí o processo pode ir mais rapidamente. Outro exemplo são as induced pluripotent stem cells [células pluripotentes induzidas], que também foi um processo rápido. Depende, há certas áreas que precisam de mais tempo para se conseguir avaliar o verdadeiro impacto, outras que são muito mais rápidas.

Esta questão do impacto que uma determinada descoberta tem na sociedade é um dos critérios principais no momento de escolha. Para que outros fatores olham durante a avaliação? É preciso que um tema seja consensual na comunidade ou não polarizador?
Nós estamos cingidos ao que está escrito no testamento do Alfred Nobel. O testamento diz que, para a medicina, tem de ser uma descoberta — não uma invenção, uma descoberta. A formulação é diferente depois para a Química e para a Física. Nós temos mesmo de ter a certeza que é uma descoberta e depois que tenha o maior benefício para a humanidade. São essas duas componentes que são bastante importantes.

Como é que vocês conseguem pesar entre duas descobertas que tenham um impacto semelhante? Há algum critério de desempate?
É bastante difícil. Há sempre áreas que não ganharam um Prémio Nobel e que deviam ter tido. É difícil, acaba por ser subjetivo, assim como a própria composição da Assembleia Nobel e do Comité Nobel. Não somos só nós que fazemos essa avaliação, também envolvemos investigadores da área e assim dá para perceber qual é o verdadeiro impacto que uma determinada descoberta teve. É uma questão interessante, porque há sempre pessoas dentro da área que pensam “isto tem um impacto enorme”, mas depois, na generalidade, será que teve mesmo um grande benefício para a humanidade? É esse o balanço que temos de fazer. É por isso que é importante termos uma composição bastante heterogénea, para não haver esse tipo de vieses.

Fotograf Ulf Sirborn

“O prémio Nobel não é um prémio de carreira, é um prémio da descoberta”

Estando já na fase final do processo, vão entrar na Assembleia, segunda-feira, com quantos nomeados para escolher?
Não lhe posso dizer. Isso já são detalhes que não se podem revelar. Posso dizer que já houve uma seleção, há sempre um corte grande, mas não lhe posso dizer exatamente quantos.

Mas costuma ser sempre o mesmo número de elementos na lista todos os anos?
Sim, sim. Mas não se pode revelar quantos exatamente é que costumam estar.

Há muitos laureados que utilizam este secretismo em torno do processo para justificar o sentimento de prestígio associado ao Nobel, o facto de as nomeações só serem reveladas 50 anos depois…
Sim, exatamente. É uma coisa bastante importante. O processo é mesmo muito estrito, não há fugas de informação, nunca.

"Procuramos saber a opinião de pessoas da área, para saber como é que a investigação sobre certo tema evoluiu com a descoberta. Se calhar houve alguém que fez mais e antes"
Gonçalo Castelo-Branco, investigador e membro do Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina

Porque é que isso é tão importante?
Isso é uma pergunta talvez não tanto para mim, mas para a Fundação Nobel. Como é um prémio que tem tanto impacto, é uma questão de a fundação tentar proteger o prémio. Acho que é mais nessa perspetiva, porque evita situações que poderiam ser potencialmente desagradáveis, como haver um rumor de que alguém vai ser premiado e depois essa pessoa não ser. A votação é feita naquele dia. Uma das outras condições do testamento é que os vencedores têm de ser pessoas vivas; o prémio não é atribuído a título póstumo. Houve um caso de um Prémio Nobel em que a pessoa faleceu durante o fim de semana antes da atribuição. Foi atribuído o Prémio Nobel e depois nem o secretário-geral nem a própria universidade conseguiram contactar a pessoa. Só depois é que souberam, durante o dia da notícia, que a pessoa tinha morrido durante o fim de semana. Foi todo um caso legalmente, por causa do testamento, mas no fim manteve-se o prémio.

Há ainda o limite de três vencedores por prémio, que acaba por excluir certos elementos importantes das descobertas. Como é que lidam com esta regra e o processo de exclusão?
É um aspeto bastante limitante, sem dúvida. Outros prémios, como o Brain Prize ou o Breakthrough Prize, não têm limites. Isso ajuda. Mas é por isso que o trabalho do Comité e da Assembleia é bastante importante: fazer uma investigação exaustiva de quem fez mesmo as descobertas essenciais para o prémio. Vai haver sempre pessoas que vão pensar “eu é que devia ter recebido”, mas isso é inerente devido à limitação de ser só três pessoas.

Erik Flyg

“O Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina raramente teve vencedores controversos, porque é um processo muito exaustivo com pessoas de diferentes áreas”

Chegam a falar diretamente com os candidatos durante o processo de investigação? Ou com pessoas próximas da investigação para uma avaliação mais próxima?
Entrevistas não fazemos. Procuramos saber a opinião de pessoas da área, para saber como é que a investigação sobre certo tema evoluiu com a descoberta. Se calhar houve alguém que fez mais e antes. Também tentamos perceber um bocado mais como foi exatamente o processo na altura da descoberta, porque as descobertas estão sempre baseadas em algo que aconteceu antes. Às vezes não é muito fácil saber exatamente quem fez o quê, essa é a parte de investigação que temos de fazer.

Até porque muitas vezes o que acontece é a pessoa ganhar largos anos depois da descoberta…
Tivemos isso no ano passado. Um dos candidatos não estava mesmo nada à espera, estava a fazer uma caminhada e tinha o telemóvel desligado. Não acreditou; foi lá uma jornalista, viram a notícia online e só aí é que acreditou. Há muitas pessoas que fizeram essa investigação há muitos anos e já não estavam à espera. Isto é importante: o prémio Nobel não é um prémio de carreira, é um prémio da descoberta. Há outros prémios que são de carreira pelo que as pessoas fizeram ao longo da vida, mas as pessoas podem ter contribuído muito para uma área e não terem feito as descobertas principais.

"É um trabalho que, na prática, permite-me aprender sobre muita coisa. Indiretamente, acaba por ser bom para mim e para o meu grupo de investigação, porque leio coisas que não lia antigamente e passo a ter uma visão muito mais global"
Gonçalo Castelo-Branco, investigador e membro do Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina

É possível alguém nomear-se a si próprio? Há alguma regra que diga que uma pessoa não se pode nomear?
Essa é uma boa pergunta. Não sei se há uma regra escrita, mas implicitamente nunca vi ninguém a nomear-se a si próprio. Nomeações próprias não me lembro, pelo menos, de ter visto.

Existe algum tipo de processo de campanha interna? Na altura de decidir os nomes que ficam na lista, há essa discussão de tentar convencer os outros de que um candidato é mais indicado do que outro?
Cada um de nós tem a sua opinião, mas no fim são tantos candidatos que fizeram descobertas que, mesmo não sendo da nossa área, uma pessoa consegue perceber que é uma descoberta que realmente merece. É menos debatível do que parece. O Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina raramente teve vencedores controversos, porque é um processo muito exaustivo com pessoas de diferentes áreas. Acaba por ser no fim sempre um consenso de que o impacto da pessoa é indiscutível. É mais uma discussão aberta.

A votação em si costuma ser muito contestada ou há unanimidade nos resultados? Há uma discussão final quando se chega à última lista de candidatos?
Também não posso dizer isso. Há sempre muitas opiniões e perspetivas bastante diferentes, é tudo o que posso dizer.

Stefan Zimmerman

“Agora estou no outro lado, é totalmente diferente, mas gosto muito de acompanhar o anúncio, o entusiasmo está sempre lá”

Como é conciliar a vida de líder de grupo de investigação com a de membro do Comité Nobel? Imagino que seja muito mais trabalho…
É. Uma pessoa tem de conciliar; acaba por ser muitas noites a ler. Mas é um trabalho que, na prática, permite-me aprender sobre muita coisa. Indiretamente acaba por ser bom para mim e para o meu grupo de investigação, porque leio coisas que não lia antigamente e passo a ter uma visão muito mais global. Na ciência temos sempre inspiração de outras áreas. A questão é mais o tempo: arranjar tempo para fazer tudo e incorporar a questão familiar não é fácil. Mas quando se faz por gosto, não custa.

Como é que costuma viver o dia do anúncio e da votação?
Este ano vai ser um bocado diferente porque tenho de ir mais cedo. Mas é sempre entusiasmante. Este ano o anúncio é feito no Nobel Forum, no campus do Instituto Karolinska. Desde que vim para cá, em 1999, quando fiz o meu doutoramento, que assisto ao anúncio do Prémio Nobel. Havia sempre filas para entrar, porque só abrem a sala para um certo número de pessoas poderem assistir, fora os jornalistas acreditados e os membros da Assembleia. Tentava ir sempre para a sala ou, quando não dava, via no computador, no YouTube. Agora estou no outro lado, é totalmente diferente, mas gosto muito de acompanhar o anúncio, o entusiasmo está sempre lá. É um prémio que premeia a ciência fundamental. A semana Nobel é sempre uma semana muito entusiasmante. Temos o prémio de Fisiologia ou Medicina, mas estou sempre super interessado para ver o de Química, porque tem a área da bioquímica e muitas vezes relaciona-se com o que fazemos. No de Literatura há sempre esperança de haver um prémio em português; quando vim para cá, o Saramago tinha ganho um ano antes. É uma semana que acaba por ser dedicada à cultura e à ciência no mundo inteiro.

Com base neste novo papel no comité, vai ter alguma responsabilidade diferente em dezembro, na grande cerimónia oficial de atribuição do prémio?
Também assistia sempre à palestra dos laureados em Fisiologia ou Medicina. Agora, aqui no Instituto Karolinska, temos um auditório com capacidade para mil pessoas, em que vai dar para assistir. Antigamente era de 300 pessoas e havia sempre fila à porta e quase não dava para entrar. Em princípio, este ano, será como nos anteriores em que já pertencia à Assembleia Nobel. Os membros da assembleia assistem à entrega do prémio, vão ao jantar e ainda tenho de participar em algumas receções para os laureados. Ainda estou a aprender como as coisas são feitas e como funciona o processo. Acho que na segunda-feira ainda vou ter algumas surpresas. Se continuar no Comité para o ano, já saberei o que me espera. Por agora, continua a ser novidade.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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