Vivo na Noruega há mais de vinte anos. Vim para cá para seguir o meu sonho de trabalhar na indústria dos videojogos que me atrai desde sempre e felizmente, não só cumpri os meus sonhos, como os ultrapassei largamente. É com os olhos de português a viver na Noruega e com conhecimento de perto de outros países como Suécia, China, EUA ou Canadá que afirmo: Portugal tem as condições ideias para criar videojogos e para ser um caso de estudo mundial nesta área de atividade que gera cerca de 200 mil milhões de euros por ano.

Quais são essas condições? Desde logo a formação. Muitos dos profissionais que trabalham no mundo dos videojogos são formados em engenharia (informática, sobretudo) e em Portugal continua a haver um enorme respeito por esse ramo, o que é justíssimo. Isso faz com que as universidades que têm esses cursos sejam de facto muito boas e formem bons alunos, prontos a entrar no setor e a vingar, após alguma experiência e formação extras. Outra questão cultural que ajuda os portugueses é a forma como aprendem línguas e se adaptam a qualquer contexto.

Em geral, os portugueses falam bem inglês e conseguem entender-se com colegas de qualquer parte do mundo, facilitando os processos colaborativos que caracterizam o desenvolvimento de um videojogo. O domínio do inglês permite ainda que muitos portugueses tenham podido ao longo dos anos, ter uma educação autodidata. Além disso, a maneira de ser dos portugueses faz com que conseguiam fazer análises certeiras e assertivas, de forma bastante simpática, fazendo a mensagem passar.

Então, porque não temos em Portugal um mercado fervilhante de videojogos? O tamanho, não é, com certeza a resposta uma vez que países de tamanho semelhante, como a Suécia, têm mercados bem mais desenvolvidos.

Diria, antes de mais, que já há projetos de média e grande dimensão e que muitos portugueses já podem ficar em Portugal ou até regressar das suas carreiras internacionais. O passo seguinte pode ser dado de duas formas: os governos portugueses entenderem o potencial económico do setor e aplicarem uma estratégia ambiciosa que chame ainda mais grandes estúdios para o país e os próprios portugueses, sobretudos aqueles em início de carreira, começarem a não ter medo de arriscar e de ser empreendedores. Falhar faz parte do jogo.