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É sempre assim à segunda-feira, a esta hora junta-se a nós a Ana Pimentel, a editora de startups e tecnologia do Observador. Olá, Ana. Bem-vinda. Olá, Ana. Bem-vinda.

Olá, Filipe. Olá, Ricardo. Estamos os três juntos. Há muitas saudades. É verdade.

Eu já vi que como dizemos isto em coro, vamos fazer outra vez.

É verdade.

Olá, Ana. Bem-vinda. Se forem ouvir todos os episódios antes deste, vão reparar que é sempre assim. Nem é ensaiado, nem nada, já sai naturalmente. Ana, hoje a app da vizinha vai ser sobre ambiente, é assim?

É verdade, sim, vai ser sobre ambiente. Aliás, o tema está na ordem do dia, está por todo lado. Na semana passada houve a mobilização global pelas alterações climáticas, que terminaram na sexta-feira com, em Portugal, milhares de jovens na rua a manifestarem-se pelo clima. E coladinho a isto, no Porto, também decorreu um hackathon, não sei se sabem o que é.

Hackathon?

É verdade, uma maratona de programação. Desta vez, só para mulheres do mundo da tecnologia, com o objetivo de encontrar soluções digitais para os problemas das alterações climáticas também.

Explica-me lá melhor o que é isso de um hackathon.

É uma maratona de programação e neste caso, foi a comunidade portuguesa de Women in Tech que juntou 70 mulheres na Alfândega do Porto, que durante oito horas tiveram como desafio encontrar soluções para problemas da economia circular, mobilidade, sistemas alimentares, temperaturas extremas, etc. Todas estas mulheres se reúnem em equipes, têm este desafio de encontrar soluções, competem entre si e no final é escolhido um vencedor, que neste caso recebeu um prêmio até de 1500 € para depois ajudar a implementar a solução desenhada nesta maratona, dar-lhe vida.

Estão ali a bater código, não é?

Estão a bater código. Podem estar a bater código, podem não estar, depende.

Então, mas vamos lá saber, qual foi a solução que venceu?

A solução que venceu foi a Gameob, uma app desenhada por cinco mulheres, quatro delas são estudantes do Instituto Superior Técnico em Lisboa e a quinta é uma aluna do 12º ano do Porto. O que esta app faz? Ajuda a promover comportamentos que reduzam a emissão de CO₂ nos transportes e alimentação. Quase como se fosse um jogo. Aqui as pessoas ganham pontos pelas decisões sustentáveis que tomam. Como é que se sabe como é que isto funciona? A ideia destas cinco raparigas é colocar QR codes, que são aqueles códigos de barra digitais, em redes de metro, autocarros, bicicletas, restaurantes, e quando o utilizador estiver a utilizar e passar com o seu smartphone pelo QR code, fica com essa sinalização, ganha pontos e depois com estes pontos, podem ser convertidos em donativos para associações ou em produtos sustentáveis em supermercados, etc.

Isto é quase como antigamente os passaportes que tínhamos de carimbar, sei lá, fizemos Expo 98.

Exatamente, e é engraçado porque isto depois pode funcionar como uma liga entre amigos, uma competiçãozinha, é um jogo saudável, a ver quem é que consegue reunir mais pontos. Por exemplo, quem usar muitos trotinetes ou os transportes públicos e por exemplo, for a um restaurante, também é um exemplo giro, que tenha uma opção vegetariana e optar pela opção vegetariana, optar pelo frango em vez do prato de vaca, também recebe pontos. Portanto, depois podem andar todos a concorrer por estes prêmios.

Já se pode instalar essa aplicação?

Não, isto é giro, ainda não está pronto, isto foi uma ideia que nasceu, achei graça e achei que era um bom mote para o arranque deste programa. A ideia está desenhada, mas agora resta saber se este grupo de mulheres vai continuar a desenvolver esta app ou não. Há aqui uma coisa interessante, porque nós estamos a falar de apps, mas na verdade a indústria dos telemóveis é muito poluente. Só para terem uma ideia, eu hoje estive a ler um estudo sobre isto. Produzir um único smartphone consome tanta energia como aquela que gastamos em 10 anos de utilização desse mesmo telemóvel, porque 80% da pegada de CO₂ dos smartphones ocorre durante o processo de fabrico. Portanto, se estão a pensar comprar um telemóvel novo só porque saiu um novo modelo, há uma versão melhor, só porque não sabem o que fazer, não comprem.

É melhor pensar duas vezes.

Porque isso vai fazer mal à vossa carteira, mas também ao ambiente. Não vale a pena. Deixar que o telemóvel dure o máximo de tempo possível.

Portanto, mais vale utilizá-los durante muito tempo, também para adotar comportamentos mais sustentáveis através do telemóvel. E o que é que aconselhas neste caso, Ana?

Estive à procura de várias sugestões. Encontrei duas apps portuguesas muito giras e acho que me vão dar muito jeito. A primeira é para incentivar as famílias a fazer reciclagem, chama-se Recycle Bingo e é divertido porque acho que acaba por funcionar mesmo como o bingo. Eles próprios assumem como objetivo ser o jogo mais amigo do planeta. Como é que funciona? As pessoas ganham pontos, que são os eco gifts, sempre que forem ao eco ponto. Estes pontos depois são acumulados num cartão bingo e quando os cartões estiverem completos, transformam-se em eco moedas e estas eco moedas podem ser depois aproveitadas para ganhar eco prêmios, que são vales em supermercados.

Prêmios a sério?

Prêmios a sério. Há vales, bilhetes de cinema, vales em supermercado, vales em cadeias de lojas. Aqui a ideia é o utilizador define qual é o seu eco ponto habitual, desloca-se com o seu telemóvel até o eco ponto, apanha os eco gifts com o telemóvel, e depois isto vai acumulando. Há um ranking também, é uma espécie de competição, consegue-se ver quem são as pessoas que estão com mais eco moedas dentro do jogo. E tem várias dicas de reciclagem.

E também produzem mais lixo para reciclar.

Ou então é este o objetivo.

Não é esse.

Depois há outro, este também achei.

Vamos a outra aplicação.

É verdade. É a Plant it e aqui a ideia é ajudar as pessoas a criar e a manter uma horta biológica em casa. Portanto, para consumir mais produtos biológicos, plantas. Pode ensinar a plantar, colher e tratar coisas como ervas aromáticas, batata, berinjela, etc. Há aqui um mundo de coisas para descobrir, mas funciona como um manual de bolso. Tem dicas e ensina todos os procedimentos, como é que se deve regar, quantos dias demora aquela planta a ser colhida.

Isso interessa-me.

Interessa-te?

Eu já tentei várias vezes.

Nunca resultou?

Não, várias.

Nunca. Eu também ando a trabalhar ativamente na relação com as plantas, juro, mas agora está mais feliz. No início não foi muito feliz, mas agora está mais. Estou muito contente com a minha evolução pessoal.

E esta aplicação pode ajudar, não é?

Pode ajudar. Eu, por último, andei à procura de uma app que me disse a pegada de CO2 e encontrei a Oroeco, que pretende ser uma espécie de espelho ecológico das nossas escolhas no dia a dia. Não a achei muito intuitiva nem fácil de utilizar, mas a ideia é boa. Ela ajuda-nos a medir o impacto que as nossas decisões têm no ambiente, os transportes que escolhemos, o que compramos, o que comemos, como transportamos as nossas coisas. Ela faz contas a tudo isto e depois diz-nos qual é a nossa pegada ecológica e dá sugestões de melhoria dessa pegada ecológica também. É engraçado que eu estava a fazer este guia e o Manuel Pestana Machado ajudou-me e encontrou um artigo também que falava de umas soluções que os estudantes no MIT, nos Estados Unidos, estão a desenvolver para registar também esta pegada de carbono. Portanto, é assim, quanto mais cientes tiramos a nossa pegada ecológica, melhor. Esta app é um exemplo, com certeza que surgirão agora muito mais, até porque, como dissemos no início, este tema está na ordem do dia. E depois há todo um outro programa que recomendo aos nossos ouvintes ouvirem, que é aquele das sete apps para deixar o carro em casa, que tem uma série de sugestões de trotinetes, de partilha de carros, de boleias como o BlaBlaCar, que são ótimas para ajudar o ambiente.

Ana, quem também é amiga do ambiente é a tua newsletter, não é?

Sim, sempre amiga do ambiente, amiga dos leitores.

Não é em papel, é digital.

Não, digital. Amiga dos leitores, dos jornalistas, de toda a gente. Ainda traz sempre um brinde à terça-feira à tarde. Amanhã tem uma surpresa, como sempre, todas têm, portanto, não percam amanhã.

É isso mesmo. Obrigada, Ana. Até para a semana, então. Obrigada. Teremos mais uma edição da App da Vizinha na próxima segunda-feira com a Ana Pimentel. Esta edição fica disponível já a seguir em podcast em observador.pt.

Rádio Observador.

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