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Chegamos ao oitavo episódio de "A Nossa Cultura" dentro das paredes do Núcleo Museológico de Artes e Ofícios, para continuarmos a olhar para a exposição de Manuel dos Santos, um artista português autodidata, que se interessou pelo desenho depois de terminar a carreira na Força Aérea Portuguesa e que me faz companhia nestes episódios. Manuel, dedicamos este episódio a olhar para dois grandes compositores da tradição germânica, figuras do romantismo e pós-romantismo europeu ligadas ao século XIX, início do século XX. De momento, temos à nossa frente a figura do alemão Johannes Brahms. Brahms tem aqui uma imagem muito característica. Isso tornou este rosto particularmente interessante para desenhar?
Sim, este retrato que está aqui à minha frente foi um retrato que realçou o seu aspeto de características, como a barba dele, que é uma barba grande, e um bigode muito acentuado. O seu cabelo normal, como outro qualquer, e a sua expressão também, muito boa.
Pintou este desenho há cerca de 16 anos, tal como os restantes. Sente que ao longo deste tempo o seu traço também enquanto artista mudou, ou seja, eventualmente hoje poderíamos estar a ver desenhos um pouco diferentes se fossem pintados agora por si?
Não, acho que não. Acho que tendo uma mão firme e que deslize muito bem, acho que continuamos a ter, a não ser que tenhamos algum problema. Automaticamente, o meu caso não é esse. Continuo a ter o traço firme e muito direcionado ao traço que eu quero fazer.
Sendo que é essa a sua identidade que se tem mantido ao longo dos anos. Como é que descreve os seus desenhos, já agora? Se tivesse que dizer em meia dúzia de palavras.
As pessoas é que têm que ver e avaliar o que está feito e o que não está feito. Eu acho que sim, que estão desenhos desses compositores muito bem feitos. Eu sou uma pessoa que não posso dizer bem de mim. As pessoas é que têm que dizer bem de mim, do trabalho que eu faço. Acho que sim, acho que é um trabalho muito bom e que aconselho a todos a vir ver.
Muito bem, vamos aproveitar para descer as escadas do NMAL para ir ao encontro do austríaco Gustav Mahler. Também aqui um retrato mais limpo que alguns, no sentido em que tem mais clareza. O que procurou transmitir neste retrato?
Este retrato tem uma expressão dele próprio muito expressiva, no sentido em que ele tem óculos, tem as suas sobrancelhas muito acentuadas e também o seu cabelo muito puxado para trás e um bocadinho de comprimento razoável.
Parece que nos olha com alguma altivez. Mahler parece que olha para nós até com algum desdém. Está muito interessante ver essa emoção transmitida, concorda?
Sim, com alguma desconfiança, talvez.
Exato, com alguma desconfiança parece-me uma boa maneira de descrever. Pergunto-lhe, foi mais ou menos difícil, se tem ideia, do que, por exemplo, o Brahms, que acabámos de olhar?
Sim, cada um tem a sua categoria de aspeto de retrato. Mas não, é quase igual neste sentido de tempo e de estar à espera, a ver o que está bem e o que está mal, mas num sentido muito bom, um e outro.
Um artista como Manuel não encontra dificuldades aqui entre um e outro. Procura sobretudo que reconheçamos imediatamente a pessoa ou tenta eventualmente aqui ou ali destacar um aspeto, caricaturar algum traço?
Não, eu o que faço é o que está original no retrato, e por isso eu tento sempre fazer o melhor que posso nesses retratos.
Ou seja, o realismo é a área que o Manuel mais gosta de trabalhar.
Sim, é mesmo isso.
Muito bem, e é assim que fechamos este episódio entre Brahms e Mahler, entre a Alemanha e a Áustria. No próximo episódio vamos terminar esta viagem pela exposição de Manuel dos Santos de uma forma mais pessoal. Deixamos os compositores e olhamos para o autorretrato do próprio artista e para os retratos do pai e da mãe. Lembro que esta exposição pode ser vista aqui no NMAL até ao final do mês de setembro.