Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

É segunda-feira e por isso mesmo, como lhe disse há pouco, já está conosco a Ana Pimentel, a editora de startups e tecnologias do Observador. Ana, bem-vinda!

Olá, Ana Filipa.

Olha, Ana, eu não sei. Fiz esta pausa porque eu estava aqui a contar os dias que faltam para o dia 14 de fevereiro, que é já nesta semana.

É verdade, o grande dia de São Valentim.

É verdade. E, portanto, vais falar de dating apps.

É verdade, vou falar de dating apps, porque nós já tínhamos feito aqui um programa sobre a forma como a tecnologia mudou o amor ou a forma como as pessoas se expressam no amor, vivem o amor, vivem as relações, o início, o fim, os entretanto. E a verdade é que aos nossos ouvintes aconselho a irem recuperar esse nosso podcast, porque acho que tem ali muita matéria. Mas focando aqui agora mais nas apps para amor, porque a verdade é que o universo das apps veio nos permitir descobrir ou conhecer novas pessoas e aquilo que dantes estava ali limitado aos amigos, ou um encontro ocasional no café ou no ginásio, onde quer que fosse. Hoje, a verdade, e isto é também amplamente falado, as pessoas estão cada vez mais no seu telefone, estão cada vez mais em casa, apesar de sermos uma geração superligada, conhecedora e com muito acesso à informação, estamos cada vez mais isolados. Isso é uma das grandes tendências. E há aqui claramente uma aposta de negócio, uma oportunidade. E houve várias empresas que começaram a apostar em apps cujo único objetivo é precisamente fazer acontecer, seja o que for, novas relações de amizade, relações afetivas entre pessoas que à partida não se conhecem e que têm ali, através de um algoritmo, a oportunidade de se conhecerem.

Mas há muitas, era essa a questão.

É verdade.

Eu só conheço o Tinder, confesso.

Sim, porque o Tinder, de facto, foi a primeira grande app a chegar aqui a Portugal e apesar de ser talvez a mais utilizada, não tenho esses dados, nem sei se esses dados são públicos, mas de ser uma app muito conhecida e muito usada, não é a única, existem mais opções. E agora, aqui para as pessoas perceberem mais ou menos como é que o Tinder funciona, porque podem não estar familiarizadas, nós criamos um perfil. A informação que colocamos nesse perfil é variável. Nós podemos introduzir os nossos gostos ou não, podemos pôr a nossa idade, o nosso primeiro nome, fotografias também somos nós que concordamos. E depois vamos dizer aquilo em que temos interesse, portanto, o gênero, homem, mulher, a idade, a distância que queremos. Quero entre os 28 e os 38 anos, e também a distância que se pode encontrar de mim.

Dentro de 30 quilômetros.

Exatamente. Definidos estes parâmetros, o algoritmo faz a sua magia e vai nos aparecendo então as pessoas que, consoante aqueles parâmetros que introduzimos, são o reflexo ou podem ser uma boa aposta para nós. Depois, aquelas em que eu tiver interesse e assinalar, que há duas pressões muito associadas ao Tinder, que é o swipe left e o swipe right, deslizar o dedo para a direita ou para a esquerda, que significa no lado direito, que se gostou daquela pessoa, se tem curiosidade em conhecer melhor aquela pessoa, e para a esquerda é a rejeição, não é? Portanto, não estou interessada nesta pessoa. Aqui, depois disto acontecer, se houver reciprocidade, se aquela pessoa em quem eu fiz um swipe right para a direita, também tiver feito em mim, há um match e abre-se a possibilidade de as pessoas conversarem dentro da app. Abre-se uma janela de chat e a partir daí é que as pessoas conhecem e depois pode evoluir ou não para um encontro fora da aplicação. Mas este é o Tinder, é assim que funciona e não é a única. E agora vou aqui falar de mais algumas que não são tão conhecidas. E tem aqui uma que é a Happn, que também já está no mercado português há algum tempo, talvez se calhar mais ou menos ao mesmo tempo que o Tinder, mas que a lógica aqui é sempre semelhante. Eu estive a testar aqui algumas destas apps e é engraçado que aqui a Happn faz uma série de perguntas que nós podemos responder ou não. Depois cada pessoa delimita a quantidade de informação que quer dar. Não tem que dizer tudo, pode só pôr o seu nome, pode só pôr uma fotografia, mas a app sugere de facto muitas informações, desde o signo ou que tipo de cozinheira que é, ou então se sai muito à noite, podemos pôr várias informações. Aqui o que acontece na Happn também passa por gostar ou mostrar interesse em determinada pessoa e fazer o tal match entre as pessoas que têm o interesse recíproco, mas aqui vai buscar os dados de geolocalização, ou seja, quando eu utilizo esta app, eu tenho que permitir que a app saiba sempre onde é que eu estou, porque ela vai buscar as pessoas que se cruzaram comigo. A ideia é passares por aquela pessoa num café ou no restaurante ou na rua e ficares curioso sobre ela, então abre a Happn e vê se ela está lá também. Aqui também há um alerta, que quando se faz isto, isto pode ter esta ideia meio romântica, mas ao fazer isto também há aqui o alerta que tem que ser dado, que é estamos a ceder sempre a nossa geolocalização a uma app que fica com esses dados, além de que, depois isso também é outra coisa que podemos ver mais à frente, muitas destas apps possibilitam que nós façamos o login com a nossa conta de Facebook, portanto, mais dados ainda sobre nós que estamos a sobrecarregar estas apps. É sempre preciso ter estes cuidados. E depois temos aqui uma que é a Bumble. A Bumble foi criada por uma cofundadora do Tinder, a Whitney Wolfe Herd, que quis mudar um bocadinho as regras do jogo e no caso desta app, o primeiro passo é sempre das mulheres, ou seja, são elas que iniciam conversa. Também passa exatamente pela mesma lógica. De início, também fazemos uma espécie de triagem daqueles que são os nossos interesses, do que é que vamos à procura naquela app, de que tipo de relacionamento, gênero também, homem, mulher. E depois também podemos fazer uma descrição mais ou menos pormenorizada daqueles que são os nossos interesses, a nossa formação acadêmica, o nosso currículo profissional e Descarregar na app aquilo que quisermos. O engraçado também desta app é que quando se cria o tal match, quando há reciprocidade de interesse numa relação heterossexual, é a mulher que só pode iniciar a conversa. E só pode iniciar esta conversa no prazo de 24 horas. A única vantagem que o homem tem aqui é que se vir que a mulher não meteu conversa, ou se não disse nada, não enviou uma mensagem, pode prolongar esse prazo por mais 24. É diferente e é engraçado, porque quando se instala a app, há toda uma mensagem de boas práticas a apelar à responsabilização, a pedir aos utilizadores para serem gentis. Tem algumas preocupações que existem, porque noutro tipo de apps, e já houve denúncias públicas de situações mais constrangedoras, em apps onde não houve esse cuidado, essa gentileza e essa responsabilização pelas conversas. Há ainda outra, que é esta aqui.

Existe um universo das apps de dating que é enorme.

É enorme. Se estiverem os solteiros desta vida que quiserem namorar, muita atenção, que isto é para vocês, não faltam opções. Há aqui uma que é a The League, que corremos sempre o risco de ficar numa lista de espera. Isto é um outro nível das dating apps. Porque a ideia da The League é juntar o LinkedIn e ter também o Facebook, de disponibilizar mais informação sobre nós, sobre o nosso currículo acadêmico, sobre o nosso currículo profissional, e depois temos de esperar para perceber se somos aceites pela aplicação ou não. E sendo aceites, há uma versão gratuita. Outro pormenor: na maioria destas apps as versões são gratuitas, mas há sempre versões premium para mais opções, mais probabilidades do algoritmo funcionar de maneira diferente, ou então de ter mais hipóteses de repetir os likes ou de dar mais tempo às pessoas para se conhecerem. Mas a The League é para pessoas que são mais exigentes ou que se interessam mais pelo background profissional e acadêmico em relacionamentos e vão à procura disso mesmo. É uma coisa mais elitista, talvez uma app mais elitista, para tentar fazer o match entre pessoas que tenham o mesmo tipo de ambição. Acho que é mais por aí.

Também há público para este tipo de aplicações, obviamente.

Exato. E depois há a Her e a Grindr, que são também aplicações, como o Tinder, como a Happn, em que a lógica de utilização é semelhante, mas neste caso são apps exclusivas para a comunidade LGBTQ. Ou seja, homossexuais, bissexuais, transexuais. No caso, por acaso a Her funciona como uma rede social que também, além de haver esta possibilidade de conhecer pessoas, promove eventos, festas, tem grupos comunitários, é uma rede social muito mais abrangente. Já o Grindr é uma app mais explícita nos seus objetivos e para relações talvez mais diretas. Todas as outras apps também têm a possibilidade de escolher sempre o gênero. Estas aqui é que são exclusivas para esta comunidade.

E muito rapidamente, Ana.

Isto foram só algumas, porque ainda existem mais.

O universo é gigante, já percebemos isso.

Ainda existem mais. Existe a OkCupid, existe a Badoo, com dois "os" no fim. É só uma questão de ir à App Store e procurar isto bem, porque elas estarão lá de certeza.

Os alertas fomos dando também ao longo da nossa conversa.

Fomos dando aqui os alertas mais tecnológicos. Vou só deixar aqui alguns alertas mais do ponto de vista relacional. Claro que é normal que estas apps evoluam para encontros na vida real, porque é para isso que elas existem, não é para ficar atrás de um ecrã. Sempre atenção a marcar um encontro num sítio público, dizer sempre a alguém de confiança para onde é que vamos e com quem, ter sempre algum cuidado, nunca revelar demasiado da vida privada com uma pessoa com a qual ainda não se tem confiança para isso, porque às vezes esta coisa dos chats pode potenciar a partilha quando na verdade ainda não conhecemos sequer a pessoa. E um alerta muito importante: todo o tipo de conversas que não queiram ter, não têm de se sentir obrigados a alimentar, podem simplesmente eliminar estas pessoas das vossas apps ou sair dos encontros e não voltar a acontecer. Há que haver também este bom senso.

Amanhã há newsletter.

Sim, sempre à terça-feira. Com muito amor desta vez, eu espero, que depois desta app da vizinha.

Exatamente.

Só para namor tem de ser.

Tem sempre muito amor todas as semanas, é verdade. Ana Pimentel é editora de tecnologia e startups do Observador, junta-se a nós sempre na tarde em direto, depois das 17h, à segunda-feira para a app da vizinha. Ana, obrigada, até para a semana.

Obrigada, Filipa, até para a semana.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.