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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, mais um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Em tempo de guerra, passamos em revista os jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. Eu sou a Rita Lourenço e comigo está hoje o Carlos Pedro. Olá, Carlos.

Olá, Rita.

Vamos começar hoje pela imprensa norte-americana e olhamos para o Washington Post. O jornal destaca as imagens de satélite que provam que o Irão terá destruído mais alvos militares do que parece.

Desde o início da guerra, os ataques aéreos iranianos danificaram ou destruíram mesmo quase 230 estruturas ou equipamentos militares norte-americanos no Médio Oriente. Falamos de hangares, quartéis, depósitos de combustível, aeronaves, até equipamentos essenciais de radar, comunicação e defesa aérea. Agora, Washington vem dizer que, de acordo com uma análise de imagens de satélite, os danos são muito mais extensos do que isso.

Resultaram, desde logo, na morte de sete militares dos Estados Unidos, entre o Kuwait e a Arábia Saudita.

Seis no Kuwait, um na Arábia Saudita e mais quatro centenas de soldados feridos, isto confiando nos números disponibilizados pelo exército dos Estados Unidos.

Mas quanto às imagens, há aqui um dado curioso, Carlos. O Washington Post conta-nos que a Casa Branca está a dificultar o acesso às imagens de satélite.

Sim, são imagens da Vantory e da Planet. Dois dos maiores fornecedores comerciais terão atendido aos pedidos da administração Trump para limitar, atrasar ou mesmo suspender a publicação de imagens da região enquanto a guerra estiver em curso. O jornal conta que estas restrições começaram sensivelmente duas semanas após o início do conflito. Ainda assim, lá conseguiram analisar mais de 120 imagens de satélite de alta resolução, referentes a 15 instalações militares norte-americanas no Médio Oriente, que terão sofrido danos. O The Post sublinha ainda que especialistas sugerem que estes danos nos locais mostram que os militares dos Estados Unidos subestimaram a capacidade de ataque do Irão, não se adaptaram suficientemente à guerra moderna com drones e deixaram algumas bases com proteção insuficiente. Ainda assim, outros especialistas apontam que, apesar dos ataques, a capacidade de resposta dos Estados Unidos não ficou comprometida. Outro tema que estará também a preocupar o exército norte-americano é o dos elevados gastos em munições. Uma estimativa do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais aponta para a utilização de mais de metade dos estoques de mísseis THAAD e mais de 40% no caso dos mísseis de interceção Patriot.

Continuamos na terra do Tio Sam. O New York Times destaca o estado de alerta das Forças Armadas dos Estados Unidos. Isto enquanto as autoridades parecem emitir sinais contraditórios.

Trump deu 48 horas ao Irão. Pelo meio, voltou a ameaçar o regime deste país, mas o que reina neste momento é a expectativa quanto ao futuro do conflito. São cerca de 50 mil soldados norte-americanos destacados para o Golfo, juntamente com porta-aviões, destroyers, aviões de guerra, entre outros. Na terça-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que a operação Fúria Épica havia terminado. No mesmo dia, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o principal objetivo era ajudar os navios a atravessarem o Estreito de Ormuz, embora Donald Trump tenha dito posteriormente que até mesmo essa operação, a Operação Liberdade, também tinha sido suspensa. No dia seguinte, na quarta-feira, ontem, Trump afirmou nas redes sociais que encerraria a guerra e ofereceria passagem segura para embarcações através do Estreito de Ormuz, caso o Irão concordasse em cumprir o que foi acordado. Seguiu-se nova ameaça e agora o New York Times diz que o bloqueio da Marinha norte-americana mantém-se no Estreito de Ormuz.

E com isso fica mais difícil a passagem dos vários navios petroleiros pelo canal, por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. Os preços dispararam, mas a companhia aérea Emirates tem a registar lucros recorde.

O anúncio foi feito hoje pela própria companhia aérea. Apesar do forte impacto da guerra no Irão, o lucro líquido da empresa subiu para os 5,4 mil milhões de dólares durante o último ano, encerrado agora em março. No mesmo período de tempo, mas do ano anterior, a receita era de 5,2 mil milhões de dólares. São dados que vêm compensar uma descida do total de passageiros transportados pela Emirates durante esse período. Foram mais de 53 milhões de viajantes. Dizer ainda que a companhia aérea sediada no Dubai informou a Emirates Group de uma receita recorde de 41 mil milhões de dólares. Trata-se de um aumento de 3%.

Falamos agora da China, porque este país asiático pretende acelerar a transição dos caminhões a gasóleo para os elétricos.

E tudo por causa da guerra no Irão. Novamente aqui a questão do aumento dos preços dos combustíveis. As vendas de caminhões elétricos pesados cresceram nos últimos dois anos, passando de um mercado de nicho para quase um terço das novas compras de caminhões pesados durante o último ano. Isto graças, sobretudo, a subsídios do governo chinês. Ora, vamos então aos números. De acordo com uma provedora chinesa, a venda de caminhões elétricos cresceu 45% face ao ano passado e, para abril, espera-se novo crescimento de mais 30% das vendas, impulsionadas pelo aumento da procura e, logicamente, pelo aumento dos preços mais altos do petróleo. A eletrificação generalizada das viaturas ligeiras na China e a rápida implementação dos caminhões elétricos movidos a gás natural liquefeito têm revertido décadas de crescimento no uso de gasóleo e gasolina na China, onde a maioria dos analistas prevê que a procura por petróleo vá atingir o pico até 2030.

A fechar, um olhar rápido sobre o conflito entre Israel e o Líbano. Carlos, estão previstas novas negociações para a próxima semana.

Será a terceira ronda de negociações entre estes dois países. Volta a ter como palco os Estados Unidos, informou uma emissora libanesa citada pelo jornal do país, Naharnet. Isto enquanto se mantêm os ataques de parte a parte, bem como as acusações de violação do acordo de cessar-fogo, que vigora desde o dia 17 do último mês de abril. Desde 2 de março, ainda antes, portanto, que os ataques israelitas se fazem sentir em território libanês e já terão provocado a morte de mais de 2500 pessoas.

Fica por aqui mais um episódio da Guerra Traduzida, especial Irão, na Rádio Observador. Está de volta amanhã, à mesma hora.