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Guerra traduzida na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques da imprensa russa com Martim Madeira. Os Estados Unidos fecham a porta a qualquer alívio de sanções à Rússia até ao fim da guerra.

Iniciamos esta análise da imprensa russa com uma notícia em destaque no The Moscow Times. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, encontrou-se com o ministro das Finanças russos, Anton Siluanov, à margem da Cimeira do G20, mas o desfecho não foi o esperado pelo Kremlin. Bessent foi categórico e transmitiu diretamente a Siluanov que os Estados Unidos não vão conceder qualquer tipo de alívio ou apoio económico à Rússia enquanto as ações militares na Ucrânia continuarem ativas. Esta posição firme de Washington surge no momento em que Moscovo tentava abrir os canais de cooperação económica com a nova administração americana. A presença de Siluanov na cimeira causou também um enorme mal-estar entre as delegações europeias. O jornal relata mesmo que o vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, confrontou diretamente o ministro russo, considerando a presença irritante e exigindo o fim imediato da invasão, enquanto outros ministros europeus ameaçaram boicotar a tradicional fotografia do grupo do G20 em protesto contra a presença russa.

E a Alemanha decide fechar o Consulado-Geral da Rússia em Bona.

É o destaque no site da agência estatal russa TASS. O governo alemão determinou o encerramento formal do Consulado-Geral da Federação Russa na cidade de Bona a partir do dia 18 de setembro. É uma medida de retaliação que surge depois de as autoridades de Berlim terem culpado formalmente os serviços de inteligência da Rússia por uma tentativa de ataque híbrido com drones no aeroporto de Leipzig. A decisão causou uma reação imediata em Moscovo. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, já veio a público criticar diretamente a atitude alemã, prometendo uma resposta digna e proporcional contra os interesses diplomáticos alemães na Rússia. Este feito representa mais um passo no isolamento diplomático e no corte de relações consulares entre a Rússia e os principais países europeus.

Trump, Putin e Xi Jinping podem encontrar-se em novembro, Martim.

A Cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, prevista para novembro na China, poderá ser palco de uma reunião trilateral entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e também o presidente da China, Xi Jinping. A informação é avançada por Yuri Ushakov, assessor de Putin à agência de notícias russa Vesti. Sublinha Ushakov que Xi Jinping mencionou que Donald Trump estaria presente e que Vladimir Putin provavelmente participaria como convidado e se tudo correr como planeado, uma reunião entre os três pode mesmo ser organizada ou, no mínimo, uma reunião com todos seria imprescindível. É o que diz o assessor de Putin, Yuri Ushakov.

E Putin reúne-se com Erdogan para discutir a cooperação bilateral.

De acordo com a agência estatal de notícias russa TASS, o presidente russo Vladimir Putin esteve hoje reunido com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, na residência oficial de Ala Archa, em Bishkek, no Quirguistão. O encontro bilateral ocorreu à margem da Cimeira de líderes da Organização de Cooperação de Xangai. Embora os pormenores exatos das negociações permaneçam sob reserva diplomática, as autoridades russas indicaram que a conversa se focou no reforço das relações comerciais e na cooperação energética entre Ancara e Moscovo. A Turquia tem tentado posicionar-se como um mediador-chave no conflito, mas esta reunião ocorre no momento em que a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai evitou incluir uma menção direta à guerra na Ucrânia. Nas declarações finais conjuntas, preferiu-se centrar apenas nos desenvolvimentos políticos na Ásia Central e também no Médio Oriente.

E Martim, ameaças de bomba obrigam a evacuação de várias escolas russas no início do ano letivo.

É um início de ano letivo mais conturbado, relatado hoje pelo jornal The Moscow Times. Diversas escolas em território russo foram alvo de vagas de ameaças de bomba, que forçaram a evacuação imediata de alunos e professores. Estes incidentes ocorreram precisamente no dia 1 de setembro, no dia de hoje, a data em que se celebram as tradicionais festividades do Dia do Conhecimento, que marcam normalmente o regresso às aulas de milhões de estudantes russos. As autoridades russas confirmaram que se tratava de falso alarmes, mas as ameaças geraram algum pânico e perturbaram as celebrações oficiais. Este clima de tensão interna reflete a forma como a segurança quotidiana na Rússia continua a ser afetada pela instabilidade, numa altura em que o país entra no quinto ano de conflito ativo com a Ucrânia e as populações civis começam a sentir efeitos colaterais da guerra de uma forma mais próxima.

A imprensa russa relata ataques massivos contra infraestruturas na região de Odessa.

É o balanço em destaque hoje no jornal russo Komsomolskaya Pravda. O jornal reporta que as Forças Armadas russas realizaram um ataque de enorme escala contra posições e infraestruturas logísticas na região de Odessa no dia de hoje, 1 de setembro. Segundo a perspectiva militar russa apresentada na reportagem, estas incursões visam destruir os centros de receção e armazenamento de ajuda militar ocidental, que chega à Ucrânia pela via marítima e ferroviária. O jornal russo descreve a operação como um sucesso estratégico, que enfraquece as linhas de abastecimento de Kiev na costa sul. Enquanto a imprensa estatal russa promove estes bombardeamentos como ações de precisão necessárias, as autoridades ucranianas denunciam que estes ataques sistemáticos continuam a causar danos severos a infraestruturas puramente civis e a provocar vítimas inocentes nas cidades costeiras.

Fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida, hoje com o jornalista Martim Madeira.