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Começa agora mais uma guerra traduzida especial Irão da Rádio Observador. Olhamos para a imprensa internacional com a ajuda do jornalista Carlos Pedro. Eu sou o Miguel Pina Andrade. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, Miguel.

Foram retomadas as negociações entre o Irão e o Omã para a abertura de um novo corredor temporário no estreito de Ormuz. É o grande destaque da agência Reuters esta manhã.

Isto no dia em que se ficou a saber que apenas cinco navios passaram pelo estreito de Ormuz durante o dia de ontem, muito menos do que os cerca de 15 navios que têm passado pelo estreito ao longo dos últimos dias, isto de acordo com a Reuters. Esta redução acontece no momento em que continua a crise em torno do estreito de Ormuz. Na terça-feira, as diplomacias de Irão e Omã debateram um plano para estabelecer um corredor temporário de navegação no estreito, mas a situação numa das principais rotas comerciais do mundo continua sem estar resolvida. Entretanto, a Al Jazeera dá conta de que dirigentes do Irão e de Omã concordaram com o estabelecimento de uma nova rota marítima por Ormuz, uma rota temporária. Ainda assim, um alto funcionário iraniano insiste que o canal pelo qual costumavam passar cerca de 18 a 21 milhões de barris de petróleo só vai reabrir quando Washington cumprir com os compromissos estabelecidos no acordo de paz provisório assinado durante o mês de junho. Há semanas que Irão e Omã discutem a abertura de uma passagem segura por Ormuz, mas ainda sem sucesso. Ontem estiveram reunidos os ministros dos Negócios Estrangeiros do Irão e de Omã. No final do encontro na rede social X, Badr Al-Busaidi, o chefe de diplomacia de Omã, disse esperar que os países anunciassem em breve o corredor temporário.

Mas Carlos, pode haver aqui um problema.

Sim, o diplomata acrescenta no comunicado que a gestão futura do estreito de Ormuz e uma solução permanente para Ormuz serão definidas oportunamente, portanto, ainda não estão definidas. Ainda de acordo com o mesmo responsável, estão previstas conversas técnicas para desenvolver um acordo a longo prazo.

E com a possibilidade de uma eventual abertura parcial de Ormuz, o preço do petróleo caiu.

Sim, os contratos para entrega em outubro de petróleo Brent situavam-se esta manhã na casa dos US$ 86 por barril. Trata-se de uma diminuição de 2,17% face à manhã de ontem. Já o petróleo do Mar do Norte encerrou a sessão de terça-feira, a sessão de ontem, com uma queda de 3,89%, situando o barril nos US$ 88, marcando assim a segunda sessão consecutiva em baixa.

E entretanto, Carlos, o Irão vai mudar a doutrina militar, é o que anuncia o porta-voz do exército de Teerão.

O Irão vai passar a adotar uma postura ofensiva e está a preparar-se para um conflito ou um futuro conflito possível. A afirmação é de Mohammad Akramini, a porta-voz do exército iraniano, à agência de notícias iraniana Mehr. Esta nova abordagem, explica o responsável, inclui ações preventivas, o uso de equipamentos mais modernos, táticas também elas mais modernas e novos campos de batalha. Akramini diz ainda que os alvos de Teerão podem incluir infraestruturas energéticas e em caso de ataque contra o território iraniano. Sobre estes meses de conflito, o porta-voz do exército islâmico aponta que o país ganhou uma experiência valiosa, que se mostrou útil em termos de táticas, produção de sistemas, entre outros aspectos.

Viramos agora atenções para os Estados Unidos, até porque Donald Trump anunciou ontem um acordo com a Arábia Saudita, mas exige uma condição, condição essa, Carlos, que não está cumprida. Que história é esta?

Trump enviou ontem para o Congresso norte-americano o acordo de cooperação em energia nuclear civil, assinado com a Arábia Saudita, mas deixou um aviso. Diz que o acordo só vai para frente se Riade aderir aos Acordos de Abraão. A Arábia Saudita admite essa possibilidade, mas com outra condição. A adesão só será formalizada se for estabelecido o Estado da Palestina. Fonte próxima da família real saudita diz que a posição de Riade em relação a esse aspecto é consistente e imutável. Os sauditas dizem que não terão relações diplomáticas com Israel sem o estabelecimento de um Estado palestiniano independente dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital. Ou seja, só assim haverá adesão da Arábia Saudita a este acordo.

Olhamos agora para as declarações do primeiro-ministro israelita. Benjamin Netanyahu diz que é impossível chegar a acordo com esses selvagens.

Isto numa referência aos líderes iranianos, são palavras de Benjamin Netanyahu. Em declarações à AFP, o chefe do executivo israelita descarta a possibilidade de um acordo diplomático com o Irão. Netanyahu falou num evento realizado ontem à noite num colonato israelita na Cisjordânia e de acordo com o primeiro-ministro de Israel, um acordo diplomático foi uma das três opções discutidas num encontro com Donald Trump em Washington há quase um mês, salientando que as outras duas opções discutidas foram uma ação militar e o reforço do bloqueio contra o Irão. Netanyahu saúda ainda a nova campanha dos Estados Unidos na guerra econômica contra Teerão. Tel Aviv ameaça Teerão com um novo ataque, isto caso o exército iraniano ataque também Israel.

Tudo dito em mais uma edição da Guerra Traduzida especial Irão. Está de regresso amanhã à mesma hora. A edição de hoje foi do jornalista Carlos Pedro.