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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa russa. Eu sou o Fortunato Oliveira hoje. A edição é do jornalista Martim Madeira. Martim, o governo russo vai financiar a reconstrução dos armazéns destruídos por drones ucranianos.

A agência estatal russa TASS indica que o presidente Vladimir Putin determinou que o governo apoie financeiramente a reconstrução de instalações industriais e armazéns comerciais que foram afetados pelos recentes ataques de drones ucranianos. Putin declarou publicamente que, embora os danos materiais sejam evidentes, estas ações militares contra infraestruturas de retalho não apresentam um impacto crítico para a estabilidade económica geral do país. A medida surge após bombardeamentos que afetaram severamente grandes centros logísticos de empresas privadas, como por exemplo a gigante do comércio online russa Wildberries, gerando uma ansiedade no setor empresarial e obrigando o Kremlin a ter que intervir para assegurar a continuidade da logística de distribuição interna.

As bombas de gasolina de Moscovo voltam a racionar a venda de combustível.

De acordo com o jornal The Moscow Times, vários postos de abastecimento na capital russa e arredores voltaram a introduzir restrições rigorosas à venda de combustível dos condutores civis. Distribuidoras de grande dimensão, como a Gazprom Neft e a Tatneft, começaram a limitar a quantidade de gasolina e gasóleo que cada cliente pode comprar na região de Moscovo. Analistas de mercado indicam que este racionamento representa uma segunda vaga de escassez de combustível no país, desencadeada pelo sucessivo ataque de drones da Ucrânia contra o parque de refinamento russo. Esta crise de combustível tem afetado significativamente a distribuição de mercadorias e a mobilidade interna em várias regiões do país.

Martim, vários ativistas russos denunciaram o aumento de casos de alistamento forçado no exército.

Outro destaque no The Moscow Times, a organização não governamental russa de oposição Idit Lezom registou uma subida notável no número de queixas relativas a recrutamento forçado. O relatório da ONG refere que vários homens foram detidos temporariamente pelas autoridades de segurança e forçados a assinar contratos de prestação de serviço militar com as Forças Armadas russas. Os ativistas explicam que esta prática de pressão psicológica e física tem vindo a intensificar-se nos últimos meses, surgindo como uma alternativa informal do Kremlin para obter mais tropas para a linha da frente, sem ter de recorrer a uma mobilização nacional oficial que traria custos políticos elevados para o regime de Putin.

E precisamente Vladimir Putin visitou as ossadas recentemente descobertas de Dmitri Donskoi.

Um dos destaques na imprensa russa, o presidente Vladimir Putin visitou as ossadas de Dmitri Donskoi, o monarca medieval que liderou as terras de Moscóvia e Vladimir no século XIV. Donskoi, que faleceu em 1389, com apenas 39 anos de idade, é uma figura central no processo que deu origem ao futuro Estado russo. O Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia confirmou que está a preparar um projeto para reconstruir cientificamente o aspeto físico do monarca medieval a partir dos restos mortais. Esta visita é promovida pela imprensa estatal russa como uma exaltação da herança histórica e patriótica associada à soberania territorial da Federação.

Martim, o crédito malparado aumentou de forma acentuada num banco russo associado à Rosneft.

De acordo com o jornal The New Voice of Ukraine, o Banco de Crédito de Moscovo, uma instituição financeira muito associada à petrolífera estatal Rosneft, registou um aumento expressivo no volume de empréstimos em situação de incumprimento. O total de créditos com prazos de pagamento vencidos representa agora cerca de 15% de toda a carteira do crédito do banco, um rácio que é cinco vezes superior à média registada no setor bancário russo. Os especialistas apontam este aumento do crédito malparado como um reflexo direto do impacto das sanções financeiras internacionais e das dificuldades de liquidez enfrentadas pelas empresas russas que atuam sob o atual regime económico de guerra.

Fica por aqui esta edição da "Guerra Traduzida" hoje com o jornalista Martim Madeira.