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Seguimos com a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Desta feita vamos analisar a imprensa da Ucrânia de sexta-feira, dia 16 de dezembro. Um trabalho da Inês Batista, que conta com a ajuda da Tânia Olynyk, natural da Ucrânia. Inês, está também em destaque nos meios de comunicação da Ucrânia o disparo de mísseis em massa por parte das forças russas.
O Pravda Ucrânia dá conta que foram disparados 40 mísseis contra Kiev, que 37 foram abatidos. O portal de notícias cita o porta-voz da administração militar da cidade para avançar com essa informação. Mykhailo Shamanov fala de um dos ataques de mísseis em maior escala desde o início da guerra e não descarta novas ondas de bombardeamentos durante o dia. Tal como a imprensa russa, também o Pravda Ucrânia cita o presidente da Câmara de Kiev, que confirmou explosões na região e dá conta de interrupções no abastecimento de água na região de Kiev. Ao todo, foram disparados 76 mísseis pelas forças russas, 60 foram abatidos. É o que avança o comandante das Forças Armadas da Ucrânia. Setenta e dois destes mísseis eram cruzeiros.
E há várias histórias em torno do ataque com mísseis desta sexta-feira.
Também no Pravda Ucrânia é avançado que em Kryvyi Rih, um foguete russo atingiu um prédio residencial. Duas pessoas morreram e pelo menos cinco ficaram feridas, entre elas duas crianças. Esta informação é avançada ao portal de notícias pelo governador da região de Dnipro, que acrescenta que ainda pode haver pessoas sob os escombros. Este ataque em massa por parte das forças russas é um dos grandes destaques na imprensa da Ucrânia no dia de hoje.
E numa altura em que vai faltando energia um pouco por toda a Ucrânia, é publicada uma reportagem sobre os trabalhadores do setor energético.
Um artigo que conta com uma série de entrevistas, que tem como título: "Temos mais poder do que os mísseis do inimigo. Algumas histórias de trabalhadores de energia que deve conhecer durante os apagões". É um trabalho do Pravda Ucrânia que compara os trabalhadores de energia ao mito de Sísifo, que foi condenado por Zeus, como sabemos, a empurrar uma pedra para o alto de uma montanha eternamente, mas sempre que Sísifo atinge o cume, a pedra volta a cair. É, portanto, um trabalho eterno. Mas o portal de notícias afirma que não é assim que os trabalhadores de energia veem o seu dia a dia, porque consideram que têm mais poder para restaurar as infraestruturas críticas para a população do que as forças russas têm para o destruir. O Pravda Ucrânia entrevistou vários trabalhadores, mas não mostra caras, nem publicou nenhuma informação em que seja possível perceber a localização destas pessoas. O portal de notícias diz que agora os trabalhadores de energia saem de casa para fazer um turno em que o local de trabalho é um alvo prioritário para o inimigo. Entre os entrevistados, há quem se mostre surpreendido por agora aparecer nas notícias por ser trabalhador do setor energético.
Tempo agora para fazermos contas. Inês, é a notícia que Putin já não tem dinheiro para financiar a guerra?
Olhamos para um artigo do Pravda Europa, que cita as estimativas de Washington para dar conta que as sanções estão a ter um impacto na economia russa e que o Kremlin está com falta de fundos. O portal de notícias cita o coordenador da política de sanções do Departamento dos Estados Unidos, que fala em 300 mil milhões de dólares congelados e em outros 330 mil milhões que estão a ser gastos. O Pravda Europa avança também que os Estados Unidos acreditam que é muito mais difícil para a Rússia produzir os materiais necessários para a guerra, bem como importar esses produtos na sequência das sanções. O portal de notícias dá também ainda conta que Washington acredita que a economia da Federação Russa vai encolher pelo menos 16% nos próximos anos e 20% até 2030.
E com o fim de ano à porta, há hoje um estudo publicado pelo Pravda Ucrânia sobre as expectativas dos ucranianos para o próximo ano.
O portal de notícias tem um artigo com o título: "Quantos ucranianos olham para 2023 com otimismo?" E avança que 65% dos cidadãos esperam que o próximo ano seja melhor do que 2022. Este estudo terá sido feito por um grupo de sociólogos ucranianos chamado Rating e conclui que 16% dos ucranianos olham com pessimismo para 2023. O Pravda Ucrânia dá ainda conta que as expectativas otimistas para o próximo ano não dependem da idade e que cerca de 90% dos entrevistados olham de forma positiva para 2023. O portal de notícias avança que o estudo foi feito através de telefone e que foram entrevistadas mil pessoas com mais de 18 anos em todas as regiões da Ucrânia, com as exceções dos territórios ocupados e dos locais onde não há rede de telefone.
No portal de notícias TSN, uma história que chega da Noruega. O vice-presidente do Supremo Tribunal do país acusa a esposa de o tentar envenenar.
E a mulher diz que vai processar o marido por difamação. O juiz disse a várias publicações norueguesas que foi hospitalizado por envenenamento em outubro, avança o TSN, que dá também conta que depois de análises ao sangue de Skogøy, terá sido encontrado um sedativo que o juiz afirma não usar desde 2001. O norueguês culpa a esposa de nacionalidade ucraniana. Natália diz que não teve nada a ver com este suposto envenenamento. O caso está atualmente sob investigação da polícia. O portal TSN destaca que Skogøy é o vice-chefe do Supremo Tribunal da Noruega e dá também conta de mensagens enviadas pelo juiz à mulher, em que terá dito que as pessoas da Ucrânia são do inferno e onde terá também mostrado apoio à invasão russa da Ucrânia. Apesar disto, o juiz voltou com a palavra atrás. Afirma que enviou essas mensagens enquanto estava envenenado.
Já aqui falámos dos impactos dos cortes no fornecimento de energia elétrica. Do Jardim Zoológico de Kiev chegam imagens de como os animais estão a sobreviver a um inverno com cortes frequentes de energia.
Imagens divulgadas pelo Pravda Ucrânia. O portal de notícias explica que o calor é mais importante para os animais do que a luz e que os animais vão sendo aquecidos através de geradores. Destaca também que no habitat de um gorila do zoológico chamado Tony, foi instalado um fogão a lenha para que o aquecimento aconteça mesmo quando não houver eletricidade, nem eletricidade de geradores. Em alguns locais foram instaladas luzes a pilhas para que os visitantes possam ver os animais. Ao todo, o zoo de Kiev tem cerca de 200 animais migratórios que não são da região. O Pravda Ucrânia conta que o espaço recebeu também animais de outras cidades, por causa dos bombardeamentos não era seguro que eles ficassem nos zoológicos onde pertenciam. O presidente da Câmara de Kiev deu conta das dificuldades para o Jardim Zoológico da cidade em manter os animais. Vitali Klitschko fala de um teste não apenas para a população, mas também para eles, para os animais, por também eles precisarem de calor.
E também eles são vítimas de guerra. Termina aqui a Guerra Traduzida, com destaque para a imprensa da Ucrânia desta sexta-feira. Um trabalho da jornalista Inês Batista, que contou com a ajuda da Tânia Olynyk.