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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Neste programa, todos os dias, de segunda a sexta, falamos da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Traduzimos os principais destaques aqui na Rádio Observador. Conosco, esta tarde está o Vasco Maldonado Correia. Boa tarde, Vasco.
Boa tarde!
Vais começar pela imprensa da Ucrânia, na véspera dessas negociações diretas entre Kiev e Moscovo, na Turquia. Donald Trump continua incerto sobre a presença de Vladimir Putin neste encontro.
É o que diz o líder da Casa Branca a bordo do Air Force One, o avião presidencial a caminho do Catar. Continuamos sem saber se tanto Putin como Zelensky vão estar presentes nessas negociações que vão decorrer amanhã em Istambul. E Donald Trump também não sabe. O presidente norte-americano diz que gostava que Putin viajasse pra Turquia, admite que existe essa possibilidade, diz também que ele próprio pode passar por Istambul como parte da viagem que está a fazer ao Médio Oriente. Entretanto, a Reuters diz que a Ucrânia só vai anunciar a composição da delegação que vai enviar amanhã, quando Putin revelar se vai ou não comparecer.
A imprensa ucraniana deixa também um alerta: os Estados Unidos estão muito preocupados em relação a um possível conflito aberto do país com a Rússia.
É o que escreve o TSN, que cita declarações do Congresso norte-americano do general Gregory Guillot, chefe do Comando Norte dos Estados Unidos. A especial preocupação vai para a cooperação estratégica entre a China e a Rússia e também para os acordos do Kremlin com a Coreia do Norte e o Irão. Os Estados Unidos temem um confronto militar aberto com estas quatro nações se as guerras na Ucrânia e também no Médio Oriente escalarem. Este general sublinha que as relações entre estes países se assemelham cada vez mais à base de uma parceria militar capaz de expandir rapidamente os conflitos da atualidade para algo muito maior.
A França quer desenvolver medidas que permitam agarrar a Rússia pelo pescoço.
Em conjunto com os Estados Unidos, o chefe da diplomacia francesa anunciou uma reunião com o senador norte-americano Lindsey Graham para desenvolver sanções econômicas devastadoras contra a Rússia. Esse encontro vai acontecer também amanhã na Turquia, enquanto decorrem essas negociações diretas entre Kiev e Moscovo. De acordo com o TSN e também com o jornal francês Le Figaro, Lindsey Graham já elaborou até um pacote de sanções poderoso, incluindo uma tarifa de 500% sobre as importações de petróleo russo. Só assim, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, vai ser possível agarrar a Rússia pelo pescoço, como dizias, Miguel, já que as restrições anteriores se mostraram ineficazes. Quem também falou sobre o assunto foi Emmanuel Macron, que detalhou como vão funcionar essas sanções.
Eles rejeitam a ideia de um cessar-fogo incondicional. Querem que o assunto seja discutido na Turquia. A nossa intenção, a confirmar-se o incumprimento, é voltar a impor sanções que incidem sobre serviços financeiros, sobre os hidrocarbonetos, fazendo aquilo a que chamamos sanções secundárias, ou seja, sancionar aqueles que os revendem. Assim, as coisas mudarão.
São declarações de Emmanuel Macron aqui em entrevista à TF1.
Noutra notícia, quase três quartos dos ucranianos continuam a confiar em Volodymyr Zelensky.
São 74% os que manifestam um agrado com a liderança do presidente ucraniano. Um aumento de cinco pontos percentuais em relação ao último estudo. Os números são citados pelo jornal Pravda e vêm de um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. É relativo ao mês de maio. O número de descontentes desceu de 28 para 22%. Os sociólogos observam neste estudo que em todas as regiões da Ucrânia, a maioria da população expressa confiança no presidente Zelensky e que as diferenças regionais são relativamente pequenas.
Para fechar, o portal TSN que hoje escreve que o Papa Leão XIV está pronto para mediar as negociações de paz.
O Papa relembra as tragédias na Ucrânia e também no Médio Oriente. O jornal ucraniano cita declarações de Leão XIV numa reunião com representantes de 23 igrejas cristãs do Oriente, em que Leão XIV enfatiza a necessidade de preservar a tradição e a oração e expressa preocupação com o destino daqueles que foram expulsos das terras natais. Mostra-se, por isso, disponível para garantir que a paz seja restabelecida e que, se for necessário, pode ajudar os inimigos a encontrarem-se cara a cara. Insiste o Papa que a guerra nunca é inevitável. Pede, por isso, o fim dos conflitos armados.
São os destaques da imprensa ucraniana.