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Olá, Larissa Tovmazian. Vamos olhar para a imprensa russa e começamos com uma mensagem de Putin. O presidente russo enviou uma mensagem aos participantes da 10ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Exato. O presidente russo Vladimir Putin enviou esta mensagem e nesta mensagem Putin enfatiza que a guerra nuclear nunca deve ser desencadeada. Isto é relatado no canal oficial de Telegram do Kremlin e diz ele: "Acreditamos que não pode haver vencedores numa guerra nuclear e esta nunca deve ser desencadeada e defendemos uma segurança igual e indivisível para todos os membros da comunidade mundial". Putin enfatizou ainda repetidamente que a Rússia não ameaça ninguém com armas nucleares e está pronta para usá-las apenas para proteger a sua própria soberania.
Temos também falado muito sobre as muitas empresas que têm saído da Rússia ao longo dos últimos meses de guerra. Ainda ontem falámos sobre a OBI, mas o contrário também acontece. As lojas de roupa H&M voltaram a abrir em Moscovo.
O que é muito curioso. A M24 estatal conta-nos que na terça-feira, hoje, 02 de agosto, as lojas da H&M começaram a abrir na capital. Sabe-se que a loja no centro comercial AviaPark abriu às 10h e o preço das roupas não mudou. Ou seja, não se trata de saldos ou promoções, a roupa é vendida pelo preço habitual. As pessoas podem adquirir coleções de primavera e verão, mas ainda não há um afluxo significativo de pessoas nesses pontos de venda. Este artigo tinha sido escrito pouco antes de as filas se prolongarem por todo o centro comercial. Há bocado vi que vários canais de Telegram reportam que a espera poderá superar as duas horas para poder entrar na loja.
É quase como se nada tivesse acontecido. Volta tudo mais ou menos ao normal, pelo menos no que diz respeito a estas lojas de roupa da H&M, uma marca que também conhecemos aqui em Portugal. A guerra na Rússia tem-nos também mostrado como o governo se preocupa com a comunicação. Na verdade, os órgãos de comunicação social nem estão autorizados a falar em guerra, devem usar a expressão "operação especial". Agora, Larissa, há um novo manual.
Isto segundo o Meduza, independente. Várias vezes aqui mencionámos sebentas, manuais que o governo russo prepara para propaganda e esta notícia não é exceção. Desta vez, utilizam-se técnicas com referências históricas. O Kremlin recomenda ao Estado e aos media pró-governo, bem como aos políticos, que estabeleçam paralelos entre a guerra na Ucrânia, o batismo da Rússia e a Batalha do Neva. Estas teses de que estes três eventos são de natureza muito semelhante estão contidas em dois manuais, uma espécie de sebentas, preparadas em julho pela Administração Presidencial da Federação Russa. Meduza conseguiu acesso a ambos os manuais. A invasão da Ucrânia é explicada pelas ações do Ocidente, que ataca a Rússia há quase mil anos para dividi-la e aproveitar os recursos do país, bem como para destruir a fé ortodoxa. E de acordo com duas fontes da Meduza, próximas à Administração Presidencial da Rússia, agora o Kremlin o que está a tentar fazer é encontrar modelos que possam explicar aos russos as causas e objetivos da invasão da Ucrânia. Quanto mais tempo a operação durar, mais perguntas as pessoas começam a ter. Por que razão é que isso acontece? Quais os objetivos? E daí as tais sebentas.
E, portanto, dessa forma controla-se também a comunicação e a história desta guerra ou operação especial, como o Kremlin quer que os órgãos de comunicação social chamem a esta invasão da Ucrânia. Nas últimas horas temos estado também muito concentrados no porto de Odessa, porque é de lá que estão a sair os navios com cereais. Hoje há uma nova informação: a Ucrânia vai limitar a três o número de navios que podem partir.
A Ucrânia afirma que não deixará sair mais do que três navios com cereais por dia dos seus portos dentro de cerca de duas semanas. Isto é relatado pelo ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Oleksandr Kubrakov, à agência Bloomberg. O ministro explicou que tal regime é necessário para testar a segurança das rotas e, de acordo com Kubrakov, após o final do período experimental, a exportação de cereais ucranianos dos portos terá de quatro a seis semanas e depois poderá chegar a três milhões de toneladas por mês.
Os jornais russos hoje também estão a falar sobre a guerra propriamente dita no terreno, digamos assim, especificamente sobre a utilização de minas que são proibidas e estão a ser utilizadas pelas forças ucranianas.
Sim. Os media estatais contam-nos que o primeiro vice-representante permanente da Rússia das Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, enviou dados ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança, Zhang Jun, sobre a utilização de armas proibidas, que também já mencionámos aqui, nas instalações civis do Donbass pelas tropas ucranianas. Estas minas proibidas altamente explosivas, que se chamam Lepestok, traduz-se como uma pétala, têm uma forma que pode não ser imediatamente detetada. Anteriormente, Polyanskiy relatou que este tipo de material proibido está ativamente espalhado nas munições das Forças Armadas da Ucrânia em Donbass e a questão foi levantada numa reunião do Conselho de Segurança da ONU no dia 29 de julho. E como o diplomata observou, Lepestok prejudicará um adulto e poderá matar uma criança.
E muito obrigados. Obrigado, Larissa Tovmazian. Amanhã voltamos a traduzir a guerra na Rádio Observador.
Obrigada.