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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Laura, boa noite. Começamos pela imprensa ucraniana. Pela primeira vez, a Hungria classificou a Rússia como uma ameaça para a Europa.
Sim, é a primeira vez que a Hungria toma uma posição deste gênero desde o início do conflito. Num documento assinado pelo primeiro-ministro húngaro, o chefe de governo afirma que o comportamento da Rússia representa um perigo para a Hungria, para a Europa e mesmo para a ordem mundial. De acordo com o "The Kyiv Independent", o texto, que estabelece as orientações da delegação húngara para a próxima Assembleia Geral da ONU, condena a agressão militar russa, manifesta também total apoio à soberania e à integridade territorial da Ucrânia dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas e reconhece ainda o direito do país vizinho à legítima defesa. O mesmo documento confirma a mudança radical na política externa húngara depois da chegada ao poder de Magyar, vencedor das eleições legislativas de abril, o que marcou um claro distanciamento da linha pró-russa seguida pelo anterior governo do ultranacionalista Viktor Orbán.
E seguimos com Volodymyr Zelensky, que visitou hoje uma frente de combate no sudeste da Ucrânia.
De acordo com o Ukrinform, o presidente ucraniano fez-se acompanhar pelo novo comandante-chefe das Forças Armadas. Os dois responsáveis estiveram reunidos com comandantes no terreno para discutir formas de reforçar as defesas naquela zona. Volodymyr Zelensky agradeceu aos soldados pelo trabalho prestado ao longo dos últimos anos e entregou-lhes também condecorações estatais. Em maio, o presidente ucraniano tinha já visitado uma frente de batalha.
E Laura, a Ucrânia atacou uma das maiores refinarias de petróleo da Rússia.
A quarta maior refinaria de petróleo da Rússia, situada na cidade de Kstovo, estava na manhã desta quarta-feira em chamas, depois de um ataque com drones levado a cabo pelas forças ucranianas. De acordo com o "The Kyiv Independent", a refinaria é uma das mais importantes infraestruturas energéticas da Rússia. Processa entre 15 e 17 milhões de toneladas de crude por ano. Além disso, produz também combustíveis como gasolina, gasóleo e combustíveis de aviação usados pelas forças russas. Este ano, a Ucrânia já atacou aquela refinaria pelo menos cinco vezes. Em alguns dos ataques, partes da infraestrutura ficaram mesmo inoperacionais. As estruturas de energia têm sido um dos principais alvos das forças ucranianas no território russo, uma vez que permitem perturbar não só a economia de Moscovo, mas também os próprios esforços de guerra do Kremlin. O ataque demonstra ainda a crescente capacidade da Ucrânia para penetrar no território russo, já que a refinaria se encontra a cerca de 800 km da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.
E ainda, perto de 4 mil crianças morreram ou ficaram feridas em quatro anos de guerra na Ucrânia.
Os dados são das Nações Unidas, que dão conta de que o número mensal de crianças vítimas na Ucrânia atingiu em julho o nível mais elevado em quatro anos. Segundo a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia, 17 crianças foram mortas em julho, enquanto 166 ficaram feridas, o que representa um aumento de quase 50% em relação ao mês anterior. A estes dados juntam-se os dos ataques de agosto, que deixaram dezenas de crianças mortas e feridas no país europeu. A representante da UNICEF na Ucrânia lembra que as crianças estão a morrer e a ficar feridas nas próprias casas, nos parques infantis e nas comunidades. Estão a ser levados a cabo ataques contra escolas e hospitais. Muitas vidas jovens foram interrompidas ou alteradas para sempre. A responsável diz que tudo isto é inaceitável e que estas crianças precisam de paz.
São estes os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com os destaques dos jornais russos.