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Na Guerra Traduzida seguimos agora com a imprensa ucraniana. Vamos olhar para a imprensa ucraniana com a ajuda da jornalista Inês Batista. Este é um programa que é feito em colaboração com a Tânia Olinyk, natural da Ucrânia. E em destaque, Inês, está também o cessar-fogo anunciado pela Rússia e o Natal.

"Há uma grande probabilidade de explodir igrejas nos territórios ocupados durante a trégua de Natal", é um dos títulos do portal de notícias TSN. É citado um outro meio de comunicação, o InformNapalm, para avançar com esta notícia, que cita duas fontes próximas aos militares de Donetsk. O portal TSN explica que o objetivo do cessar-fogo da Rússia é um pretexto para filmar histórias de propaganda que serão depois divulgadas entre a população russa com o objetivo de iniciar uma nova onda de mobilização. O artigo avança ser possível que a intenção de Putin de declarar um regime de cessar-fogo possa ser uma evidência da preparação para um ato terrorista sob falsa bandeira. É ainda pedido a todos os civis dos territórios ocupados que se abstenham de visitar igrejas durante o Natal ortodoxo para não se tornarem vítimas da sangrenta provocação da Rússia, palavras do portal TSN, que termina este artigo a lembrar que a Organização das Nações Unidas acredita que a trégua de Natal anunciada por Vladimir Putin não substitui uma paz justa e que o gabinete do presidente Zelensky considera a proposta da Rússia hipócrita e um gesto de propaganda.

Na imprensa ucraniana é também analisado o anúncio de cessar-fogo de Putin, uma análise feita por especialistas.

"Quer minar a reputação da Ucrânia: analistas explicam por que Putin anunciou a trégua de Natal", é o outro título do portal TSN, num dia em que o Natal e o cessar-fogo são temas principais, tanto na imprensa russa, como já demos conta, como na ucraniana. Neste artigo é citado um relatório do Instituto Americano para o Estudo da Guerra, que avança que a declaração de uma pausa na ofensiva é uma operação de informação da federação russa. O objetivo de Putin é prejudicar a reputação da Ucrânia, é o que escreve o portal de notícias, a citar os analistas, que falam também na possibilidade de Putin querer uma pausa para as tropas do Kremlin, para lhes dar a oportunidade de descansar, recuperar forças e se reorientar para retomar a ofensiva em áreas críticas da frente de guerra. Tal pausa vai beneficiar as tropas russas e vai começar a privar a Ucrânia de iniciativa. Putin pediu um cessar-fogo para apresentar a Ucrânia como intransigente e sem vontade de tomar as medidas necessárias para as negociações. Uma citação dos analistas do Instituto Americano para o Estudo da Guerra, que consta neste artigo, num relatório em que terão lembrado também que a Rússia já usou essas táticas de informação antes. O portal TSN recorda ainda que foi anunciado esse cessar-fogo por Putin para vigorar a 6 e 7 de janeiro, mas que não foi aceite pela Ucrânia.

E Inês, em época festiva para os cristãos ortodoxos, na Ucrânia cantam-se músicas de Natal.

É o som de um vídeo divulgado pela imprensa ucraniana com o título "Os guardas de Kharkiv cantaram uma canção de Natal numa igreja danificada por um ataque aéreo russo". O artigo avança que mesmo apesar da guerra, os guardas da quinta brigada Slobozhany já celebram o Natal na igreja de Santo André, cantam uma música conhecida entre ucranianos, chama-se "Nova Alegria Se Tornou". A iniciativa acontece todos os anos, desde 2017, e mantém-se em 2023. O Pravda ucraniano explica também que os guardas, que ouvimos a cantar, antes já se tinham vestido com as roupas das figuras que compõem o presépio, com o objetivo de demonstrar a unidade e indomabilidade do povo ucraniano.

E Inês, em tempo de Natal ortodoxo, há também um artigo sobre as tradições desta época na Ucrânia.

O calendário juliano, seguido pela religião ortodoxa, marca o Natal para 7 de janeiro. Ainda assim, são várias as notícias que dão conta que há quem celebre no dia 25, tal como no Ocidente, e que houve quem tivesse feito essa mudança por causa da invasão russa à Ucrânia. Recordo que poucos meses depois do início da ofensiva, os líderes do ramo central da Igreja Ortodoxa na Ucrânia separaram-se da hierarquia de Moscovo porque a Igreja Ortodoxa da Rússia mostrou apoio aos militares do Kremlin, que lutavam na guerra em território ucraniano. O portal TSN tem um artigo que explica algumas das tradições desta época. Há um período de jejum, 40 dias antes do Natal, para limpar o corpo e a alma antes da celebração. É permitido comer vegetais, frutas, legumes e cogumelos durante este jejum, mas ovos, carne, laticínios, queijo, por exemplo, são proibidos. Na véspera de Natal, que é celebrada a 6 de janeiro, toda a família se reúne à mesa. Há 12 pratos que simbolizam os 12 apóstolos. Há também cânticos de Natal na véspera. E a crença é que quanto mais cantores se receber em casa, mais prosperidade vão ter os moradores.

Termina assim esta Guerra Traduzida, com destaque para a imprensa ucraniana, com a jornalista Inês Batista.