Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais uma edição da Guerra Traduzida. Nos próximos minutos acompanhamos a situação no Irão através dos destaques dos jornais do Medio Oriente e dos Estados Unidos. Hoje a edição é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.
Boa tarde, Martim.
Continuamos a olhar para as incongruências dos Estados Unidos e do Irão. Afinal, há reunião hoje entre as duas delegações.
Pois, esta madrugada Trump disse isto. Vamos ouvir o presidente norte-americano.
"There'll be a meeting on that tomorrow in Doha. They're going to Qatar. I think they've already left, or they're just about getting ready to leave. So we'll see how that goes, but we're doing very well on that front. But the meeting in Doha is going to be perhaps important, perhaps not. We're going to find out".
"Há uma reunião em Doha. Talvez será importante, talvez não". São declarações na Casa Branca do presidente dos Estados Unidos, que ainda assim não deixou de cantar vitória neste conflito. Antes, Trump já havia dado conta nas redes sociais de que as negociações com Teerão continuariam hoje.
É mais uma vez uma afirmação que mereceu o desmentido por parte do Irão.
Sim, é uma notícia da Al Jazeera que cita um porta-voz da equipe de negociação iraniana que nega planos para conversas com os norte-americanos hoje em Doha, no Catar. A informação já foi, entretanto, confirmada por um enviado do Catar. Ismael Baghaei, a fonte iraniana da Al Jazeera, diz que os negociadores iranianos vão a Doha acompanhar o processo de implementação do memorando de entendimento. O também porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país garante que não haverá conversas com Washington nos próximos dias. Diz, inclusive, que as negociações para um acordo final com os norte-americanos, que deviam ocorrer durante os próximos 60 dias, ainda não começaram. Baghaei acrescenta que de acordo com o artigo 13º do memorando, indica que o início das negociações está condicionado ao início e à continuidade da implementação de outros cinco artigos.
E que artigos são esses, Carlos?
O artigo um, que exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano. O artigo quatro, que exige que os Estados Unidos retirem o bloqueio naval aos portos iranianos e retirem também das proximidades do país todos os militares norte-americanos. O artigo cinco trata da reabertura do estreito de Ormuz e o artigo 11, que exige a libertação dos ativos iranianos congelados, motivo pelo qual a equipe de negociadores do Irão também viaja hoje para o Catar. É um dos principais pontos de discórdia entre os dois países. Ontem, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian referiu que Washington concordou em desbloquear 6 mil milhões dos 12 mil milhões de dólares que estão retidos, precisamente no Catar.
Falamos agora de outro ponto fundamental para se alcançar a paz no Medio Oriente. Beirute e Tel Aviv procuram afinar o acordo-quadro assinado na semana passada, mas, entretanto, há um sinal de esperança.
Sim, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que já é possível viajar para o Líbano desde Abu Dhabi, suspendendo assim uma proibição que durava há semanas, desde abril. A notícia é da Agência de Notícias WAM, dos Emirados Árabes Unidos. Entretanto, também foram retomados ontem os voos entre Teerão e Abu Dhabi, diz a televisão estatal iraniana. No entanto, continua a não ser possível um cidadão dos Emirados Árabes Unidos viajar para Teerão.
E por falar em viagens, viajamos muito rapidamente até ao Iraque, porque este país deixou um sério aviso ao Irão e não só.
O governo iraquiano dá até 30 de setembro para que os grupos armados pro Irão fiquem completamente desarmados. É um anúncio que surge antes da visita do primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, aos Estados Unidos. Serve também conta ao jornal libanês Naharnet como resposta às alegadas pressões de Washington a Bagdá para que o Iraque pressione estes grupos militares a entregarem as armas. De recordar que o Iraque também foi afetado por ataques de retaliação às investidas dos Estados Unidos e Israel no Medio Oriente.
Voltamos as atenções para o estreito de Ormuz. Uma análise da The Guardian aponta para uma interpretação maximalista do memorando por parte do Irão.
A análise é do jornalista britânico Patrick Wintour, que aponta para uma disputa entre Irão e Omã pelo controle de Ormuz. Diz que Washington e Teerão estão a lutar por cada centímetro deste canal de 38 km de largura. Quanto à interpretação maximalista, o Irão entende que só ele pode suspender o bloqueio ao estreito de Ormuz. O país tem resistido ao envolvimento no processo de países terceiros, como é o caso de Omã. Aliás, o Irão recusou mesmo uma rota alternativa que passava junto da costa de Omã. A ideia era que, devido ao encerramento da rota central, duas vias de navegação poderiam ser abertas, uma em águas de Omã, supervisionada pelo Centro Conjunto de Informações Marítimas dos Estados Unidos, e a outra mais a norte, próxima do Irão. Aí a OMI acreditava ter a concordância do Irão pra proposta, mas afinal não. O The Guardian aponta para posições distintas dentro do próprio Irão, mas foi mesmo a Organização Marítima Internacional a abandonar este plano. Isto depois do ataque iraniano a um navio da Singapura no estreito de Ormuz.
É um tema pra continuar a acompanhar nas próximas edições da Guerra Traduzida, versão Irão. Fica por aqui esta edição. Esteve a cargo do jornalista Carlos Pedro.