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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa com a Diana Rosa. Diana, boa noite.

Boa noite, Filipa.

Diana, hoje começas pela imprensa da Rússia. Putin está já a caminho de Pequim para se encontrar com Xi Jinping e leva uma comitiva de ministros e CEOs.

Inicia oficialmente amanhã essa visita de Estado de dois dias, acompanhado por uma comitiva de ministros e pelos directores executivos das maiores empresas estatais e privadas da Rússia. A delegação inclui os CEOs da Rosneft e da Gazprom, ainda o magnata do alumínio Oleg Deripaska, bem como os chefes da agência estatal de desenvolvimento VEB, assim como a agência espacial Roscosmos. O CEO do Sberbank, também o CEO do VTB Bank, a governadora do Banco Central da Rússia também marcam presença, juntamente com cinco vice-primeiros-ministros e oito ministros. O porta-voz do Kremlin diz que não existe aqui nenhuma competição sobre o tamanho das delegações, garante que esta gente toda serve para construir relações multifacetadas com a China.

Diana, já se sabem alguns pontos de agenda deste encontro?

Sabe-se que Putin pretende intensificar os esforços para convencer Xi Jinping a finalizar o projecto do gasoduto Força da Sibéria 2, que está paralisado, até porque a Rússia precisa que a China continue a comprar-lhe combustível, ainda que a preço de saldo. A rota proposta através da Mongólia transportaria 50 mil milhões de metros cúbicos de gás natural russo anualmente da península de Yamal para o norte da China. O assessor de política externa do Kremlin confirma essas informações, diz que é um tema prioritário. Os dois presidentes vão também, Filipa, assinar uma declaração conjunta no fim das reuniões para fortalecer ainda mais a parceria entre os dois países.

E a Rússia alerta para a situação na central nuclear de Zaporizhzhia.

Diz que se aproxima de um ponto sem retorno devido ao aumento dos alegados ataques ucranianos na região. É o que afirma o presidente da empresa estatal nuclear Rosatom, citado pela agência TASS. De acordo com Alexei Likachev, a Europa deve aplicar todos os esforços para acalmar a situação, uma vez que se aproxima de um ponto, como dizia, sem retorno. Na central, há ainda cerca de 2600 toneladas de combustível nuclear que se encontram sob controle russo.

E a Ucrânia lançou um ataque maciço sobre a Rússia com centenas de drones. Pelo menos três pessoas morreram na região da capital, Moscovo.

Foi uma onda de ataques com mais de 500 drones a mais de uma dúzia de regiões. É o que indica o Ministério da Defesa da Rússia, num dos maiores bombardeamentos ucranianos até ao momento. A península ocupada da Crimeia também foi atingida, mas a região em torno da capital foi sim uma das mais afetadas. Uma das vítimas era um cidadão indiano que trabalhava na Rússia, é o que adianta a Embaixada da Índia em Moscovo, em comunicado. O presidente ucraniano promete lançar mais ataques retaliatórios, um dia depois de um ataque russo em Kiev ter matado 24 pessoas e ferido cerca de 50. Na capital da Rússia, as autoridades locais relataram que os sistemas de defesa aérea interceptaram mais de 80 drones durante a noite. Foram registados danos menores nos locais onde caíram os destroços. Três prédios residenciais foram danificados.

E o ministro russo dos Negócios Estrangeiros afirma que a Rússia não é suficientemente satânica para a Europa e rejeita voltar a participar na Eurovisão.

Sergey Lavrov diz que o evento se tornou satânico demais. Isto depois de a organização do festival ter dito que a Rússia pode voltar, mesmo que a guerra na Ucrânia não termine. Em resposta, Sergey Lavrov diz que Moscovo não vai atender aos critérios que agora definem os participantes da Eurovisão. Aponta para o renascimento do festival Intervisão da Canção da era soviética na Rússia como uma alternativa culturalmente apropriada que se alinha com os chamados valores tradicionais. Diz Lavrov que a Intervisão nasceu precisamente do contexto desse tipo de unificação da arte tradicional dos países que compõem os BRICS, o bloco económico que inclui Rússia, China, Índia e Brasil.

E voltamos já a seguir com os destaques da imprensa da Ucrânia.