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Guerra traduzida na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa russa, com a Laura Figueiredo. Laura, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo manifestou disponibilidade para dialogar com a Europa sobre a Ucrânia.
Sim, Sergei Lavrov diz que a Rússia está pronta para dialogar com o continente europeu sobre Kiev, embora tenha deixado a responsabilidade para os países europeus e questionado mesmo as capacidades negociais do bloco comunitário. O ministro russo é claro, diz que o Kremlin não pede à Europa que participe no processo de negociação. Lavrov ressalva que Moscovo não vai impelorar ou pressionar ninguém, mas que a Rússia continua aberta a dialogar e frisa que os europeus têm um mau historial em relação à capacidade de chegar a acordos, acrescentando também que a Europa já teve a oportunidade de contribuir para a resolução de conflito na Ucrânia sem sucesso.
E a Rússia anunciou hoje ganhos territoriais em Kharkiv e Zaporizhzhia.
O anúncio é do Ministério da Defesa russo, que adianta que unidades do agrupamento de tropas Sever assumiram o controle da localidade de Shaykovka, na região de Kharkiv, enquanto forças do agrupamento Vostok avançaram e libertaram a povoação de Starivno, na região de Zaporizhzhia. São zonas que Moscovo encara como sendo parte integrante já da Federação Russa. De acordo com o comunicado, estes avanços fazem parte de um esforço mais amplo para criar uma faixa de segurança em torno das fronteiras russas, em particular nas regiões de Sumy e Kharkiv, reduzindo a capacidade ucraniana de lançar ataques de artilharia e drones contra o território russo. Entre 12 e 15 de maio, as forças russas dizem ter feito um grande ataque e dois ataques de grupo com armas de alta precisão e longo alcance, que incluía mísseis hipersônicos Kinzhal e drones de ataque contra infraestruturas militares ucranianas, nomeadamente complexos industriais de defesa, centros logísticos e também outros alvos estratégicos na retaguarda.
E Laura, mais de 200 prisioneiros de guerra regressaram à Rússia.
A confirmação é de Moscovo. O regresso dos 205 militares acontece no âmbito de uma nova troca de prisioneiros com Kiev. Segundo o Ministério da Defesa, em troca, foram entregues à Ucrânia também 205 militares das Forças Armadas Ucranianas, num acordo que foi mediado discretamente e anunciado apenas depois de estar concluído. Fontes citadas pela imprensa russa indicam ainda que, em paralelo com a troca de prisioneiros vivos, a Rússia entregou à Ucrânia mais de 500 corpos de militares ucranianos mortos, enquanto a partida recebeu cerca de 40 corpos de soldados russos. Em Moscovo, a comunicação oficial apresenta a troca como prova de que o Estado não abandona os militares russos, procurando reforçar a confiança das tropas e da opinião pública.
E um ataque ucraniano com drones matou pelo menos quatro pessoas e incendiou uma refinaria de petróleo.
De acordo com o Moscow Times, as autoridades regionais indicam também que dezenas de pessoas ficaram feridas, entre elas várias crianças, depois de aeronaves não tripuladas terem atingido dois prédios habitacionais e também uma instalação industrial. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram um edifício residencial de grande altura, fortemente danificado, envolto em fumo e chamas. Noutros vídeos veem-se colunas de fumo negro e labaredas erguer-se sobre o complexo industrial identificado como a refinaria de Ryazan, uma das maiores do país. Testemunhas descrevem explosões muito fortes ao início da manhã, que fizeram estremecer janelas e disparar alarmes de carros em vários quarteirões, seguindo-se depois uma enorme coluna de fumo visível a grande distância. As autoridades russas reportam também a queda de uma espécie de chuva escura e oleosa e, por isso mesmo, decidiram encerrar escolas e jardins de infância em algumas zonas por precaução.
E foi mais uma edição da Guerra Traduzida com Laura Figueiredo. Está de regresso na segunda-feira.