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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa, hoje com o jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim.
Boa noite.
Começamos com a imprensa ucraniana. A começar com uma investigação independente que identifica mais de 239 mil soldados russos mortos.
De acordo com o jornal The Kyiv Independent, uma investigação conjunta do órgão russo independente Mediazona e do serviço russo da BBC conseguiu confirmar a identidade de 239.354 militares russos mortos em combate desde o início da invasão. Este número baseia-se em fontes abertas, como obituários e registros de cemitérios, o que sugere que o número real de baixas será muito superior. O Estado-Maior da Ucrânia, por sua vez, atualizou os dados apontando para um total de mais de 1,4 milhão de baixas nas forças russas, incluindo mais de 1400 só no último dia. Estes dados sugerem, num momento em que os analistas apontam para uma guerra total de atrito, onde Moscovo parece estar a duplicar o esforço militar para desgastar a resistência ucraniana a longo prazo.
Martim, a polícia da Ucrânia investiga 1,5 milhão de casos por evasão à mobilização militar.
O jornal The New Voice of Ukraine revela a escala massiva das investigações internas sobre o recrutamento militar. O chefe interino da Polícia Nacional confirmou que as autoridades já receberam 1,5 milhão de pedidos vindos dos gabinetes de alistamento para localizar pessoas suspeitas de estarem a fugir à mobilização. Esta pressão ocorre numa altura em que Kiev tenta reforçar as fileiras para enfrentar a ofensiva russa, que não dá sinais de abrandamento, é o que indica o jornal The New Voice of Ukraine. Além disso, o governo ucraniano aprovou hoje um novo programa de ação que será submetido ao Parlamento, focado na gestão dos recursos do país durante o estado de guerra e na preparação das infraestruturas para os desafios que se avizinham nos próximos meses.
Falamos agora de um ataque com drones a jato que atingiu um centro comercial em Odessa.
Segundo o Ukrainska Pravda, a Força Aérea Russa lançou uma vaga de 128 drones contra o território ucraniano durante a última noite. O ataque mais grave registou-se na região de Odessa, onde um drone movido a jato atingiu diretamente um centro comercial e provocou grandes incêndios e feriu várias pessoas, incluindo crianças. Ao longo do último dia, os bombardeamentos russos causaram pelo menos nove mortos e 43 feridos em todo o país. O jornal destaca ainda que a Rússia está a utilizar novas táticas de spam de mísseis e drones de alta tecnologia para tentar saturar as defesas aéreas ucranianas, que continuam a sofrer com a falta de munições intercetoras, como os mísseis Patriot, para proteger alvos civis e infraestruturas logísticas.
Mas, Martim, a Ucrânia planeia usar mísseis balísticos próprios ainda este ano.
O jornal The Kyiv Independent destaca as declarações de Mykhailo Fedorov, antigo ministro da Defesa e agora figura central no desenvolvimento tecnológico militar. Fedorov afirmou que a Ucrânia poderá começar a utilizar os próprios mísseis balísticos contra alvos na Rússia até o final deste ano de 2026. Segundo o ex-governante, o sucesso nesta guerra depende de Kiev conseguir vencer a Rússia em cada ciclo tecnológico, o que exige tomadas de decisão constantes 24 horas por dia. Este anúncio tecnológico surge no momento de tensão política em Kiev, onde as manifestações pelo regresso de Fedorov ao governo entram agora no seu segundo mês, com veteranos de guerra civis a pedirem uma liderança mais focada nesta inovação militar.
E ainda novas rampas de lançamento russas colocam países da NATO sob ameaça.
É o que indica o jornal The New Voice of Ukraine. Imagens de satélite e documentos revelaram que a Rússia construiu pelo menos 59 rampas de lançamento de drones distribuídas por 10 localizações estratégicas perto da fronteira. Algumas dessas bases foram instaladas em antigos aeroportos civis e estão agora preparadas para lançar drones de longo alcance que podem atingir países membros da NATO. A notícia surge após vários incidentes recentes, como o abate de um drone sobre a Letônia e a queda de destroços na Roménia, que forçaram a Aliança Atlântica a reforçar as defesas aéreas no flanco leste. Kiev tem instado os parceiros europeus a aumentarem a vigilância aérea, avisando que Moscovo está a testar a determinação do Ocidente através deste tipo de incursões.
Está feita a "Guerra Traduzida", versão Ucrânia. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.