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Arrancamos com a Guerra Traduzida agora para olharmos para a imprensa russa. Estamos com o jornalista Miguel Cordeiro, que tem apoio à tradução para este trabalho da Larissa Tovmazian. Vamos começar com Putin, que reúne com líderes da Arménia e Azerbaijão.

Sim, isto aconteceu à margem da Cimeira Informal da Comunidade dos Estados Independentes, uma organização criada em 1991 e que integra repúblicas que pertenciam à União Soviética. Em São Petersburgo, o presidente russo Vladimir Putin teve uma conversa trilateral com o primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan e com o líder do Azerbaijão, Ilham Aliyev. A situação em torno do Nagorno-Karabakh foi o principal tema. Putin também observou que a situação económica nas relações entre a Rússia e a Arménia está a desenvolver-se bem. Putin disse: "Recentemente, tivemos uma reunião na Comissão Intergovernamental. Os colegas afirmaram que a situação da nossa economia está a evoluir de forma muito positiva. Para 10 meses este ano, um crescimento de 73% no comércio é um bom resultado", acrescenta aqui o líder russo, olhando para esses negócios entre a Rússia e a Arménia. Esta cimeira informal de líderes dos países da Comunidade dos Estados Independentes, realizada em São Petersburgo, começou ontem, termina hoje e promoveu, para além de mais encontros entre Vladimir Putin e Lukashenko, o líder da Rússia e da Bielorrússia, também este encontro trilateral entre Vladimir Putin e o primeiro-ministro da Arménia e o líder do Azerbaijão.

E Orbán critica a União Europeia e diz que a Ucrânia está a empurrar o Ocidente para a guerra.

Isto merece destaque na Ria Novosti, agência estatal russa. Há aqui algum destaque para isto e tem um longo artigo a explicar a tensão entre a Hungria e a Europa. Podemos ler neste artigo: "Budapeste mais uma vez criticou os parceiros ocidentais. O primeiro-ministro Viktor Orbán apontou para o papel fundamental dos Estados Unidos no conflito russo-ucraniano e reclamou da União Europeia. A Hungria está muito irritada com o Ocidente e a Hungria há muito irrita o Ocidente." Orbán concedeu uma entrevista à publicação Magyar Nemzet, principalmente sobre política externa. Ele diz nesta entrevista que este ano a Hungria teve a ameaça de entrar em guerra. Orbán diz que graças aos resultados das eleições parlamentares de abril, isto foi evitado. No entanto, o aumento dos preços da energia levou a Hungria a uma situação perigosa, é o que diz Orbán. Antes da imposição das sanções antirrussas, as importações de energia, das quais depende a economia do país, pagavam € 7.000 milhões por ano. Agora são 17.000 milhões. Budapeste deve procurar fundos adicionais. Diz também Orbán: "Se o anjo de Natal se decidisse suspender as sanções energéticas, agora os preços de energia cairiam num instante". É o que diz aqui o líder da Hungria. Comentando sobre o confronto entre o Ocidente e a Rússia, ele destaca que Budapeste se concentra principalmente nos seus próprios interesses, ou seja, está do lado húngaro da história. Desta vez, o líder da Hungria não falou apenas em proteger os interesses económicos do país. E nesta entrevista, ele faz algumas acusações diretas contra Washington. Diz que a Ucrânia só pode lutar enquanto os Estados Unidos a apoiarem com dinheiro e com armas. Se os americanos quisessem paz, já existiria paz, é o que diz Orbán.

E a Rússia diz que o sistema de defesa aérea dos Estados Unidos não vai travar os mísseis russos.

Vamos olhar aqui para um artigo do Izvestia, a publicação estatal russa, que diz que os próprios Estados Unidos reconheceram a ineficácia deste sistema. É o que podemos ler basicamente no título deste artigo do Izvestia. Se olharmos aqui para o título, os Estados Unidos reconhecem a ineficácia do sistema de defesa aérea Patriot contra mísseis russos. Não são os Estados Unidos a dizer isto, o que acontece? Isto é um site norte-americano especialista em armamento, o Military Watch, que tem um artigo que fala sobre a capacidade do sistema Patriot e que de fato, em parte desse artigo, refere que pode ser ineficaz contra sistemas, e daí por um artigo norte-americano dizer isto, o Izvestia publica, os Estados Unidos reconhecem que o sistema é ineficaz. E, de facto, o que podemos ler aqui no artigo do Izvestia é que o sistema Patriot teve grande dificuldade em lidar com mísseis caseiros e mísseis soviéticos R-17 da década de 1960, e que então a capacidade de neutralizar mísseis russos do século XXI é questionada, é seriamente questionada, é o que diz aqui o artigo. A publicação observa também que a Ucrânia vai receber um pequeno número de sistemas de defesa aérea e que tem um histórico duvidoso. Além disso, a potencial falha do sistema Patriot pode comprometer a possibilidade de novas vendas deste sistema a outros países. Recordo que a 21 de dezembro soube-se que os Estados Unidos vão fornecer sistemas de defesa aérea Patriot, vão fornecer esses sistemas a Kiev, e isto surgiu depois do encontro entre Zelensky e Vladimir Putin.

Um homem russo foi condenado por recusar participar na guerra, Miguel.

Sim, em Petropavlovsk-Kamchatsky, nesta região, um tribunal militar condenou Alexei Breuzov, um militar russo, a um ano e oito meses de prisão. Considera-o culpado por não cumprir uma ordem em tempo de guerra e por ele se recusar a participar nas hostilidades. O processo foi publicado no site do tribunal. A publicação Meduza, publicação independente, hoje dá conta disto mesmo, diz, de acordo com o processo, a 6 de outubro, Breuzov, este homem, estando no Departamento de Investigação Militar do Comitê de Investigação de Petropavlovsk-Kamchatsky, assim é que é, nem sempre é fácil estas traduções. Este homem, em violação da Carta de Serviço Interno das Forças Armadas, bem como da Lei Disciplinar das Forças Armadas Russa, dando conta da mobilização que foi anunciada na Rússia, recusou-se a participar nas hostilidades, ou seja, a partir para a zona de combate por ordem do comandante da unidade militar e por isso fica aqui condenado a um ano e oito meses de prisão. O militar entrou com um recurso para uma instância superior.

Miguel Cordeiro, com mais uma edição da Guerra Traduzida. Estivemos nos últimos minutos a olhar para a imprensa russa.