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Guerra traduzida na Rádio Observador, primeiro episódio desta semana, deste programa em que falamos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Conosco está a jornalista Dina Rocha, sou Miguel Cordeiro e vamos começar pela imprensa da Rússia, com especial atenção para a ofensiva ucraniana em Kursk. Os residentes da cidade estão a ser retirados pela Rússia, mas há mais locais onde as autoridades de Moscovo pedem para que os habitantes abandonem as casas.

Sim, também em Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, mais de 14 mil pessoas estão a ser retiradas e levadas para locais mais seguros. De acordo com a TASS, já foi aumentado o número de comboios entre Belgorod e Moscovo. Diz o governador local que esta operação deve-se ao aumento da atividade ucraniana na fronteira entre os dois países.

Esta não é a única região onde as pessoas estão a ser retiradas. A Agência RIA tem informações adicionais sobre esta operação da retirada de habitantes.

Está também a ser evacuada a região de Belovski, perto de Kursk. De acordo com o governador local, o Ministério Regional dos Transportes já foi instruído a disponibilizar autocarros adicionais para levar as pessoas para áreas mais seguras. Agora, uma das prioridades é notificar prontamente os moradores sobre a oportunidade que têm para deixar a região. Os habitantes vão ser colocados em alojamentos temporários que já estão preparados. O governador diz que vai ser prestada toda a assistência necessária aos cidadãos. No entanto, pede que sigam as recomendações das autoridades e órgãos de segurança pública. Na sequência de ataques ucranianos na região, há neste momento 13 regiões sem energia.

A Rússia diz, no entanto, que está a impedir as tropas ucranianas de invadirem em profundidade a região de Kursk.

É o que garante o Ministério Russo da Defesa, que acrescenta que os militares conseguiram destruir quatro tanques de guerra ucranianos, 38 carros blindados, sendo que foram também, segundo as contas russas, eliminados 230 soldados. De acordo com o governo da Rússia, ao longo das últimas 24 horas registaram-se vários ataques, tanto com recurso a aviões tripulados, como a drones e também a fogo de artilharia. Numa semana de ofensiva, as perdas totais do exército ucraniano na direção de Kursk atingem os 1350 militares e 29 tanques.

Putin dá um passo atrás. O presidente russo diz que já não vai negociar a paz com a Ucrânia.

"A Rússia não negoceia com aqueles que atacam civis". É a declaração feita por Putin numa reunião sobre o ponto de situação dos ataques das Forças Armadas Ucranianas na região de Kursk. O chefe de Estado diz que é impossível qualquer tipo de conversa com aqueles que matam civis indiscriminadamente. Putin falou ainda sobre as razões do ataque a esta região de Kursk, como diz o Kommersant-Pravda, lançado pelos nazistas ucranianos. O presidente acredita que Kiev quer melhorar a sua posição negocial, mas depois de um ataque que considera traiçoeiro, Putin diz que uma solução diplomática para o conflito tornou-se menos viável.

Falemos de outro ataque, neste caso, à central nuclear de Zaporizhzhia. A Rússia pede que a comunidade global tome medidas urgentes para que a Ucrânia deixe de utilizar a central como uma ferramenta para atividades terroristas. É assim que descreve. Esta expressão é utilizada pela porta-voz russa dos Negócios Estrangeiros.

Maria Zakharova diz que tanto Volodymyr Zelensky como os Estados Unidos e o Reino Unido estão por detrás do ataque levado a cabo ontem e que provocou um incêndio na central nuclear, entretanto já extinto. Em declarações à televisão russa, Zakharova sublinha que há muito tempo que a Rússia vem pedindo à comunidade internacional que tome medidas face ao regime de Kiev e aos respectivos patrocinadores, que usam a central como uma ferramenta de guerra. A Rússia rejeita ainda as acusações ucranianas pela autoria do ataque deste domingo. Diz que foi ao contrário, foi a Ucrânia que atingiu a infraestrutura nuclear. Em declarações à TASS, a porta-voz da central diz que esta foi a primeira vez que a estrutura sofreu danos tão significativos.

Revista de imprensa russa.